Somente a aranha está segura em sua teia.
— Como assim você acordou nua na casa de um estranho? — Alex questionou enquanto analisava a história contada pela irmã caçula.
— Eu não estava nua, Alex, estava de robe — Kara reclamou ao passo que corava violentamente.
A verdade é que lembrar do momento embaraçoso a deixava terrivelmente envergonhada, e Alex, por conhecê-la tão bem, tirava proveito da situação.
— Urgh! Dá na mesma, né?! — Revirou os olhos.
Ser uma irmã mais velha exige força, nobreza e compreensão. Apesar de Alex ter ouvido tudo atentamente e feito um esforço descomunal para não surtar com toda a loucura contada pela loira, ela ainda se recusava a acreditar que o encontro de Kara com o tal homem estranho havia sido apenas uma coincidência. As peças não se encaixavam e parecia bom demais para ser verdade.
Não era possível que um desconhecido estivesse na hora certa, no lugar certo e, ainda por cima, pudesse ajudar com um problema que nem mesmo o DOE teve capacidade para lidar. Seu treinamento e, principalmente, seu instinto protetor a fazia desconfiar de todos, especialmente se a segurança da irmã mais nova estivesse em jogo.
Ainda que o início da convivência das duas tenha sido conturbado, com o passar dos anos o laço fraterno entre elas se fortificou. Não importava se elas tinham ou não a mesma herança sanguínea, no coração de Alex a heroína seria sempre sua irmãzinha. Elas eram irmãs. As irmãs Danvers.
— Você está muito séria. Essa sua cara de badass está me assustando. — No fundo, Kara conhecia muito bem a irmã para saber que ela não tinha gostado do que ouviu.
Alex estava sentada no sofá, com os braços cruzados e batendo o pé no chão de forma impaciente. Seu olhar era vago, exatamente como quando se está com a mente borbulhando, imaginando diversas situações.
— Alex!
— Não precisa gritar, estou te ouvindo. — disse séria, mas com o tom de voz em uma frequência normal, o que contribuía para deixar a Kara ainda mais nervosa.
— Então fala alguma coisa, você está me deixando apreensiva.
— Acho que você ficou nervosa porque já sabe qual a minha opinião sobre tudo isso. Mas já que deseja tanto ouvir, vamos lá: eu não gostei nada do rumo que essa situação tomou. Eu não confio nesse cara. E antes que você fale novamente, já me adianto: não, você não vai encontrar com ele mais tarde. Ainda mais desacompanhada.
— Kara, você tem noção de como está se expondo? Você me disse que ele sabe da sua identidade secreta. Ele sabe que você é a Supergirl! Quem garante que ele vai guardar esse segredo? E, para piorar, você simplesmente vai lá novamente, na casa dele. — "Céus, o que ela tem na cabeça?"
— Eu não sei como te explicar isso, mas confio nele. Sei que tudo aconteceu de repente, tem muitas pontas soltas, mas você sabe que eu preciso de ajuda, e no momento ele parece ser a única pessoa que pode me ajudar...
... Então peço que confie no meu julgamento.
—Sua ingenuidade, às vezes me assusta!
—Alex...
Alex a conhecia muito bem para entender que quando Kara Danvers coloca uma ideia na cabeça, ninguém é capaz de fazê-la desistir. A obstinação da garota de aço era outro traço marcante da sua personalidade. Dadas as circunstâncias, a única opção seria confiar no julgamento dela.
Kara tinha o coração bondoso, sempre acreditando no melhor das pessoas, não importando se são terráqueas ou alienígenas, por isso a diretora tentava filtrar e frear os impulsos da heroína. Supergirl podia proteger o mundo, porém Alex Danvers se sentia no dever de cuidar de sua irmã caçula.
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Interdimensional
FanfictionQuando Kara Danvers, decide revelar sua identidade secreta a Lena Luthor, coisas estranhas começam a acontecer com seus poderes. Em meio ao rompimento da amizade delas, Kara também precisará lidar com chegada de seres interdimensionais a National Ci...
