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Mais um dia que Aziraphale estava lutando contra seus demônios, dessa vez não havia nenhum trabalho, e sua tarde estava sendo simplesmente monótona. Estava com uma xícara de chá disposta para si na mesa do centro, enquanto assistia alguma coisa no notebook, para ser sincero nem ele mesmo sabia o que estava vendo, somente estava olhando para imagens se mexendo mas não fazia questão de entender o que estava contemplando, a realidade é que sua cabeça estava trabalhando tanto que nem se concentrar ele conseguia.
Sua mente parecia que não o obedecia, sempre colocava um novo medo, uma nova ansiedade, um novo problema inexistente em sua cabeça. Era cansativo ter uma mente que não parava um segundo se quer.
O fluxo de pensamentos parou automaticamente de trabalhar quando o barulho de duas batidas na porta soaram por todo o cômodo. E assim como sempre, o loiro tremeu e suou frio. Fechou seus olhos tentando dissipar os pensamentos ruins, o que era impossível.
Calmamente andou até a porta novamente, saindo do conforto de seu sofá e sentindo o vento frio que adentrava pela janela o atingir, agarrou um dos seus braços para se proteger do frio e do medo que sentia em falar ou até mesmo ver alguém tão próximo. A porta foi aberta, e não havia ninguém. Aziraphale ficou com raiva, realmente fizeram ele ir até a porta para nada? Mas a flor caída em seu tapete foi vista e assim como as vezes que a magnólia estava lá ele a pegou e fechou a porta, encontrando novamente o conforto conforme as batidas de seu coração iam acalmando.
Sentou-se no sofá, deixando a flor na superfície de madeira a sua frente e pegou o seu diário e uma caneta, para enfim colocar seus pensamentos no papel, aliás não gostava de falar sozinho.
"Querido diário,
Me pergunto se esta flor que aparece na minha porta não é uma piada de mal gosto com minha própria pessoa. A primeira vez realmente poderia ter sido somente uma coincidência, aliás ninguém bateu em minha porta, somente o carteiro. Mas agora são três dias da magnólia em minha porta e não me parece que alguém a colocou sem querer por aqui. Mas isso é uma brincadeira de mal gosto, não é? A humanidade atualmente não tem compaixão.
Segundo Maquiavel "O homem é mau por natureza, a menos que precise ser bom", Já segundo Rosseau "o homem nasce bom mas a sociedade o corrompe" e para John Locke o homem nasce uma tabula rasa e vai ganhando conhecimento durante a vida, consequentemente sendo rabiscado, ganhando personalidade. Bem, parece muito contraditório o que esses filósofos dizem, mas no final todos dizem que a maldade sempre vai adentrar no coração do homem. Querendo ou não a maldade faz parte de quem somos, a sociedade sempre é maldosa em algum aspecto.
John Milton disse que "Toda a maldade é fraqueza." mas se a maldade é parte de quem a humanidade é, no fim todos vão ser fracos. Se a maldade faz parte de quem a sociedade é, consequentemente a fraqueza também será e talvez isto explique do porque eu sou tão fraco.
"A maldade é a vingança do homem contra a sociedade pelas restrições que ela impõe." Se eu for analisar este pensamento de Freud, o homem é mal por causa da sociedade e se o homem compõe a sociedade, a sociedade é má por ela mesma e consequentemente é fraca. No final é um paradoxo, a maldade nunca vai acabar e dessa forma nunca iremos parar de sermos fracos.
Eu tenho medo de ser fraco, porque eu tenho medo da decepção, eu tenho medo dos outros me olharem e me verem como alguém frágil, eu realmente sou, mas eu não quero que os outros me vejam assim, porque como eu escrevi antes, os outros são maus. As vezes nem sempre a maldade é algo intencional mas está lá. "O homem faz o mal, porque não sabe o que é o bem." Sócrates está certo, as vezes as pessoas não conhecem a bondade, pois a sociedade, a família, os amigos só apresentaram a maldade para aquele ser, então não há como ele ser bom e eu entendo isso, porém não quero ser vítima da maldade dessa pessoa, a minha mente já é maldosa demais comigo mesmo.
Meu dia está sendo conturbado e a flor que foi deixada no meu tapete está me deixando mais perturbado, eu quero tanto encontrar respostas que eu nem mesmo me pergunto se eu realmente as quero encontrar. Eu sou uma completa confusão."
