Capítulo vinte e três

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Assim que entrei no carro ele bateu a porta. Tom entrou do lado do motorista e pisou fundo. Uma música saiu pelos altos falantes, era meio agitada, mas a letra era muito bonito, me surpreendi por ele estar escutando aquela música. Tom estava furioso e eu não sabia o que fazer, suas mãos estavam tensas sobre o volante, marcando as veias pulsadas

Apos mais duas música ele foi relaxando

- Tem certeza que está bem?- ele perguntou com tensão na voz
- Sim. Estou bem, só um pouco envergonhada, mas bem
- Como ela ousa falar daquele jeito com você? Ela é uma vadia mesmo! Porque eu perdi tanto tempo com ela - Tom disse abaixando um pouquinho o som
- Você tirou as palavras da minha boca

Encostei minha cabeça na janela, vendo apenas os borrões da cidade enquanto as palavras de Lexi rodopiavam minha mente, palavras cruéis e frias, sem saber pelo o que eu já passei e não ligando nem um pouco para minhas cicatrizes

Paramos em frente a um centro comercial. Levantei minha cabeça para Tom que me observava

- sn, sinto muito pelos seus pais, não consigo nem imaginar o que você deve ter sentido- havia dor em suas palavras e em seus olhos castanhos

Estiquei minha mão e coloquei no joelho dele

- você não tem nada do que se desculpar
- Não é verdade. Ela está te atacando porque está vendo meu interesse. Viu desde nosso primeiro beijo. Você é a inimiga agora, Shakespeare , e não posso me desculpar o suficiente por isso. Eu te coloquei nessa situação, e ela vai tentar transformar sua vida em um inferno

Não consegui conter o sorriso quando ouvi sua voz suave e cheia de preocupação. Sua mão pegou a minha e me puxou para um longo abraço. Após minutos de consolo, levantei a cabeça

- Tom, com quem você estava falando hoje de manhã?- seu maxilar se tencionou
- Você viu? - ele disse rouco
- Vi
- Não quero falar sobre isso
- Certo- suspirei decepcionada- então só me responda uma coisa! Era seu pai ou sua mãe?

O braço dele ficou tenso em minha volta. Foram vários segundos antes de sua resposta

- sim

Resolvi guardas minhas perguntas para outra hora. Ele já havia se esforçado muito para responder uma simples pergunta

Sentei direito no banco, confusa com o local que estávamos

- por que estamos aqui? - Tom saiu do carro e abriu a minha porta
- Porque vamos comprar óculos novos para você. Vem, vamos!- ele disse pegando minha mão e me levando para o sol ardido

Parei puxando seu braço

- Tom, eu não posso pagar
- Eu vou comprar, agora venha- ele tentou me puxar novamente, não me mexi
- Tom, não aceito caridade. Vou comprar meus malditos óculos quando conseguir juntar dinheiro suficiente. Você não vai comprar para mim. Não vou deixar. Não tenho vergonha de ser pobre, mas tenho vergonha de aceitar esmolas!

Tom me puxou para perto dele, me envolvendo com seus braços fortes

- não discuta comigo Shakespeare! Eu quebrei indiretamente seu óculos. Lexi fico com ciúmes por eu mostrar para todo mundo que gosto de você, foi eu que a irritei, deixei seu ego ficar muito inflado, achando que era a rainha de Los Angeles. Vou comprar seus óculos novos e você vai deixar... você não tem escolha. Não se trata de constrangimento, e sim de proteger o que é meu. — Sua voz dura não deixava margem para discussão

Normalmente, eu ficaria irritadíssima se alguém ficasse me dando ordens desse jeito, mas aquele comportamento de alfa controlador que não leva desaforo para casa me cobriu de um desejo sem censura.

Mãos ásperas subiram por minhas costas e agarraram meu cabelo, e Tom ergueu minha cabeça para que eu olhasse em seus olhos determinados.
- Entendeu?
- Cedi e soltei um suspiro derrotado.
-  Entendi.

Com um beijo quente em minha cabeça Tom me puxou para dentro da loja

Com um beijo quente em minha cabeça Tom me puxou para dentro da loja

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- incline um pouco sua cabeça para trás... isso... assim mesmo... e entrou? - a oftalmologista perguntou, enquanto eu piscava diversas para expulsar o excesso do líquido em meus olhos

Então, o mundo inteiro pareceu se corrigir

- sim, acho que é isso. Como estão?

Fui até o espelho e pela primeira vez em anos vi meus olhos sem os óculos

- você está muito bonita, querida- ela disse com gentileza
- meus olhos- digo sem fôlego

Nunca havia admirado eles daquela forma, eu registrei cada detalhe dele, por volta levemente verde entrando em um contraste com o castanho, igual o da minha mãe

Quando chegamos, Tom deu seu cartão e falou para a médica só me dar o bom e melhor para meus olhos

- agora você tem lentes e um lindo par de óculos Chanel para quando não estiver afim de colocar essas coisinhas em seus olhos. Tudo pago sra. Shakespeare - a médica me entregou uma sacola com os óculos

Peguei a sacola que a médica me ofereceu e passei a mão no rosto. Sorri e saí do saguão. Tom estava recostado em uma poltrona assistindo a qualquer coisa na televisão. Quando notou um movimento ao seu lado, olhou e voltou a ver TV, mas logo virou novamente a cabeça para olhar de novo. Sua cara de choque disse tudo.
Ele se levantou lentamente da poltrona, engolindo em seco. Fiquei mexendo nas alças da sacola branca e baixei a cabeça. Seus sapatos pararam diante de mim, e ele levantou meu queixo com o dedo. Ergui os olhos e os lábios dele se afastaram em surpresa, e ele sorriu.
— Você está linda, sn

Meu rosto queimou, abaixei meu olhar. Mas ele levantou de novo minha cabeça

- não. Não se esconda de mim. Você tem olhos lindos. Estou surpreso- ele disse pegando minha mão
- Obrigado
- Agora, vamos?
- Para onde agora ?- pergunto confusa enquanto saiamos da loja
- quero te mostrar um lugar

Notas:

Gente a música que estava tocando no carro do Tom NÃO é essa da mídia!!!
A música que ele estava escutando vai aparecer, mas vai demorar um pouquinho!!
Aliás, criem bastantes expectativa para o próximo capítulo 😁
Desculpa qualquer erro

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