Hoje é o dia do grande jogo que todo mundo tanto fala. Dizem que é um clássico e, bom, eu preciso de uma roupa apresentável. Não posso ir ao estádio com qualquer trapo velho, afinal, sou uma garota de classe.
Então, decido vestir um vestido preto que mandei confeccionar sob medida. Era um vestido curto confeccionado com tela de paetês, com modelagem frente única, decote em "V". Por questões climáticas, optei por adicionar um casaco que combinasse com a roupa esplêndida que escolhi, e finalizei o look com uma bota casual.
Com o look finalizado, saio do meu quarto em direção às escadas, à procura do meu tio, e o encontro na sala.
— Estou pronta, podemos ir? — falo, dando um pequeno sorriso.
— É claro, vamos lá — diz ele, pegando as chaves do carro.
Vamos até o carro, e durante todo o percurso permanecemos em silêncio, até porque não tínhamos assunto algum.
— Chegamos, Katerina — diz ele, dando um sorriso.
Eu esperava que ele fosse assistir ao jogo, mas pelo visto ele estava um pouco ocupado, então me despeço do meu tio.
Lembro o básico sobre o que İlkay falou sobre a parte do estádio onde eu ficaria, e tinha algumas informações na credencial.
Finalmente, consigo chegar ao local onde tenho uma visão total de todo o campo, o que era incrível. As cadeiras das arquibancadas azuis estavam cheias, as pessoas tinham uma alegria contagiante, era deveras incrível. Analiso todos os detalhes até que sou desperta do meu transe por alguém me chamando.
— Ei, Katerina — diz uma voz bastante empolgada, que me soava familiar. Então viro para ver quem era e adivinha.
— Oi! Gabrielle, que coincidência — digo, tentando puxar assunto, afinal, eu estava sozinha aqui, graças ao meu tio.
— Não imaginei que gostasse de futebol — diz ela, franzindo o rosto.
— Olha, eu não acompanho mesmo, mas hoje vim ver meu primo jogar. Faz algum tempo que não venho aqui — digo, fazendo pouco caso. — Então, e você, o que veio fazer aqui? — pergunto, mas no mesmo instante sinto que soa arrogante.
— Só vim ver meu irmão jogar mesmo. Então posso te dizer que estamos "kits" — ela diz, dando uma risada, me fazendo rir também.
— Tá! Mas quem é o seu irmão? Tem tantos jogadores no campo, é impossível presumir — falo, com um toque de curiosidade.
— Ah, sim. Não sei se você o conhece, mas é o Erling, Erling Haaland. Talvez ele passe aqui no final do jogo — diz ela, não dando importância. — Então, quem é seu primo?
— İlkay Gündoğan, ele é legal, tá! — digo, rindo.
— Acho que já ouvi falar dele — diz ela, não se importando.
Continuamos a conversar até que o jogo finalmente começa. Estava tudo muito incrível, a torcida animada era muito linda de se ver.
Aos 2 minutos, já começa com um cartão amarelo para o camisa 20 do Manchester United.
— Minha nossa, o jogo mal começou e já tem cartão amarelo — diz ela.
— Pois é — digo, indignada, mesmo não entendendo nada daquilo.
Aos 8', sai o primeiro gol, cujo marcador era Phil Foden. Pelo menos, esse era o nome que aparecia no telão.
— GOL! — eu e Gabrielle gritamos ao mesmo tempo, dando alguns pulinhos.
— Acho que me exaltei — eu falo, a fazendo rir.
— Normal — ela responde.
E mais uma vez, outro cartão amarelo, só que dessa vez, aos 23 minutos, o árbitro direciona o cartão amarelo ao camisa 12 do time vermelho.
E de novo, mais um gol do Manchester City, cujo marcador era Erling Haaland, meu Deus, o irmão da Gabrielle.
— Goooool do Haaland — digo, animada.
— Meu irmão é incrível — diz ela, comemorando.
E logo em seguida, aos 37 minutos, outro gol do Haaland.
— Goooooooool! Gol! Meu Deus, foi gol! Outro gol! Seu irmão joga muito bem — digo, animada com o que o City ia conquistando.
— Esse garoto é uma máquina — responde ela, empolgada.
Algumas substituições são feitas, e tudo indicava a vitória do City, já que eles tinham domínio total sobre o jogo.
E o jogo termina com um placar de 6x3. Dessas 6 gols, 3 eram de Erling Haaland e os outros 3 de Phil Foden.
Pouco tempo depois da partida, İlkay entra, e logo em seguida, Haaland entra atrás dele.
— Meu Deus, İlkay, vocês foram ótimos! Eu nunca fiquei tão animada em um jogo de futebol — digo, dando uns pulinhos, batendo palmas e abraçando ele.
— "Aí, não sei se eu vou" — diz ele, me imitando, me fazendo rir.
— Palhaço — digo, rindo e revirando os olhos de maneira irônica.
— Ei, Kat, vem aqui — fala Gabrielle, chamando minha atenção.
Então caminho até ela, esperando ela falar algo.
— Este aqui é o meu irmão, Erling. E Erling, esta aqui é minha amiga de Londres, Katerina, que também é prima do seu colega de time İlkay — diz ela, nos apresentando.
— Olá, Katerina — diz ele, me cumprimentando um pouco tímido. — Espero que tenha gostado do jogo.
— Eu adorei! Sua atuação foi incrível. Na verdade, todos vocês foram magníficos. Gostei muito de ver vocês jogarem — direciono essas palavras a ele.
— Você é interessante. Gostei de te conhecer — diz ele, dando um sorriso.
— Igualmente — falo, um pouco envergonhada.
— Ah, me desculpe, falo com você daqui a pouco, Gabi – diz ele, se despedindo. – Agora tenho que ir comemorar com o time. Vamos fazer uma festa daqui a pouco, se quiser ir com a Gabrielle, fique à vontade.
Não falo nada, porque eu não tinha palavras para responder. Que cara frio, era difícil de decifrar, mas ele aparentava ser bem amigável.
Ela era gigante e tinha cabelos loiros, iguais aos de Gabrielle. Sem dúvidas, eram irmãos.
— Você vai à festa? — pergunta Gabrielle, franzindo o rosto.
— Eu ainda não sei. Talvez. E você, vai? — digo, não me importando muito com essas ideias.
— Eu não sei. Seria chato ir sozinha, acho que você me entende — ela responde.
— Se eu for, eu te aviso, tá bom? — digo, tentando ser amigável.
— Tudo bem. Agora tenho que ir — diz ela, se despedindo. — Te encontro mais tarde.
Então, fico mais alguns minutos no local e resolvo pegar um táxi e ir para casa. O percurso demorou cerca de 25 minutos por conta do trânsito turbulento de Manchester.
Quando chego em casa, reflito sobre a ideia de comparecer à festa. Será que seria uma boa ideia? Eu realmente não sei. Só conheço İlkay e Gabrielle. Não seria estranho demais ir a uma festa com tantos desconhecidos.
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Dream | E. Haaland
Fanfiction"Eu não o amo por causa de quem você é, mas por causa de quem eu me torno quando estou com você..."
