Aemond estava cansado. Não aguentava mais ver seus irmãos sofrendo. Halaena estava se perdendo da realidade, Daeron estava crescendo em um lar sem afeto e Aegon Iria ser forçado a assumir o trono. Não, ele precisava dar um fim a tudo aquilo. Então c...
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Eles conversaram sobre isso. Rhaenyra os instrui com cuidado — voz suave, mas firme — para que sejam educados, discretos e cautelosos durante sua estadia na Fortaleza Vermelha.
Jacaerys assente, o rosto calmo, embora saiba que sua presença ali jamais passará despercebida. Ele sorri para a mãe, compreensivo. As intenções dela são boas, ele sabe. Mas nenhuma boa intenção pode esconder o óbvio: seus cabelos escuros o denunciam. E os olhos castanhos de Lucerys são tão distantes dos lilases dos Targaryen quanto a verdade está do que a corte quer acreditar.
Lucerys não discute. Está tenso, inquieto, preso à ideia do que está por vir. A corte vai julgá-los. Os olhares, as palavras sussurradas, as verdades engolidas — ele sente o peso disso tudo como um fardo que carrega nos ombros frágeis. Não é só ele, são seus irmãos também. Três existências postas em xeque, e ainda assim, obrigadas a andar com a cabeça erguida.
Jace e Luke caminham pelos corredores da fortaleza. Os passos ecoam. Os olhares os seguem. As cabeças viram. Os sussurros começam.
Jacaerys mantém o queixo elevado, os olhos firmes. Seu corpo inteiro transmite um aviso silencioso: "não se atrevam." Ele é um alfa — e seu instinto de proteção se ergue como muralha ao redor de Luke.
Lucerys, por outro lado, odeia aquilo. Sente cada olhar como uma fisgada na pele, como se estivessem arrancando suas camadas uma a uma. E sente também a proteção de Jace, discreta mas presente, como sempre foi — um escudo invisível entre ele, Joffrey e o mundo.
Daemon e Rhaenyra levaram os mais novos para ver o rei Viserys. Mas Jace sabia que trancar Luke naquele quarto abafado só aumentaria sua ansiedade. Então os dois irmãos decidiram andar. Respirar. Relembrar.
— O que você acha? — Jace pergunta enquanto descem uma escadaria lateral do castelo.
— Parece menor — Luke responde depois de alguns segundos, os olhos vagando pelo pátio como se tentasse encaixá-lo nas lembranças da infância.
— Está exatamente igual — Jacaerys sorri com ternura. — Vem.
Eles descem os últimos degraus juntos.
As espadas se chocam ao longe e os sussurros se intensificam. Jacaerys percebe o desconforto no irmão e, como sempre, assume o papel de distraí-lo.
— Eu odeio isso — Lucerys murmura, os olhos desviando de cada rosto que os encara.
— Olha ali — Jace aponta para uma pequena falha no portão e sorri. — Eu disse que ainda estaria aqui. Você tentou empunhar a Estrela d'Alva do Sor Criston...
— Lembro do grito da mamãe quando entrei sangrando — Luke revira os olhos, mas sorri com a lembrança. Os dois riem.
— Você quase arrancou sua cabeça — Jace acrescenta com humor.
— E a sua mão — Luke rebate com um sorriso mais largo.
Jace bagunça o cabelo do irmão com carinho. Eles caminham até a mesa de armas. Luke passa os dedos pelas espadas ali expostas, como se buscasse familiaridade. Jace pega um machado com uma das mãos e o ergue com facilidade.