DIA 7
Harry estava vasculhando a casa novamente.
Ele não tinha nada melhor para fazer, não enquanto Draco ainda estava trabalhando nas barreiras. Harry acreditava que, naquele ponto, ele já tivesse vasculhado cada cantinho da casa, mesmo que estivessem ali a menos de vinte e quatro horas. Agora, estava tudo quieto. Até o zumbido que sobrecarregava o ar na noite passada havia desaparecido. Harry foi de quarto em quarto em vão, conversando com as paredes, sabendo que não receberia uma resposta.
Era inútil. O que quer que eles precisavam, estava detrás daquelas portas francês na ala leste, e os dois sabiam disso. Harry rosnou para si mesmo, odiando a situação por inteiro. Não só ele se sentia inútil, mas com Draco também deixando claro que não precisava de sua ajuda, era muito fácil de usa memória retornar ao sonho da noite anterior, algo do qual ele não poderia se permitir fazer.
Ele precisava se dividir. Era isso que Draco fazia e parecia funcionar. O loiro demarcava linhas explícitas entre seu trabalho e sua vida pessoal, entre seus amigos e seus amantes, entre sua personalidade em público e a sua personalidade quando estava com aqueles que confiava. Ele tinha limites, e por um bom motivo.
Harry não fazia ideia de como impor limites; ele nunca se deixou aprender. As coisas simplesmente se misturavam umas às outras. Seus amigos eram sua família e seu trabalho era sua vida. E quando ele ocasionalmente namorava, as coisas também se destorciam, porque ele não sabia como separar o lugar que Draco tinha em seu coração do resto das coisas.
Suspirando, Harry levantou-se de onde estava sentado na ala oeste no primeiro andar. Ele não sabia aonde ir em seguida, pensando, ao invés disso, na conversa que tivera com Draco durante o café da manhã.
Eles tinham conversado por mais uma hora depois de Harry ter contado sobre seu sonho. Foi uma conversa boa, de certa forma, considerando a forma com que Draco manteve-se impassível apesar de estar claramente aterrorizado com o que ouviu. Eles passaram um tempo tentando entender a dinâmica de seus sonhos, comparando as semelhanças e as diferenças, perguntando-se se a figura paterna, presente em ambos os sonhos, representava a mesma pessoa ou pessoas completamente diferentes.
Será que os Trevil se viram pegos em um terrível ciclo de abusos, por gerações, o que lhe causou dor psicológica – e até mesmo espiritual — ao longo do tempo? Era essa a dor que parecia surgir pelas paredes?
Ou será que esse era um incidente isolado, um relacionamento que deu tão errado e que nunca fora resolvido? Tinha isso alguma coisa a ver com o desaparecimento dos Trevil que moravam àquela época na casa?
Eles tinham muitas perguntas, e apenas um lugar para ir em busca de respostas. E Harry tinha ficado de fora quanto a isso.
Não que estivesse chateado por isso. Não muito.
Sem pensar, Harry se viu caminhar em direção aos fundos da casa, onde uma outra porta francesa levava até o jardim dos fundos. Harry já tinha visto a frente no dia anterior, mas não os fundos; ele também precisava de um pouco de ar fresco. Ele não faria nada de produtivo preso dentro de casa daquele jeito.
O jardim dos fundos era, inacreditavelmente, mais bonito que o outro. O sol ajudava, banhando a fonte central e os arbustos ao redor com um brilho uniforme que destacava os detalhes requintados do lugar. Harry caminhou um pouco, parando em frente a fonte e admirando a água limpa e clara. Como todo o resto da propriedade, estava claro que o trabalho esforçado de renovação estava dando resultados. A diferença entre o interior e o exterior, no entanto, era que ali Harry conseguia respirar. Aquele não era um lugar tomado pela dor, mas sim de paz. Ele desejava, de novo, poder ficar ali para sempre, sem nunca precisar voltar para dentro.
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Sagehaven - DRARRY
FanfictionApós sua morte e consequente ressureição, Harry Potter ganhou a habilidade de se comunicar com os mortos. Agora ele trabalha como médium e detetive fantasma com seu parceiro de negócios, o teórico mágico Draco Malfoy. Ao serem contratados por um cas...
