A cada dia que passa, a convivência com meu pai tem se tornado mais insuportável. Cada palavra, cada gesto meu é motivo para ele tentar me fazer sentir culpada. Ele sempre tem algo a dizer sobre o Enzo, algo como se o simples fato de eu estar com um homem mais velho fosse a coisa mais errada do mundo. E ultimamente, não importa o que eu faça ou onde eu esteja, ele parece ter uma necessidade constante de jogar isso na minha cara.
Não sei mais como lidar com isso, sabe? Eu estou com Enzo, estou com meus amigos, com a minha família, e as coisas têm sido diferentes. Em casa, as coisas estão cada vez mais tensas, e com a família dele... bom, a família do Enzo tem sido um refúgio para mim. Eles me acolhem, me mimam de uma forma que eu nunca imaginei ser possível. Eu me sinto cuidada, amada, como se eu realmente fosse importante para alguém.
Naquela tarde, eu não queria pensar mais nisso. Entrei no banho, a água quente tocando minha pele, tentando esquecer por um momento de todas as discussões, das palavras que meu pai sempre me lança. Quando saí, me vesti com uma roupa que normalmente me faria sentir poderosa — uma blusa de seda, uma saia mais formal. Eu estava me preparando para um passeio. Nada muito longo, só o suficiente para me afastar um pouco do peso da casa, da tensão. E talvez, só talvez, me sentir um pouco mais
Eu desci para tomar o café da manhã, tentando começar o dia de forma tranquila. A casa ainda estava calma, até que, ao virar a esquina da cozinha, vi meu pai sentado à mesa, com aquela mulher, a Paloma, ao seu lado. Ela estava lá, sorrindo como se tivesse o direito de estar ali, como se fosse parte da nossa família. E aquilo me incomodava profundamente.
Sentei-me, tentando não demonstrar a irritação que estava se acumulando. Paloma, claro, com seu sorriso forçado, estava comendo como se nada estivesse acontecendo. Ela se sentia à vontade, como se aquela fosse a casa dela, como se fosse ela quem fosse a dona de tudo.
Meu pai, sem nem dar bom dia, olhou para mim e, sem rodeios, começou a perguntar:
— Vai sair com aquele Enzo de novo? Tá sempre com ele, né? Não pensa em dar uma pausa?
Eu respirei fundo, tentando manter a calma, mas o incômodo estava tão forte que eu não pude evitar a resposta:
— Não tenho nada a ver com isso, pai. Ele não fez nada de errado. Eu estou bem, estou feliz. Por que não pode simplesmente ficar feliz por mim?
Meu pai, com a expressão endurecida, respondeu com um tom ríspido, que fez meu estômago se apertar:
— Feliz? Você acha que está feliz com um homem mais velho te manipulando, te controlando? Está se iludindo, Júlia. Ele não se importa com você. E você? Não sabe nem o que quer da vida.
Ele levantou-se, fazendo o ambiente ficar ainda mais pesado. Paloma, de olho em tudo, parecia satisfeita com a briga, como se estivesse esperando um momento como aquele para sair vitoriosa.
Eu tentei me manter firme, mesmo com a dor que começava a crescer no peito. Não queria mais ouvir aquilo. Não queria mais ver o olhar de desprezo do meu pai sobre o Enzo. Não era justo, não era o que eu merecia.
— Você está errado, pai — eu disse, a voz trêmula, mas firme. — O Enzo é bom para mim, ele me faz bem. E eu quero que você respeite isso.
As palavras do meu pai cortaram o ar, mais duras do que qualquer coisa que ele já tivesse dito:
— Você é uma tola, Júlia. Não sabe o que está fazendo. Está se deixando levar por um homem que não te ama de verdade, que só está com você porque acha que pode te manipular. Vai se arrepender disso, vai ver.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Aluna E O Professor
Fiksi RemajaJúlia Almeida tem 16 anos, mora com os pais têm apenas uma amiga chamada Gabriela Júlia sempre foi feliz sua vida era sempre boa mas tudo começou a mudar quando ela conhece seu professor sedutor lindo perfeito Júlia não imaginava se apaixonar ainda...
