●capítulo 24●

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A chuva caía implacável, lavando as ruas, mas não conseguia apagar o peso da dor que eu carregava. Eu caminhava sem rumo, os passos sem direção, o coração apertado. Eu não sabia para onde estava indo, mas sabia que precisava escapar. As gotas de água batiam no meu rosto, mas não podiam apagar as lágrimas que insistiam em cair. Minha alma estava molhada, encharcada de tristeza.

Quando cheguei à praça, me encostei em uma árvore, sem forças para seguir. A noite estava fria, o vento cortante, e eu me sentia como se o mundo estivesse tentando me engolir. Eu afundei a cabeça entre os joelhos, tentando me proteger do que estava por dentro. Comecei a chorar, sem mais nem menos, como se a dor que eu guardava dentro de mim tivesse encontrado uma saída.

Eu não gritei, não conseguia. Mas dentro de mim, meu coração rugia. “Por que Deus? Por que você deixou isso acontecer? Por que ele me fez acreditar que podia ser feliz?” Eu perguntava, mas ninguém respondia. A chuva abafava tudo ao redor, como se a dor que eu sentia fosse maior que qualquer som. Eu não estava mais no mundo. Estava perdida.

Minhas lágrimas não tinham fim, e o vazio em meu peito parecia cada vez mais profundo. “Mãe... onde você está? Por que você me deixou? Eu queria estar com você, eu queria estar onde você está... Eu queria morrer no seu lugar.” Essas palavras ecoavam em minha mente, e cada uma delas parecia me afundar mais. O que mais eu poderia fazer? Onde mais eu poderia ir?

Eu gritei, mas minha voz foi engolida pelo vento e pela chuva. Gritava dentro de mim, mas ninguém ouvia. Eu estava sozinha, completamente sozinha.

E foi aí que tudo se tornou ainda mais insuportável. A saudade da minha mãe parecia me rasgar por dentro. A dor de ter perdido quem mais amava me sufocava. Eu olhava para o céu, como se esperasse uma resposta que nunca chegaria. O mundo não tinha mais sentido. Eu não sabia mais o que fazer, nem como seguir em frente.

Os soluços diminuíram, mas a dor não passava. Eu não tinha forças para ficar ali por mais tempo. Então, sem rumo, voltei para a casa de Gabi. Já eram mais de 11:30 da noite quando cheguei à porta dela. Eu estava encharcada, tremendo de frio, mas a dor era maior que qualquer coisa.

Gabi me atendeu rapidamente, seu olhar de surpresa logo se transformando em preocupação.

“Amiga, você está toda molhada! Vem para dentro, por favor!” Ela me puxou para dentro, me guiando até o sofá.

Lágrimas desceram pelo meu rosto, sem parar. Eu não sabia mais o que fazer. Queria sumir. Queria desaparecer.

Gabi: “Aqui, amiga, vou te dar uma toalha.” Ela me ofereceu, tentando me aquecer. Mas a dor estava tão forte que eu não conseguia sentir nada além disso.

Julia: “O...bri...ga...do...” Eu falei, a voz embargada, secando as lágrimas sem conseguir parar de chorar.

Gabi: “Amiga, o que aconteceu? Olha só para você, seus olhos estão vermelhos, você não ia conversar com o Enzo?” Ela me olhou, ainda sem entender o que tinha acontecido.

Eu queria falar, mas não conseguia. A dor tomava conta de mim.

Gabi: “Amiga, nunca te vi assim. Nem quando aquele babaca do seu ex te traiu com a Patrícia...” Ela me olhou com compaixão, mas aquilo não fazia diferença agora.

Eu só conseguia chorar mais, soluçar, me perder.

Julia: “E...pi...or...” Eu mal consegui falar. A dor era mais forte que qualquer palavra.

Gabi: “Juju, me conta, amiga. Se abre comigo, tô muito preocupada.” Ela se aproximou, me olhando com carinho.

Julia: “Tá... eu... vou falar...” Respirei fundo, tentando organizar as palavras, mas foi difícil.

A Aluna E O Professor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora