|7 - Superstições e aversões: os cinco passos|

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Jeongyeon quase riu. Só se conteve por medo de magoar os sentimentos de Mina.

— Pensei que tínhamos deixado bem claro ontem esse assunto. Pensei que tivesse concordado que essa história de azar não passa de superstição.

Mina negou com um gesto de cabeça.

— Não, eu me deixei levar por suas dúvidas arrogantes e pelas afirmações de Eunji dizendo que tudo o que eu precisava fazer era me livrar dos medos e as coisas ficariam bem. Mas não há dúvida que eu trago má sorte para os que ficam perto de mim.

— Por exemplo?

— Por exemplo, quase tivemos dois acidentes no trânsito hoje. — Lembrou ela.

— Claro, e por coincidência foram as duas únicas pessoas que ultrapassaram um sinal vermelho em Busan hoje. — Ironizou Jeongyeon. — Ora vamos, Myoui, caia na real.

Mina a encarou por um bom tempo, a boca levemente aberta. Depois sacudiu a cabeça.

— Pode ser que não exista uma relação aí. Mas você não pode negar que foi retirada do caso do sequestro do gato. Não escutei o Sr. Bang mencionar nenhum outro detetive. Chama a isso de sorte?

Mais uma vez Jeongyeon quase caiu na gargalhada. Tinha sido retirada do caso no dia anterior e considerava uma das melhores coisas que lhe tinha acontecido na delegacia. Porém, depois de escutar os comentários do capitão sobre o que  dissera Bang Sihyuk, o caso passara de um aborrecimento para um desafio. E não havia nada que Yoo Jeongyeon gostasse mais do que enfrentar um bom desafio... assim como provar a Mina que ela não era azarada.

— Escute, Mina, em primeiro lugar, eu não...

— Pare. O jantar está na mesa. A comida que preparei merece ser saboreada, apreciada. Portanto, não deve haver mais discussões sobre este assunto até que o jantar termine. — Interveio Eunji. — Concordam?

Ambas concordaram e Jeongyeon puxou as cadeiras para que as duas sentassem, depois acomodou-se. Serviram-se e comeram em silêncio por alguns instantes.

— Está uma verdadeira delícia. — Comentou Mina.

Jeongyeon, sem parar de comer, concordou com um gesto.

— Estou contente que tenha gostado. O molho é uma receita de minha sogra.

— Que simpático ela ter partilhado uma receita de família com você. — Disse Mina.

— Bem, não foi exatamente como está imaginando, isso eu posso garantir. — Afirmou Eunji, sorrindo de forma maliciosa. — Sabem, a mãe de meu marido não aprovava nosso casamento. Estava determinada a jamais me dar a receita.

Ao longo dos anos, Jeongyeon comera o e escutara histórias. Mas nunca ouvira aquela.

— Está tentando nos contar que roubou a receita de sua sogra?

— Bem, de uma certa maneira. A mãe de Jongsu tinha dores de cabeça terríveis. Não acreditava na hipnose como cura, mas um dia a dor ficou tão forte que ela me ligou e me desafiou a levar algum alívio. — Contou Eunji. — Fui até a casa dela e fiz o que ela pediu. Quando terminei o transe, ela percebeu que a dor fora embora. Mas ao invés de me agradecer, a mulher insistiu que as pílulas finalmente funcionaram. Uma semana mais tarde, ela estava com dores outra vez. Me pediu que a hipnotizasse outra vez. Fiz a sessão de hipnotismo, mas enquanto ela estava em transe, extraí a receita do molho, tintim por tintim.

Jeongyeon limpou a boca com o guardanapo e sorriu ao final da narrativa. Tomou a mão de Eunji, percebendo que o rosto dela estava vermelho.

— Foi bom para você.

Gatos Pretos, Amuletos e Mais Mil Coisas de Azar - JeongMiOnde histórias criam vida. Descubra agora