Parou por um momento, observando o que tinha escrito e pensando no que fazer. Pegou a xícara de chá e bebericou calmamente, esperando que a sensação do líquido quente escorrendo de sua garganta e chegando até seu estômago limpasse sua mente por um momento. O loiro pensava demais e precisava de pausas as vezes, mas a única pausa que havia era quando dormia e o sono não era algo que ele conseguiria por agora, então somente foi até a janela. Observou os estabelecimentos da rua serem fechados pelos trabalhadores e o céu começar a se pintar em um tom mais alaranjado.
Quando julgou necessário, Aziraphale voltou para dentro da sala, pegando novamente o tal diário.
"O dia parece que não passa nunca, eu acordei, comi, pensei, comi, pensei, escrevi, peguei a flor e pensei. Os pensamentos me sufocam de uma forma tão bruta e eu realmente odeio este meu lado de pensar sobre tudo, qualquer coisa mínima que acontece eu vou pensar sobre aquilo por três dias, é cansativo e os pensamentos não são coisas bobas, nem perto disso. São pensamentos maldosos. Eu sei que eu estou escrevendo muito sobre maldade por hoje, mas isso não saí da minha cabeça e eu nem mesmo sei o porque. Qualquer coisa mínima é um gatilho para uma elucubração complexa e eu já estou exausto.
Eu sou um desconhecido para mim mesmo, eu não conheço muitas coisas sobre mim e isso me faz questionar coisas que eu já deveria saber. Eu sempre fui um desconhecido para mim. Eu queria me conhecer, mas por Deus, como eu vou me conhecer se eu nunca tive a oportunidade de ter uma conversa comigo? A única coisa que eu tive oportunidade de ouvir são os monólogos dos meus pensamentos que insistem em aparecer. Um pensamento aparece, e logo depois um outro e chega um momento em que eles se contradizem tanto que eu nem mesmo sei qual eu deveria ouvir.
Eu sou um completo fracasso, uma completa confusão de devaneios e sentimentos que se juntam e se fazem físicos em lágrimas que caem sobre meu travesseiro antes de eu dormir. O único momento que eu tenho paz é quando eu durmo, meus pensamentos não me enchem o saco e eu não sou uma conjuntura de medos e indecisões. Sinto que todos os dias acontece uma balbúrdia em minha mente e eu não posso fazer nada, pois querendo ou não isso é o que faz eu ser eu.
Eu é uma palavra que nem mesmo faz sentido para mim, quem sou eu? Talvez um mar agitado que nunca encontrará a calmaria, talvez um céu que não se decide se quer fazer sol ou chover, talvez uma terra que não sabe quais sementes abrigar, talvez uma estrela que não quer morrer para finalmente brilhar, talvez um prisioneiro que nunca ira se libertar ou talvez eu só seja um lunático que vai permanecer estático.
Nada mais faz sentido, eu só queria entender o que eu nasci para fazer, qual é o meu talento verdadeiro e o porque eu ainda estou vivo. De verdade, eu não tenho motivos para estar respirando, existe tantos gênios por ai e eu sou somente... eu. E esse "eu" é uma junção de todos os adjetivos ruins, colocando isso no papel parece horrível mas essa é a verdade.
Talvez meu pensamento mude algum dia, quem sabe? Bem, até lá eu continuarei tentando a encontrar o meu verdadeiro eu.
Obrigado por mais um dia, espero que os próximos sejam melhores."
Aziraphale fechou o caderno em um suspiro, e se deixou olhar para a flor por alguns segundos antes de a pegar e a descartar no lixo de sua cozinha esperando que as questões que a mesma trouxe desaparecessem de sua mente.
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Hey anjos, mais um capítulo para vocês. Bem eu não tenho nem o que falar, mas eu espero que vocês tenham gostado do capítulo de hoje! 💕
Ps: O feedback de vocês é importante, comentem, votem e façam críticas também! Isso é importante para o meu crescimento como autor para fazer fanfics cada vez melhores para vocês (:
Com amor, Júpiter ✨
© Júpiter, 2023.
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𝐅𝐥𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐒𝐢𝐥ê𝐧𝐜𝐢𝐨 || 𝐀𝐳𝐢𝐫𝐚𝐜𝐫𝐨𝐰
RandomAziraphale é um amante da filosofia e da literatura que detesta barulhos e prefere evitar qualquer tipo de contato humano, optando por se isolar do mundo ao seu redor. Até que um dia uma flor aparece em sua porta. © Júpiter, 2023.
