9. A Lupa da Compaixão

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        Em uma pequena cidade do Paraná, um menino de 13 anos chamado Félix resolveu explorar o sótão da avó num final de semana. Olhava cada caixa e explorava cada canto, deixando-se levar pela imaginação de encontrar tesouros por ali. Foi quando encontrou uma caixa empoeirada e misteriosa. Dentro dela, havia uma lupa antiga e aparentemente insignificante. Mas o que ele não sabia, era que a lupa continha um poder especial: permitia a quem usasse, enxergar além das aparências das pessoas, revelando suas lutas e dificuldades invisíveis. Sem saber do seu poder mágico, Félix a pegou e a examinou com admiração.

― Uau! Que lupa legal!

Félix era curioso e criativo e qualquer coisa que instigasse sua imaginação, ele criava mil aventuras. Naquela noite, antes de dormir, decidiu testar a lupa. Apontou para seu reflexo no espelho e, para sua surpresa, viu além das suas próprias feições. Viu seus olhos cansados e marcas de preocupação revelando uma tristeza profunda que ele nunca havia percebido antes.

― Mas o que foi isto que eu acabei de ver? ― Perguntou-se, espantado.

Curioso para saber se aquilo acontecia com mais alguém, decidiu testá-la nas pessoas que conhecia. Na manhã seguinte, quando foi à escola, ele viu além das aparências de seus colegas. Aos poucos, percebeu que, apesar dos sorrisos e das brincadeiras, cada um deles tinha seus próprios desafios.

A garota popular, que sempre sorria, escondia uma solidão silenciosa, o garoto quieto do fundo da sala carregava uma tristeza insondável e o professor severo tinha um coração cheio de preocupações.

Ele olhou para sua amiga Sofia e viu uma aura triste ao seu redor. Intrigado, aproximou-se dela:

― Sofia, o que está acontecendo? Eu sinto que precisa desabafar.

Ela enrugou a testa, sem entender a pergunta dele, como se pudesse ver o que estava se passando em seu interior.

― São coisas aqui, na escola. Tenho tanta dificuldade de fazer amigos novos... ― Falava com os olhos cheios de lágrimas. ― Me sinto solitária até em casa, porque ninguém me entende e estão sempre tão ocupados com seus problemas.

― Você sabe que pode contar comigo, sempre que quiser, não é? Somos amigos.

Sofia deu um leve sorriso, tentando se animar.

― Tá bem...

Ele a abraçou, não se importando com os comentários e risadinhas dos colegas.

― Hum... ― Murmurou Cauã, provocativo.

Félix apenas virou-se para ele e mostrou-lhe a língua, deu um sorriso para a amiga e voltou para o seu lugar.

Sua amiga parecia tão confiante por fora, mas por dentro, lutava contra a solidão e a incerteza. Félix faria de tudo para ajudá-la.

A lupa o fez perceber que, mesmo as pessoas mais felizes e confiantes, tinham suas próprias lutas, invisíveis aos olhos alheios. Foi então que ele decidiu usar o poder daquele objeto para fazer a diferença na vida das pessoas ao seu redor.

No dia seguinte, sentou-se ao lado do garoto quieto e o chamou para uma conversa mais tarde.

― Oi, Rubens, quer conversar um pouquinho na hora do recreio?

― Pode ser. ― Respondeu num tom de voz tão baixo que mais pareceu um sussurro.

No recreio, descobriu que o colega estava passando por dificuldades em casa e sentia-se deslocado na escola. Félix ouviu com atenção, ofereceu palavras de encorajamento e até mesmo compartilhou algumas de suas próprias inseguranças. Rubens, pela primeira vez, sentiu que alguém o compreendia e sorriu timidamente de felicidade, como há muito não fazia.

CALEIDOSCÓPIO DE SONHOS: RETRATOS DA ALMAOnde histórias criam vida. Descubra agora