Cap 17

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POV SN

 O passar do tempo parecia tão rápido que em um piscar de olhos Soluço havia se tornado o melhor nas aulas e todos notaram isso, inclusive Astrid.

 Não sei exatamente a quanto tempo mas ela começou a nos seguir, por esse motivo tivemos que colocar os dragões em lugares diferentes. Era perigoso para o Banguela se Astrid visse _____ voando em direção ao esconderijo, ela descobriria tudo. Banguela continuava nos mesmo lugar e minha dragão estava numa enseada próxima. Um lugar remoto que descobri graças aos voos.

Eu detesto esconder coisas dela, mas não tem jeito. 

 Aos finais dos dias o moreno e eu nos encontrávamos  e compartilhávamos nossas descobertas. Melhorávamos as selas e registrávamos tudo sobre nossos dragões em cadernos cada detalhe é importante, me sinto de certa forma mais conectada com eles. E então no momento em que fico longe de _____ me pego querendo voltar e passar mais tempo nos céus.

 Continuo indo bem nas aulas, ajudando Soluço a dominar os dragões sem o uso da violência. As vezes consigo sentir meus antepassados me amaldiçoando, contudo é uma culpa que há tempos não me atinge mais.

 Por toda minha vida pensei que o problema eram os dragões e que se eu os eliminasse tudo seria melhor, meus pais ficariam orgulhosos, viveria tranquilamente e todos poderiam dormir sem medo de serem devorados no dia seguinte.

 Mas não era bem assim. Era? 

 Algo dentro de mim dizia que os vikings não eram tão inocentes quanto diziam ser. Eu li todos os livros que possuíamos na aldeia e sem querer reparei que as situações descritas sempre destacavam o ataque dos dragões e davam pouca relevância ao motivo da agressividade com as pessoas.

 Matar, matar e matar tudo se baseava em eliminar a vida dessas criaturas. Para eles isso era ser um viking. Senti nojo de mim mesma por um bom tempo afinal eu também havia tido o mesmo pensamento idiota. 

 Como posso ter sido tão mente fechada? Em certos momentos pensamentos como não merecer o amor de _____ cruzavam minha mente.

 Durante esses dias Soluço me ajudou a lidar com a culpa me consolando e dizendo que eu havia me redimido agora, que nós havíamos atravessado essa barreira juntos.

 Quando tudo ficava quieto e ninguém me observava uma grande vontade de fugir me preenchia. Fugir com Soluço, Banguela e _____ me parecia incrível. Todas as aventuras que teríamos, sem precisar agir as escondidas, mas então a realidade me atingia com força. Nada é como queremos isso é a verdade.

- Sn! - Fui tirada do meu devaneio por uma loira rabugenta.

- O- o que?! Desculpe eu não prestei atenção. - Caminhávamos juntas até a arena como de costume.

- Huh... sério? Por que você anda tão desligada esses dias?

- S-Sabe está chegando a hora de sermos escolhidos para matar o Pesadelo Monstruoso. Acho que estou um pouco nervosa. 

- Há! Seus únicos oponentes são eu e Soluço nada tão difícil para A Grande Sn. Por falar no Saco de Ossos você sabe como ele ficou tão bom? Sinceramente ele sempre foi esquisito, mas ultimamente está se superando.

- Não estamos passando mais tempo juntos Astrid, então eu não sei te dizer. - Respondi me alongando. Na verdade ela estava se mordendo de inveja do Soluço, só que eu não me atreveria a sequer sussurrar isso para ela.

 A loira não respondeu nada deve estar bolando alguma coisa. Entrei na arena distraída, porém rapidamente uma pontada me atingiu. Os outros estavam ao redor de Soluço como urubus afinal ele era popular agora e tinha uma grande tendência a ser escolhido. O pobre moreno não parecia gostar daquela atenção.

 Estávamos todos reunidos esperando a aula começar. Ultimamente temos tido uma grande plateia e sinceramente eu me sinto como uma palhaça no meio de todos os olhares.

 Passamos a manhã tranquila com um simples treino o motivo de ser algo tão passageiro é que Stoico chegaria em breve. Me pergunto como reagirá ao avanço de Soluço. 

Mandei um sinal para o moreno indicando que queria falar com ele. Foi a única forma de nos comunicarmos sem sermos interrompidos. Agora só resta esperar.



POV STOICO

 Avistei o cais após um bom tempo no mar. Nossas tropas foram completamente destruídas poucos sobreviveram. Apenas restou nosso barco que por um milagre aguentou a viagem de volta.

Começamos a desembarcar e logo Bocão veio me recepcionar como sempre.

- Eai, pelo o menos vocês encontraram o ninho? - Questionou-me.

- Nem chegamos perto. - Comentei seco. 

- Hã que ótimo.  - Comentou desanimado.

- Espero que você tenha tido mais sorte do que eu. - Não ficaria surpreso se Soluço tivesse sido um desastre.

- Se você se refere ao fim de sua aflição de pai a resposta é sim. - Falou com confiança retirando o cesto que eu tinha em mãos.

Não tive tempo de perguntar o que ele quis dizer com isso pois logo em seguida alguns vikings vieram falar comigo.

- Parabéns Stoico! Que alivio para toda aldeia!

- Fora o velho viva ao novo, não é?

- Ninguém vai sentir falta daquele imprestável.

- Terá festa na aldeia para comemorar!

Todos esses comentário me deixaram confuso e por um momento pensei no pior.

- Ele foi embora?! - Questionei receoso.

- Eh, ele vai embora toda tarde. Mas quem pode culpar? Vida de celebridade não é mole não. Ele mal pode andar pela aldeia sem ser assediado pelos fãs!

- O Soluço?! - Perguntei incrédulo não podíamos estar falando do meu filho, podíamos?

- Pois é, quem diria? Tem tanto jeito com as feras.

Meu rosto se iluminou completamente, acho que tomei a decisão certa deixando ele treinar com os outros.

- Só tem um problema.

- Do que está falando?

- Aquela vareta ambulante quer roubar minha filha!

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E não é que eu fiz mais um capitulo...

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