DIA 11
Tudo doía. Cada respirar em seu pulmão queimava, mas talvez de alívio. Ele engoliu em seco, e isso também doeu, dolorido por fora devido às mãos e dolorido por dentro por vomitar minutos antes. Sua cabeça latejava e seus dedos estavam rígidos.
Harry continuou deitado ali, respirando para dentro e para fora, tentando se controlar, tentando não tremer.
Que diabos havia acontecido? Ele fechou seus olhos, mas não ajudou. As imagens em sua mente eram de suas mãos grandes ao redor da pequena garganta de Teddy.
Não. Não. Não. Não. Era um sonho. Precisava ser um sonho.
Mas por que ele sonharia algo tão horrível?
Ele escutou o som de um choro ao seu lado, engasgando, soluçando continuamente, e isso o fez cair na realidade.
Draco. Sagehaven. Os Gardner. O caso.
— Draco – ele disse, sua voz rouca. Ele tentou limpar sua garganta, mas não ajudou muito, apenas queimou e doeu. Ele se sentou lentamente, ficando tonto por um momento, antes de ficar ombro a ombro com seu companheiro loiro. Draco desabava, tremendo, o rosto entre as mãos. Harry colocou uma das mãos nas costas do homem. — Draco – ele disse novamente, sussurrando dessa vez.
Mas Draco o escutou, ou talvez parecia ter escutado. Ele levantou o olhar, as bochechas úmidas sob a luz fria da noite. — Harry – ele disse, a voz molhada, e para surpresa de Harry, Draco o puxou, um dos braços ao redor de suas costas e a outra mão em sua cabeça. Era um ângulo estranho, com eles sentados um ao lado do outro, mas Harry se deixou levar, colocando sua cabeça no ombro de Draco.
Eles ficaram assim por alguns minutos, enquanto as lágrimas de Draco desapareciam. Draco se afastou, soando o nariz.
— O que aconteceu? – Harry perguntou, ainda sussurrando. Era mais fácil daquele jeito.
— Você estava se enforcando – Draco disse, como se fosse começar a chorar novamente. — No seu sonho. A magia estava te emaranhando, e suas mãos estavam ao redor do seu pescoço...
Draco começou a tremer novamente e Harry o segurou forte. — Desculpa – ele disse. — Me desculpa.
— Não é sua maldita culpa, Harry – Draco disse, parecendo se acalmar novamente. Foi aquela maldita magia azul. Estava tentando te matar.
Draco se afastou novamente, virando-se em busca de sua varinha. — Aqui – ele disse e conjurou um Lumos. Harry precisou piscar, a luz era muito forte. — Me deixe dar uma olhada.
Levou um momento ou dois para que os olhos de Draco se acostumassem com a luz, mas assim que o fizeram, ele começou a olhar o pescoço de Harry, esfregando a pele com seus dedos gentis. — Merlin, Harry – ele suspirou.
— Muito ruim?
— Alguns hematomas. Consigo ver a marca dos seus dedos – Draco disse, sua voz sinistra. — Não se preocupe, irei curá-lo. Me dê um momento – ele mexeu sua varinha, murmurando alguns encantamentos, e Harry viu seus lábios se moverem sutilmente enquanto sentia a dor diminuir lentamente.
Já não era tão dolorido respirar e, mesmo que seu esófago ainda estivesse um pouco em carne viva, sua voz estava bem mais clara quando ele disse: — Muito melhor. Obrigado.
Draco relaxou, interrompendo o Lumos e os deixando na escuridão mais uma vez. Harry piscou algumas vezes e logo seus olhos encontraram Draco novamente, sua silhueta contra a grande casa às suas costas.
— Que horas são? – Harry perguntou.
O feitiço Tempus revelou que já passavam das três e meia da manhã.
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Sagehaven - DRARRY
FanfictionApós sua morte e consequente ressureição, Harry Potter ganhou a habilidade de se comunicar com os mortos. Agora ele trabalha como médium e detetive fantasma com seu parceiro de negócios, o teórico mágico Draco Malfoy. Ao serem contratados por um cas...
