ESSA OBRA É UM DARK ROMANCE
No século XVIII, o majestoso reino de Virgyl testemunha o nascimento de Ophellia, uma bela e encantadora princesa.
Porém, sua vida é ameaçada pela invejosa Morgana, uma bruxa disfarçada que busca aproveitar os poderes de...
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Pelando como se houvesse chamas espalhadas por toda a minha pele, o meu corpo se mantinha inquieto e contraído sobre os lençóis encharcados, jogados de qualquer maneira pela cama inteiramente bagunçada e fora de ordem.
Uma tremenda enxaqueca latejava em minha nuca e meus olhos estavam fechados há horas de tanto que minha cabeça tombava para trás em resistência.
Aquela maldita sensação persistente fazia com que o suor pingasse como uma roupa recém-lavada em um varal prestes a secar com os chacoalhos e as ações dos ventos. Mesmo com toda aquela tempestade do lado de fora, dentro do quarto era um mormaço infernal.
Me lembro completamente da merda que encarreguei-me de fazer, mesmo que para outros eu negasse até a morte de ter feito. Eu precisava fazer aquilo para manter a minha saúde mental impune, ainda que eu tivesse de sacrificar todo o meu orgulho.
Minhas pernas tremiam e bambeando esticadas no colchão duro. Os meus fios negros grudavam na minha testa e pescoço pelo suor em excesso. Me arrependo amargamente em ter despejado tudo que havia na prateleira naquela poção. E muito.
Não falava menos pelo suor que tirava a beleza dos meus cachos, mas sim pela pulsação incessante e dolorida que estara viva entre as minhas pernas.
Não queria simplesmente colocar a mão ali dentro e me masturbar normalmente como qualquer pessoa normal faria. É humilhação demais para mim. Eu não queria aliviar aquilo de forma alguma, ainda que eu precisasse tanto.
Meus dedos caminharam até a nuca, impondo força naquele local em tentativas de matar aquela dor de cabeça miserável. Ou eu iria me suicidar caso não passasse, apesar de ser uma horrenda imortal.
Minha atenção foi tomada quando passos pesados se aproximaram da porta e os observei cessar, toda aquela agonia transformou-se em leve inquietação, já que minha mente se ocupou em querer entender o porquê daquele cheiro insano havia retornado. A sombra logo se tornou comprida quando a porta foi enfim aberta, moldando uma silhueta masculina aproximando-se da cama com vislumbre de preocupação.
- Oliver me informou que não está saindo de casa há dias. - a voz grave de Rael invadiu os meus ouvidos como lanças acertando em meu estômago diversas vezes.
Aquela voz. Aquela mesma voz de antes. Aquela mesma gravidade em sua voz era o que me fazia sorrir todos os dias ao escutá-la.
- Não fala alto, pelo amor de todos os deuses. - afogo o meu rosto em um travesseiro, o apertando contra meu rosto.
- Previ que ficaria assim. Eu a avisei, não? - ele debocha, orgulhoso.
- Se veio aqui me dar sermões, que vá embora pela mesma porta que entrou. - Minha voz saiu abafada e exausta.
Por que todos que vêm aqui insistem em vir me dar sermões e falar para esquecer Ophellia? O problema é entre eu e ela, ninguém mais. Todos me são insignificantes ao lado dela.