Carinhos e Dores

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No silêncio do quarto, teu olhar fugia, 
como quem ama e teme ao mesmo tempo. 
Um laço invisível nos prendia
forte demais pra romper, 
frágil demais pra sustentar.

Teus abraços eram abrigo, 
mas também eram fronteira. 
Um beijo ausente dizia mais que palavras, 
e no espaço entre nossas bocas, 
morava o medo.

Vi tua fé te consumir em silêncio, 
te vi dividir tua alma entre o céu e meu peito, 
enquanto eu, do lado de cá, 
só queria te amar sem ferir tua paz.

A esperança caiu como chuva pesada, 
a razão se perdeu em nós dois. 
E quando te vi no chão, 
quis ser o chão pra te sustentar, 
mas só fui silêncio, 
e isso… também foi dor.

Teu olhar distante me fazia encolher, 
não por falta de amor, 
mas por excesso dele. 
É cruel amar sem poder tocar, 
é cruel desejar 
sem saber se se pode ficar.

Teus medos dançavam ao redor de nós, 
como fantasmas que só tu podia ver. 
E mesmo assim, 
te amei com mãos abertas, 
com olhos cheios de perdão 
e peito nu.

A fé foi teu escudo, 
o amor, meu risco. 
E se errar foi meu crime, 
foi por ter acreditado que o amor 
era mais forte que a doutrina.

Mas eu não te culpo. 
Nem a mim.
Somos dois corpos tentando existir 
num mundo que não sabe lidar com o meio-termo.

Se o mundo nos divide com seus muros frios, 
escrevo em ti o que não pude dizer: 
meu amor não era pecado, 
era promessa
a que fiz sem palavras, 
quando te olhei pela primeira vez.

E se um dia a gente se perder pra sempre, 
que tu saibas: 
eu dancei nesse amor até o fim, 
mesmo com os pés feridos, 
mesmo sem música, 
mesmo sozinho.

Porque amar é isso: 
às vezes, é ficar, 
às vezes, é soltar… 
mas sempre, sempre, é lembrar.

_Daiki

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