Epílogo

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JOSEPH KANE

Paro o carro e desligo o motor. Tenho treino amanhã cedo e por isso não posso demorar. Estamos praticando uma jogada nova em que eu fico como o responsável pela marcação dos gols, se eu não estiver excelente a equipe técnica vai querer minha alma.

Saio e contorno o veículo, pensando em como preciso de uma dieta mais restrita e de treinos mais longos. Não posso estar com o físico menos que perfeito. O foco é tudo se vamos mesmo destruir tudo pelo caminho até a final do campeonato. Downing quer pedir sua namorada em casamento e Smith divulgou para todo o país, em meio a uma transmissão ao vivo da televisão aberta, que será pai. É uma temporada que promete grandes aventuras, de fato.

Abro a porta e ofereço minha mão para auxiliar sua saída. Eu sei que estou me colocando em problemas e que isso pode gerar alguma comoção entre meus amigos, mas continuo dizendo a mim mesmo que tudo o que estou fazendo é em nome da cordialidade e do cavalheirismo. Acabamos de sair de mais uma noite de pizza e em minha defesa, eu me limitei às de queijo e vegetarianas.

Tudo o que eu preciso agora é de um banho quente para relaxar os músculos e de uma boa noite de sono. 

Confiro rapidamente o cenário ao meu redor. É uma área respeitável da cidade e bem próxima ao centro, uma mescla de prédios residenciais e lojas comerciais. É por isso que fiquei surpreso quando fui instruído a parar diante de um antigo prédio de tijolos vermelhos com janelas brancas. É um lugar bem cuidado e com a manutenção em dia, o que é um tanto surpreendente. Normalmente prédios antigos gastam muito mais em manutenção e o valor tende a aumentar com o tempo. Por isso, em geral, eles são demolidos e reconstruídos com materiais e arquitetura mais mordena. Eu gostei.

— Obrigada pela carona, Kane. — Evie segura minha mão para ter mais estabilidade ao sair do carro. — Foi muito gentil da sua parte.

— Não por isso. Smith fica todo preocupado com o assunto é Kelly e coisas relacionadas a ela. Eu não permitiria que sua prima se aventurasse de volta para casa tarde da noite.

— Continua muito gentil. Posso fazer uma pergunta?

— É claro. — Dou de ombros.

— Sua oferta para me trazer em casa tem alguma relação com os olhares que você me lançou nas duas últimas semanas desde aquela noite de pizza ou é extrimamente cuidado com a prima de Kelly?

— Meus olhares? — Sou surpreendido com sua pergunta tão direta. — Você está incomodada?

—Não. Estou interessada em você também, mas se me disser que tudo não passou de um mal entendido e que sua atenção é somente para ajudar ao seu amigo, eu entenderei.

— É claro que estou interessado em você. Você é maravilhosa, quem não ficaria?

Evie abre um sorriso contido. Ela é uma mulher alta, mas ainda assim há uma pequena diferença de altura entre nós. Os jogadores da liga profissional costumam ser altos, não tanto como no basquete, porque nos permite alcançar distâncias maiores com mais velocidade. É por isso que permaneço imóvel quando percebo ela se inclinar e esticar o pescoço em minha direção.

O primeiro contato da sua boca com a minha foi memorável. Lábios quentes e macios, nada mais que uma breve pressão, porém o suficiente para me deixar atônito. Não é de hoje que reparo em seu jeito, a maneira que consegue ser atrevida e ousada sem deixar de ser meiga é fascinante.

Quando ela se afasta eu a encaro por um segundo inteiro antes de compelir meu corpo a agir. Enlaço sua cintura e a puxo contra mim, tomando sua boca em um beijo de verdade. Evie agarra meus ombros e uma de suas mãos subir pelo meu pescoço e seus dedos arranharem minha nuca.

Não acho que possa haver alguma explicação lógica para o acontecido. É como se, de repente, um interruptor ligasse e nós dois estivéssemos em chamas. Não houve qualquer pudor em nosso beijo e não me surpreenderia se um policial aparecesse e nos recriminasse por ferir a ordem pública. Não parecíamos adolescentes dominados por hormônios, é algo mais sedento, mais voraz e intenso.

Em algum momento abertei a bunda de Evie com tanta vontade que ela ofegou em minha boca e a coloquei em cima do capô do carro. Foi como se o resto do mundo perdesse importância e tudo o que eu precisave era tê-la. Apenas ela, sem roupas no caminho para atrapalhar.

Evie rompeu com o beijo, espalmando meu peito e me afastando com cuidado. Sua boca está inchada e a região ao redor um pouco avermelhada, sua respiração descompassada gera fumaça contra o ar frio da noite. Seu cabelo está um pouco bagunçado e ela está linda para caralho.

— Isso foi intenso. — Fala tentando recuperar o ar.

— Eu concordo.

— Alguém pode nos ver.

— Eu não ligo.

— Estou sentada no capô do seu carro em uma rua deserta e tarde da noite. Convenhamos que não é o melhor dos cenários.

— Tem razão. Eu exagerei. Desculpe.

— Não se desculpe por isso. Foi ótimo!

— Estamos muito expostos aqui. Você disse.

— Sim, mas também não disse que quero parar. — Evie dá um meio sorriso muito fofo e brinca com o zíper do meu casaco. — Não quer entrar?

Não. Fodidamente não. Isso seria um grande erro. Mas é claro que eu vou.

— Lidere o caminho.

Apenas uma noite - Os Jogadores #2Onde histórias criam vida. Descubra agora