X | Portadora de Hematomas

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"Ela é um veneno saboroso, pessoas dizem: "Corra para bem longe dela!" "(Sweet but psycho)

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"Ela é um veneno saboroso,
pessoas dizem: "Corra para bem longe dela!" "
(Sweet but psycho)

Os meus olhos, aos poucos, se abriam. A visão embaçada e turvada levará tempo até que eu finalmente possa enxergar normalmente de novo. 

Pisco inúmeras vezes, me aconchegando nos braços de Morgana, que até este momento, dormia em um sono profundo. 

Ela dormia como um verdadeiro anjo, mas era o próprio demônio em forma humana.

A sua respiração quente batia levemente em minha testa suada, causando-me correntes de arrepios e eletricidade perseverantes percorrendo todo o meu corpo.

O sol já iluminava as frechas da janela, pintando o quarto com raios sutis de luz do sol. O coração batia feito louco, no mesmo tempo que eu repensava sobre a noite turbulenta que havíamos passado. Os lençóis amarrotados e bagunçados evidenciavam muito bem isso.

Estar envolvida por seus braços era como se fosse um sonho no qual eu jamais iria desejar despertar. Porém senti o meu corpo grudento e cheirando a transa, fazendo caretas quando as minhas pernas se chocavam vez ou outra sobre a cama.

Certamente não gostaria de estar levantando da cama agora, estar perto de Morgana era tudo o que eu mais precisava depois de tanto tempo sedenta por ela. Não que eu ainda não estivesse mais.

Uma pontada de dor fez com que eu gritasse internamente. Busquei pôr as mãos nas pernas, as aplicando força para que, pelo menos, pudesse minimizar a insuportável dor. 

Me levanto com dificuldade empregada em cada movimento meu. Minhas pernas bambeavam no percurso que se tornou longo rumo ao banheiro. Era como se fossem diversas flechas venenosas acertando precisamente as minhas pernas inúmeras vezes.

Suspirei, avistando o banheiro cada vez mais próximo. Graças aos céus, atingi e tive a mais pura sorte de ter chegado ao banheiro, agradecendo eternamente a todos os deuses existentes no mundo religioso por ter passado por isso sem ao menos ter gritado, mesmo que fosse o meu maior desejo no momento.

Dando poucos passos, paro na frente do espelho redondo do banheiro, podendo finalmente visualizar perfeitamente o que estava fazendo com que o meu corpo estivesse vulnerável e fraco.

Eu estou coberta de roxos espalhados por todo o meu corpo.

E não é somente um ou até mesmo dois roxos. Há roxos e hematomas exorbitantes em meu busto, em meu pescoço, em minha cintura e a minha intimidade está tão dolorida que mal posso andar ou me mover. 

Nós nem exageramos tanto assim.

Segurando-me nas paredes em tentativas, por um triz, falhas de não cair, caminhava com dificuldade até a banheira, estreitando o rosto e resmungando quando uma das pernas foi levantada para adentrá-la ainda que esteja vazia. 

Adelina Onde histórias criam vida. Descubra agora