O dia amanheceu, mas eu ainda sentia o peso da noite anterior. Chorei tanto que meus olhos estavam inchados, e minha cabeça parecia latejar. Eu mal consegui comer, e agora o apetite ainda era uma lembrança distante. Quando Felipe me chamou para sair, eu disse que não estava com cabeça. Ele insistiu um pouco, mas acabou entendendo.
Levantei devagar, tentando organizar meus pensamentos. Fui direto para o banheiro, deixando a água quente cair sobre mim. Foi quase como um abraço, um conforto que eu precisava. Deixei a água escorrer pelos meus ombros, lavando não só o corpo, mas também, de alguma forma, minha alma cansada. Fiquei lá por quase 15 minutos, até sentir que era hora de sair.
Enrolei a toalha no corpo e fui até o meu closet. Abri a porta e fiquei encarando as roupas, tentando decidir o que vestir. Escolhi algo simples, mas que me fazia sentir bem. Coloquei uma calça jeans skinny preta, uma blusa branca de manga longa com detalhes de renda nos ombros e finalizei com uma jaqueta de couro caramelo. Nos pés, optei por um par de botas de cano curto, também caramelo, com salto baixo.
Passei um pouco de maquiagem para esconder o inchaço dos olhos: uma base leve, corretivo nas olheiras, rímel para destacar os cílios e um batom nude. Prendi o cabelo em um coque bagunçado, deixando algumas mechas soltas para dar um toque mais casual.
Olhei no espelho e, por mais que estivesse me sentindo um pouco quebrada por dentro, o reflexo mostrava alguém decidida a seguir em frente, mesmo que fosse difícil. Peguei minha bolsa transversal preta e desci.
Vestida e tentando manter alguma força, saí do meu quarto. Meu estômago roncava de leve, mas o vazio que eu sentia era muito maior do que qualquer fome. Mesmo assim, eu sabia que precisava comer, nem que fosse só um pouco.
Desci as escadas lentamente, cada passo parecia mais pesado que o outro. Quando cheguei à sala de jantar, sentei-me à mesa e encarei a xícara de café com leite que a empregada havia deixado ali. Peguei o pão que estava na cestinha, mas, ao dar a primeira mordida, parecia que ele não descia. A garganta estava apertada, como se as palavras do Enzo ainda estivessem lá, sufocando tudo dentro de mim.
Foi inevitável. As lágrimas começaram a cair antes que eu pudesse me controlar. Elas rolavam pelo meu rosto sem permissão, como se carregassem toda a dor que eu estava tentando guardar. As palavras dele ecoavam na minha mente, como uma ferida que ainda estava aberta: "Você se comportou como uma qualquer."
Meu peito apertava mais e mais a cada lembrança. Eu me perguntava como alguém que dizia me amar podia ter me dito algo tão cruel. Será que ele não sabia o quanto aquilo me magoava? Será que ele realmente achava aquilo de mim?
Larguei o pão na mesa e respirei fundo, tentando engolir o choro. Mas era difícil. Tudo estava confuso. O amor que eu sentia por ele parecia ter sido ferido de uma forma que eu não sabia se era possível curar.
Passei as mãos no rosto, tentando limpar as lágrimas. Eu precisava ser forte, precisava seguir em frente, mas naquele momento... naquele momento, a dor era maior.
Levantei-me e voltei para a sala, tentando me distrair. Peguei meu celular e fiquei encarando a tela. Tinha mensagens do Felipe e até mesmo do Enzo, mas eu não abri nenhuma. Eu não estava pronta. Não ainda.
As palavras dele não saíam da minha cabeça. Parecia que estavam gravadas no meu coração, como um eco doloroso que não se calava. "Você se comportou como uma qualquer." Como ele pôde dizer isso para mim? Logo ele, que deveria me conhecer melhor que qualquer um, que deveria confiar em mim.
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A Aluna E O Professor
Novela JuvenilJúlia Almeida tem 16 anos, mora com os pais têm apenas uma amiga chamada Gabriela Júlia sempre foi feliz sua vida era sempre boa mas tudo começou a mudar quando ela conhece seu professor sedutor lindo perfeito Júlia não imaginava se apaixonar ainda...
