Eu nunca havia parado pra pensar o quanto a chuva é bela e passiva de diversas interpretações.
Parece quase que místico o fato de que, as vezes, o mundo é tomado por nuvens grossas que deixam o seu interior desabrochar em água turva e cíclica, que pode cair singelamente como orvalho ou neve, ou ainda pode virar uma tormenta daquela de arrepiar os cabelos e invocar os monstros dos trovões que domam a noite e eletrificam a vida.
Mas, a cima de tudo, a chuva é reveladora.
A água consegue limpar tudo, retirando camada por camada de sujeira ou enganos, e fazendo tudo escoar, a não ser a verdade. A chuva desperta o melhor do mundo, faz brotar as flores, faz crescer a floresta e os amores doa amantes que dançam de baixo dela e se beijam avassaladores até o fôlego sumir.
E depois da chuva... há a esperança. O que fica depois da água, aquilo singelo, forte e verdadeiro... é a verdade do mundo.
Uma verdade que pode ser um arco-íris, ou apenas uma poça d'água rasa de mais para te afogar, mas marcante o suficiente pra te lembrar dos buracos em sua própria essência, esses sim que podem ser o fundo do poço.
Todos nós temos buracos, aqueles que tentamos a qualquer custo tapar com coisas supéfluas para nos enganar. E as vezes, isso ocasiona muitas poças em nossa alma, ao ponto que nem todos os concertos do mundo deem conta.
Uma alma perdida.
Enfim, a noite logo deu lugar ao dia em Arcádia, despejando a escuridão por todo o céu. E a chuva a acompanhou, deixando as coisas ainda mais tubulosas e inebriantes. Algo que achei muito curioso, pois Arcádia sempre estava com um clima agradável, sempre ensolarada e com estrelas aparentes...
Chuva era uma novidade que me deixava inseguro sobre o seu significado, e acarretou em Dray correndo pelo castelo para solucionar questões administrativas que não faço ideia de o que são, apesar de saber sua importância devido ao olhar temeroso que Draco me deu.
Algo me dizia que aquele seria o último olhar que daríamos por um bom tempo.
Eu estava com medo, não adiantava negar. Mesmo assim caminhei decidido no castelo até os aposentos de Albus Dumbledore.
Suas respostas, mesmo não sabendo ao certo do porque acho que ele as possui, irá acabar com a tempestade interna na minha mente. Uma tempestade bela, mas longa de mais para o bem da minha sanidade...
Chega uma hora que você precisa saber a verdade para da sentido as coisas.
Enquanto a chuva caía forte nos terrenos de Arcádia, e um ou outro raio iluminava a noite fazendo os poros da minha pele inflarem e um arrepio percorrer minha espinha... Tudo o que eu podia fazer era caminhar decidido até a verdade, até o pote de ouro no final do meu arco-íris, e empurrar as preocupações sobre Draco para longe dos meus pensamentos.
Mesmo sem saber se o ouro seria falso, ou se seria vantajoso... eu precisava.
Engoli em seco tentando não pensar muito sobre isso. Não posso perder tempo, não posso me deixar levar pelo medo e a insegurança gritante em meu peito, e não bater na porta do velho doido, pois se isso acontecer...
Mais tempo em Arcádia, mais perigo. Uma das únicas relações que eu queria zelar para não fazer merda, apesar de ainda não a entender por completo.
Um lado meu ainda era egoísta o suficiente para saber o que estava acontecendo a qualquer custo, no entanto, ainda tinha esse meu outro lado que gritava para eu fazer a coisa certa. Para eu ser o herói e salvar Arcádia indo embora dela.
Decidi pelo meio termo, fazer o que eu preciso fazer... só que bem rápido.
Só que não posso chegar já perguntando na lata o que eu quero, e isso é frustrante.
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Arcádia/ Drarry
Fiksi Penggemar" - Carpe diem Harry - Draco disse mais uma vez beijando minha testa, tocando aqueles lábios macios na minha pele e aquele hálito que sempre me lembra menta e lar me alcançou. - Só consigo quando estou aqui, a seu lado em Arcádia - Admito suspir...
