Já faz um mês e meio, e até agora nada de o Enzo melhorar. Ele continua na mesma, está na UTI.
Durante esse mês, que já vai para quase dois meses, eu não saí do lado dele. Meu pai chegou de viagem e me perguntou por que eu estava saindo tanto. Tive que mentir para ele, e não foi bom. Só uma parte da mentira, eu falei que meu professor tinha sofrido um acidente de carro, e que eu, a Gabi e a Laura íamos ao hospital para ver ele, às vezes ajudando os pais dele. Meu pai, no começo, achou estranho, mas eu disse que estava fazendo isso porque ele era um bom professor, sempre ajudou a gente. Falei também sobre a matéria, e, com o coração mole, meu pai acabou deixando. Depois que ele voltou, acho que dormi aqui uns cinco dias para ajudar também. Mas nada dele melhorar, ele continua na mesma.
Edgar: Posso ajudar de alguma forma?
Sofia: Tá tudo bem, senhor Edgar. Sua filha já está ajudando. Obrigada.
Júlia: Senhora Sofia, eu vou em casa tomar um banho, ver se consigo comer alguma coisa e depois volto para ajudar a senhora, tá bom?
Sofia: Oh, minha linda, obrigada. Me abraça.
Meu pai me deixou em casa. Fui tomar meu banho, troquei de roupa e vesti uma blusa de alça com estampa de girassol, uma jaqueta jeans, uma saia branca, um par de Vans preto e branco e uma bolsa marrom. Coloquei meu óculos de vista e fiz um rabo de cavalo nos meus cabelos.
Eu estava descendo quando, do nada, meu pai me chama. Ele não estava com a cara nem um pouco boa.
Edgar: Júlia, vem aqui, por favor! Preciso muito falar com você, é algo muito sério.
Júlia: Pai, pode ser depois? Eu vou encontrar a Gabi e a Laura, a gente vai pro hospital ver como o professor está.
Edgar: É sobre ele mesmo que eu quero falar, filha. Vem aqui, por favor, é muito importante, a gente precisa ter essa conversa.
Júlia: Tudo bem, pai. Seja rápido.
Edgar: Eu serei. É bem simples, filha. Desde que eu voltei de viagem, soube que você estava indo direto pro hospital. Te perguntei, você não me falou nada, aí um dia a Gabriela chega aqui e fala que vocês tinham que ir pro hospital. Perguntei, e você me disse que estava indo porque queria ajudar a mãe do seu professor. Me explicou, tudo bem. Se você fosse de dia, não ia me importar, não ia fazer essa pergunta, mas Júlia... você está dormindo lá. Isso até é bom, você está ajudando, mas parece que você não está só ajudando. Como se estivesse dando tudo de si, filha... Posso te fazer uma pergunta? E eu espero que você não minta para mim.
Júlia: Pode, qual? (fala com medo)
Edgar: Você e seu professor têm alguma relação além de professor e aluna? Ou você está apaixonada por ele? Por isso está fazendo tudo isso? Porque eu também soube que você doou seu sangue para ele.
Júlia: Primeiramente, pai, nunca mais fala isso de eu estar tendo alguma coisa com meu professor, tá? Olha pra mim! Eu gosto de curtir a vida, fazer coisas malucas, experimentar coisas novas. Agora, ficar com meu professor? Isso é demais! Achei que você me conhecesse, mas não, né? Você não me conhece. E o que eu queria, né? Depois que a mamãe morreu, você virou um cara completamente diferente. Nem parece que é o meu pai mais, pra me fazer uma pergunta absurda dessas! Sabe por que eu tô fazendo isso pelo meu professor? Porque quando eu tava com depressão, perdida nas matérias, nem os professores se importaram. Nenhum foi lá e falou "olha, vou te ajudar, você pode repetir de ano, mas a gente vai dar um jeito". Eles não estavam nem aí. Mas o professor Enzo... ele foi atrás de todos os professores, perguntou se eu tava bem, me ajudou com as lições, até quando os professores não iam me ajudar. Então, agora, você vem com essas paranoias? Eu tô fazendo isso porque ele fez por mim, e como minha mãe sempre dizia, "o que a pessoa fez por mim, eu posso fazer por ela". Então, pai, não vem com essas paranoias não, tá bom? Só falei com sinceridade. Agora, me fala, pai, o que você esconde de mim? Porque desde que você começou a trabalhar, você mudou. Tá estranho. Um dia, eu te perguntei onde você estava, você começou a gaguejar e falou que estava no trabalho. Mas tem uma coisa que você esqueceu: eu liguei no trabalho e você não estava lá. Sua secretária disse que você tinha saído fazia tempo. Agora, você vem querer falar alguma coisa? Me responde, pai. O que está acontecendo?
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A Aluna E O Professor
Novela JuvenilJúlia Almeida tem 16 anos, mora com os pais têm apenas uma amiga chamada Gabriela Júlia sempre foi feliz sua vida era sempre boa mas tudo começou a mudar quando ela conhece seu professor sedutor lindo perfeito Júlia não imaginava se apaixonar ainda...
