XXIII | Coelhos

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"Você poderia tocar o céu, mas você não se compara a mim,porque estou no topo do mundo

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"Você poderia tocar o céu, 
mas você não se compara a mim,
porque estou no topo do mundo."
(mount everest - Labrinth)

Silêncio. Silêncio. E silêncio. É tudo o que eu recebo da minha namorada nesses últimos meses. Já perdi as contas de todas as vezes que a contei algo e ela ignorou, ou apenas disfarçou com um sorriso ─ que por Deus, me dava um nervoso desenfreado ─, ou quando eu tentei beijá-la, que ela apenas virou o rosto e negou qualquer tipo de carinho vindo de mim. Ophellia se afastou completamente de mim, era como se ela não existisse nesse reino. Estava sentindo falta de uma pessoa que nunca foi embora.

Eu estava roendo as unhas, estava inquieta, pensando em uma possibilidade de arrancar aquele silêncio de Ophellia.

— Ela precisa de tempo. — Becca reforçou, sentada com a postura ereta em minha direção.

Eu caminhava de um lado para o outro, movendo-me de forma agitada e sem rumo aparente. Meus passos eram rápidos, marcando um ritmo nervoso que ecoava pela sala vazia. Meus pensamentos estavam tumultuados, completamente estressada e preocupada.

— Mais tempo? Quanto tempo ela quer? Uma eternidade? Eu darei a eternidade para ela, mas eu perdi a minha namorada, Becca. — insisti.

— Ela nunca foi embora, Morgana. — tentou consolar.

Eu parei de caminhar, arregalando os olhos como se fosse a coisa mais óbvia dita por Becca. Já estava ficando com dor de cabeça.

— Esse é o problema! Estou deitando com uma mulher que não se mexe para nada, que não responde quando eu a chamo, que não me beija, que não me abraça. Eu estou ficando deveras preocupada, eu quero a minha mulher de volta! — falei de vez.

Já podia sentir minha cabeça latejando. Que dor!

— Morgana, Ophellia entrou em uma depressão em um grau elevado. Você, como namorada dela, deveria entendê-la. — Mais uma vez, Becca reforçou.

— Eu a entendo, mas eu preciso de respostas.

O peso daqueles olhos âmbar caiu sobre mim pela primeira vez em nossa conversa. Talvez ela estivesse me julgando.

— Já se ouviu, Morgana? Está ouvindo o tanto de "mas" que está colocando em todas as suas frases? — Ela julgou, desapontada.

Eu finalmente cessei os meus passos e respirei fundo. Minha respiração estava acelerada e o meu coração doía, quase me sufocando.

— Eu não sei mais o que fazer, Ophellia é a minha vida. — Apertei minhas têmporas com os dedos, me sentando na cadeira de frente para Becca.

— E você é a dela, Morgana. Às vezes, o amor exige paciência e sacrifício.

Adelina Onde histórias criam vida. Descubra agora