Reflexão

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Eu via estrelas nos olhos dele, 
um céu inteiro em cada olhar. 
Achei que éramos destino, 
mas era só meu coração a delirar. 

Não… não. 
Não era amor em dois sentidos, 
era só minha mente brincando 
de futuro com ruídos. 

Mas juro, eu sentia. 
Ele era meu silêncio preferido, 
meu verso inacabado, 
minha febre sem abrigo. 

Sonhava com ele
com o toque, o riso, o caos, 
e mesmo agora… 
meu peito ainda não o deixa pra trás. 

Ele sorria e eu perdia o chão, 
como se cada curva do rosto dele 
fosse um caminho que levava 
direto ao meu coração. 

Por que dói tanto lembrar 
de algo que nunca foi meu? 
Por que o amor, quando não é correspondido, 
grita mais alto que o que aconteceu?

Eu queria nunca ter amado, 
mas era ele, e só ele. 
Minha doença… 
e eu? Eu nem queria cura. 

Como se esquece o que queimou tão fundo? 
Como finge que as mãos dele não deixaram marcas? 
Como seguir, se cada gesto meu 
ainda procura o que ele nunca prometeu? 

Às vezes me pego esperando mensagens 
que nunca vão chegar, 
recriando diálogos em silêncio, 
só pra sentir que ele ainda está lá. 

Mas ele nunca esteve, não de verdade. 
E eu sigo presa nessa metade 
de um amor que só eu vivi,
de um "nós" que só existia em mim.

_Daiki

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