Aemond estava cansado. Não aguentava mais ver seus irmãos sofrendo. Halaena estava se perdendo da realidade, Daeron estava crescendo em um lar sem afeto e Aegon Iria ser forçado a assumir o trono. Não, ele precisava dar um fim a tudo aquilo. Então c...
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— Onde ele está? — a voz cortante de Alicent ecoa pelas paredes do quarto como o estalar de um chicote, fazendo com que os dois irmãos virem a cabeça em sua direção, tensos.
Aemond reconhece aquele tom na hora. Aquilo nunca termina bem. A rainha está à procura de Aegon - de novo. Ele olha para Daeron, encolhido em seu colo como um passarinho ferido. O menino, ainda sem classe definida, tem os olhos vermelhos e inchados, com olheiras profundas marcando o rosto pálido. A expressão de medo congelada em seu rosto infantil é um retrato cruel da vida que levam.
Um nó se forma na garganta de Aemond. Ele quer pôr um fim àquilo. Ao vício de Aegon, às crises de Helaena, aos pesadelos que arrancam o sono de Daeron noite após noite. Quer arrancar o peso sufocante que carrega nos ombros - a pressão de ser o filho perfeito, o guerreiro implacável, o escudo da família. Quer se libertar das correntes invisíveis que sua mãe e seu avô prenderam nele desde a infância.
Mas não é agora. Ainda não. Ele precisa fingir. Precisa sorrir e acenar, como se tudo estivesse bem, como se ele e os irmãos não estivessem se afundando a cada dia, como se Alicent e Otto não fossem os verdadeiros monstros daquela casa.
— Está dormindo — ele mente, com a voz firme, embora os punhos cerrados denunciem a tensão.
Alicent nem o olha. Apenas vira-se de costas, fria como mármore, e ordena:
— Tire seu irmão do colo. — a omega manda.
A porta se fecha atrás dela com um estalo seco, e o silêncio que se segue é denso, sufocante.
Daeron se mexe, se preparando para sair do colo do irmão, mas Aemond o segura com firmeza, mantendo-o ali, aconchegado em seu peito.
— Está tudo bem — ele murmura, tentando transmitir uma segurança que já não sente há muito tempo.
— Mamãe vai machucar o Aegon... — o pequeno sussurra, se encolhendo ainda mais, escondendo o rosto no peito de Aemond como se quisesse desaparecer.
Aemond fecha os olhos por um instante e respira fundo. Aquelas palavras, ditas com uma voz trêmula e baixa, cortam-no por dentro. Daeron tem só oito anos. E já vive com medo. Já fala como alguém que carrega uma vida inteira de dores. A ausência de afeto e atenção o transformou numa criança assustada, faminta por qualquer gesto de carinho. E embora Aemond e Helaena façam o possível para protegê-lo, eles mesmos estão quebrados - tentando se manter de pé entre os escombros de uma família em ruínas.
— Vamos encontrá-lo depois — ele promete, acariciando com delicadeza os fios platinados do irmão.
Mas, no fundo, quer correr até Aegon agora. Quer gritar com sua mãe até a garganta rasgar, quer erguer sua espada e arrancar as cabeças daqueles que os torturam sob as ordens de Alicent e Otto. Quer ver sangue, quer justiça. Quer vingança.
Mas não pode. Não ainda.
Aegon jamais aceitaria ser poupado se isso significasse colocar Helaena e Daeron em risco. Ele se jogaria no fogo por eles. E Aemond sabe disso.