DIA 4
— Você parece preocupado — Draco disse, observando Harry de perto enquanto ele arrumava sua bolsa, o cenho franzido.
Eles estavam na cozinha do Largo Grimmauld. Draco o encontrou ali, com sua própria bolsa, para que pudessem aparatar juntos para o endereço.
Harry ergueu o olhar levemente em sua direção. — Não é nada — ele disse.
— É sobre os sonhos? — Draco pressionou, sem acreditar. — Você é muito sensível a eles. Está com medo de que os seus irão piorar, quando chegar lá?
Eles tinham entrado em acordo, rapidamente, de que a única forma de investigar Sagehaven seria passando a noite. Os Gardners não estariam lá, o que possibilitaria a Harry e Draco liberdade para suas investigações. Sem contar que, com o fato de a casa ser dormente durante o dia e mais ativa quando os ocupantes estavam dormindo, não seria muito frutífero investigar em outro momento. O próprio Draco tinha suas dúvidas quanto a isso, logo imaginava o que deveria estar se passando na cabeça de Harry.
— Os sonhos não vão ser bons, mas podem nos ajudar — Harry disse. — Então não, não estou preocupado.
— Então o que foi? Porque tem alguma coisa aí — quando Harry o olhou frio, Draco sorriu. — Estamos juntos nessa há oito anos, Potter — ele disse. — Você não pode me olhar desse jeito.
Para a decepção de Draco, Harry não sorriu. — Não quero falar em voz alta — ele disse suavemente, depois de um tempo.
Draco encurtou a distância entre os dois, colocando sua mão gentilmente sobre o ombro de Harry. — Você pode me contar qualquer coisa, você sabe disso. Não vai me assustar.
Os olhos de Harry percorreram o rosto de Draco. — Eu sei que não. Eu só... odeio casos que envolvem crianças. E esse caso... pelo menos uma dezena de crianças viviam naquela casa quando os Trevil desapareceram, e nós não conseguimos entender o que aconteceu com elas. Não encontramos registro algum.
Ele estava certo. Os dois tinham ido até os arquivos do Ministério mais cedo naquele dia, apenas para descobrirem que os registros sobre a Escola Sagehaven tinham sido destruídos ou estavam desaparecidos, ou talvez nunca sequer arquivados. Havia um punhado de documentos sobre a Mansão Trevil, de séculos atrás. Mas muitos eram dispensáveis, sem quaisquer incidentes ou mortes trágicas relatadas, nada que sugerisse o tipo de atividade que os Gardner estavam vivendo.
— Nós não sabemos se alguma coisa aconteceu com aquelas crianças — Draco disse, apertando seu ombro. — Só porque os registros não existem, não deveríamos fazer conclusões precipitadas.
— Eu sei — Harry disse com um suspiro. — E obviamente eu espero que nada tenha acontecido, mas... — ele balançou a cabeça. — Se acontecer de descobrirmos algum assassinato em massa de crianças, ou algo assim, eu não sei se consigo continuar. Eu só... não consigo.
Isso era uma das coisas das quais Draco mais amava sobre Harry, o quanto ele sentia as coisas. Mas ele também sabia o quão difícil era para Harry às vezes. Toda a morte com que ele trabalhava, dia e noite. Harry parecia se satisfazer com isso, mas às vezes Draco se pegava preocupado com o quanto Harry se consumia com isso.
Talvez se ele encontrasse alguém, alguém que o amasse e sempre estivesse ali por ele, Draco pensou, certamente não pela primeira vez. É claro que Draco tentaria ser esse alguém, se Harry permitisse.
Mas Harry sempre tinha sido cuidado com Draco, mesmo quando sua amizade se aprofundou e eles acabaram por desenvolver uma confiança inabalável um pelo outro. Harry raramente iniciava o contato, ou flertava, ou parecia chateado com os hábitos de Draco. Ele até mesmo encoraja Draco a explorar sua vida amorosa, dizia que ele merecia ser feliz e, caso estivesse feliz, ele também estaria.
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Sagehaven - DRARRY
FanfictionApós sua morte e consequente ressureição, Harry Potter ganhou a habilidade de se comunicar com os mortos. Agora ele trabalha como médium e detetive fantasma com seu parceiro de negócios, o teórico mágico Draco Malfoy. Ao serem contratados por um cas...
