IX | Encurralada no Quarto de Ouro

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"Quando eu te encontrei naquele quarto de hotel,eu percebi que você não era flor que se cheire,mas eu continuei brincando com você,e agora você está brincando comigo

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"Quando eu te encontrei naquele quarto de hotel,
eu percebi que você não era flor que se cheire,
mas eu continuei brincando com você,
e agora você está brincando comigo."
(Hotel)

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- Lia - Escutei mais uma vez a voz grave de William entoar em meus ouvidos, tirando-me dos meus desvaneios - Está distante esses dias. Aconteceu alguma coisa? - perguntou, preocupado com o meu semblante cabisbaixo.

- Não. Não aconteceu nada. - respondi breve e baixo, apertando a minha coxa por desconforto. 

- Você sabe que não me convenceu, não é? - Apoiou o queixo no punho fechado.

- É sério. Não aconteceu nada mesmo. - Balancei a cabeça, cruzando as pernas.

Dois dias atrás, decidi que iria visitar a minha mãe sem a permissão do meu pai, embora eu achasse superficial essa ordem que ele havia deixado para que eu simplesmente não a incomodasse, uma parte de mim achava aquilo ridículo e fui mesmo assim.

Não pude conter as lágrimas quando a vi debilitada e sem nenhum vestígio de melhora sobre aquela cama, como o meu pai havia mencionado ter aparecido e a reanimado.

Lembro-me perfeitamente de como um grito rasgou alvoroçado de minha garganta, consequentemente acordando todos os serventes e alertando os guardas noturnos.

Foi tudo um pesadelo sem fim. Minha mãe debatia-se contra a cama, como se o meu grito houvesse despertado alguma reação em si. Me peguei desprevenida, soluçando em prantos e puxando o meu cabelo em horror.

- A sua mãe.

- Hum? - pergunto-lhe, novamente confusa.

- É a sua mãe. - Pegou-me desprevenida, embora a sua resposta fosse a mais certeira do que se passava em minha mente. Nada mais.

- Olha, William... É realmente terrível ter que viver com esse fardo nas costas, entende? É tudo uma coisa em cima da outra. Fica impossível de lidar. - Diminuí o volume da minha voz aos poucos.

- Sua mãe vai conseguir sair dessa. Ela é uma mulher forte e saudável. Como alguns médicos disseram: é apenas uma gripe que se espalhou para todo o corpo. Demora um pouco para recuperar. - consolou-me, alisando as minhas costas com a sua enorme mão, fazendo-me arrepiar com o carinho depositado em mim.

- Você acha? - murmurei.

- Acho. - aproximou-se do meu ouvido, como se tudo aquilo fosse um enorme segredo, e quando se afastou, abriu um sorriso de ponta-a-ponta.

Adelina Onde histórias criam vida. Descubra agora