Capítulo II

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DIA 2

Harry tinha certeza de que, ao falhar na missão dada por Snape em salvar Malfoy de um casamento feliz, ele seria assombrado pelo professor por um tempo. Ele esperou que Snape aparecesse em seus sonhos, o arrastasse de volta para a sala de Poções e o repreendesse, como antigamente. Ele também poderia ter feito diferente; poderia ter preparado o terreno, um preâmbulo para Malfoy antes de lhe contar a verdadeira mensagem.

Ele poderia apostar que veria Snape novamente, no entanto, isso nunca aconteceu. Seus sonhos continuaram os mesmos. Ele passou um tempo com sua mãe, como costumava fazer uma vez por mês, falando de seus amigos, seu papel como padrinho e sua embaraçosa vida amorosa. Desde que se assumiu bissexual, Harry vinha tentando explorar a ideia de namorar um homem, mas sem sucesso.

— Sabe, eu achei que seria mais fácil — ele disse para sua mãe, amargurado. — Mas parece que não entendo os homens mais do que entendo as mulheres. Sempre estrago tudo.

Ela sorriu, amável, brincando com um dos cachos do cabelo de Harry. — Eu acho que você está sendo um pouco duro consigo mesmo, querido. Porque no final não é sobre isso, é? Você nunca gostou quando todos davam em cima de você, de ambos os sexos.

— Sim, verdade — Harry disse, antes de se perguntar como ela sabia disso. — Você me espionou durante meus encontros?

Ela riu, seus olhos brilhando, marotos. — É a melhor parte da minha vida, assistir a sua. Não tire isso de mim.

— Sem chances — Harry disse, revirando os olhos. — Mas espero que algumas coisas você não veja.

Lily o certificou de que sempre lhe dera privacidade quando necessária, o que acalmou Harry. Ainda assim, isso o lembrou o quanto os mortos deveriam observar os vivos. O conhecimento de Snape sobre o casamento de Malfoy era uma prova disso. O que só lhe fazia questionar ainda mais o porquê de ainda não ter visto Snape novamente.

A resposta chegou meses depois, e por outra pessoa. Foi o próprio Malfoy que o encontrou na loja de George quando Harry estava prestando uma visita. George lhe mostrava suas últimas invenções — algumas com ajuda de Fred, do outro lado — quando a bruxa que atendia o balcão apareceu:

— Harry — ela disse — Alguém quer conversar contigo.

Mesmo sem entender, Harry a seguiu, intrigado. Ao ver Malfoy de pé ao lado de um dos mostruários, de olho nos mais recentes fogos de artifício, ele congelou.

Não só Malfoy estava ali, como também estava... diferente. O cabelo estava cortado, a mudança mais notável. Quando Harry o viu pela última vez, ele tinha percebido como as mechas douradas de Draco caíam por seus ombros, fazendo-o parecer um pouco como seu pai. Seu cabelo, agora, estava curto, aparado no canto, mas com um topete na parte superior, que caía por um lado do seu rosto. Ele também vestia roupas trouxas: calças cinzas, um colete, uma camisa social branca — sofisticado demais para aquela loja, mas ainda trouxa. Harry tinha certeza de que nunca havia visto Malfoy em um traje como aquele, além do fato de ter combinado perfeitamente com ele.

Balançando a cabeça como se tentasse esquecer seus próprios pensamentos, ele se aproximou. — Malfoy — ele disse. — Procurando por mim?

— Potter — Malfoy disse, largando uma das caixas de fogos de artifício e encarando os olhos de Harry. — Como você está?

— Ahn, bem — Harry disse. — E... você?

— Muito bem, obrigado. Eu queria conversar com você.

— Eu imaginei — Harry disse. — Apesar de ainda não entender como você me encontrou aqui.

— Fiquei sabendo que você vinha aqui toda quarta-feira. E considerando a criatura manienta que você é, eu imaginei que hoje não seria diferente. Sua casa é praticamente inacessível para qualquer um que não saiba a localização, e eu estava preocupado que... — ele se calou, desconfortável. — Depois daquela conversa, e de como ela terminou, quando eu praticamente te expulsei da Mansão, eu temia que você não respondesse minha coruja.

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