Após algumas horas de vôo Maera e Rhaenys haviam chegado em Dragon Stone.
Ao descerem de seus respectivos dragões, tia e sobrinha caminharam lado a lado para adentrarem o castelo. Elas foram calorosamente recepcionadas por Vaegon, que já estava no pátio exterior as aguardando. Nenhuma palavra foi trocada entre ele e Maera em primeiro momento, o homem apenas acolhia a garota nos braços em um forte abraço enquanto depositava um beijo carinhoso em sua testa, já a sobrinha Rhaenys ele confortava com um leve aperto no ombro. Olhares foram trocados entre os três e assim eles entraram juntos no castelo, indo diretamente até a mesa de Aegon que já estava acesa e quente, o fogo marcava o mapa dos Sete Reinos que era esculpido no móvel.
— A escolha é sua. - Vaegon disse olhando para o rosto abalado da irmã. Ele estava do lado esquerdo da mesa enquanto Rhaenys e Maera estavam nas pontas. A morena parecia concordar com a frase do tio, tendo em vista que ela escolhia o silêncio e também direcionavao olhar até a princesa.
— A Fé fez isso. - A platinada disse enquanto pegava um pequeno dragão esculpido e o colocava em cima de onde o Septo Estrelado se localizava, em Vilavelha. — Mas, ela não fez sozinha. - Maera acrescentou pegando outro dragão, dessa vez ela colocava a peça esculpida em cima da capital de Dorne, Lançassolar.
— E o que sugere? - Rhaenys a questionava com curiosidade franzindo levemente as sobrancelhas.
— Sugiro que façamos o que Maegor e Visenya queriam fazer e foram impedidos. Estou sugerindo transformar o Septo Estrelado em pó assim como a capital de Dorne. - Ela respondia com um tom firme, se agarrando com força a borda quente da mesa. — Perdemos completamente a autoridade tentando nos manter bonzinhos, o reinado que Aegon lutou para conquistar não pode simplesmente acabar por causa de fanáticos e inconformados.
— Perderíamos completamente o apoio dos Hightower em guerras futuras. - Vaegon disse de maneira óbvia, apontando os riscos do plano da irmã.
— Temos um debaixo do nosso teto. - Maera disse de maneira rápida e objetiva. Ela estava se referindo a Otto Hightower, não era segredo para ninguém que o rapaz passava mais tempo hospedado no castelo de King's Landing do que com a família em Vilavelha.
— Notícias correm rápido, ele pode muito bem pegar um cavalo e fugir quando os primeiros boatos da destruição do Septo Estrelado começarem a correr. - Rhaenys falava o próprio ponto de vista com certa preocupação enquanto observava o mapa de Vilavelha.
— Ele não vai. - A forma com que Maera demonstrava tanta certeza fazia a curiosidade de Vaegon e de Rhaenys se despertar.
— E como tem tanta certeza? - A pergunta veio dos lábios da jovem.
— Otto está rondando a corte faz anos como um urubu ronda um animal moribundo, ele está no aguardo de uma oportunidade para pedir minha mão a Jaehaerys. Otto é um jovem ambicioso e não vai ser um Septo queimado que o fará mudar de ideia sobre os planos de se infiltrar e colocar seu sangue na realeza. Portanto, não, ele não vai fugir. Continuaremos tendo um Hightower como refém para garantirmos a continuidade da lealdade deles.
Ouvir isso certamente não foi prazeroso para Vaegon, o homem estalou os lábios fazendo um curto som de insatisfação. O ciúmes ardia levemente em seu peito pois ele sabia que Maera estava certa, Otto sempre participava dos conselhos e tentava se aproximar de Jaehaerys em busca de brechas para falar sobre Maera.
— Então queimaremos o Septo. - O homem disse de maneira firme. — Mas, e Lançassolar? Há inocentes morando aos arredores.
— Não existe inocência quando se trata do inimigo. Foi este povo que começou isso. — Dessa vez foi Rhaenys quem disse as palavras amarguradas. — Eles financiaram um ataque que custou a vida do meu pai e do meu tio, por culpa deles meu pai não estará presente em meu casamento ou no nascimento de meu primogênito. Quero que essa cidade e este povo morra gritando entre as chamas.
— Eles irão. - Maera rapidamente confirmava o ataque e caminhava até a sobrinha, colocando uma mão de maneira carinhosa em seu ombro.
Neste momento os três trocaram mais um olhar entre si e balançavam a cabeça positivamente, indicando que estavam de acordo com o plano.
— Precisamos ir agora antes de Alysanne e Jaehaerys dêem um jeito de proteger o inimigo como sempre fazem. Não deixaremos eles acabarem com o nome Targaryen e não deixaremos eles apagarem o lema de nossa casa. Tomaremos o que nos pertence: Respeito. E tomaremos com Fogo e Sangue. - A princesa disse em um tom firme dando um pequeno abraço na sobrinha e logo em seguida um abraço no irmão.
Após o término do breve diálogo sobre os planos, cada um seguia o caminho para seu respectivo dragão.
Vaegon estava vestido com uma armadura enegrecida que provavelmente havia pertencido a Maegor, já Maera trajava a armadura que foi utilizada por Visenya na conquista do Vale e Rhaenys utilizava a armadura que Visenya havia utilizado no desembarque de Aegon. Todas essas armaduras estavam guardadas no castelo de Dragon Stone e agora seriam novamente utilizadas para reconquistarem o respeito que a casa do Dragão havia perdido.
Aquele ataque ousado e pouco planejado ficaria conhecido mais tarde como "O Despertar da Santa Trindade." Depois daquela noite, toda pessoa em sã consciência havia aprendido a temer os nomes Rhaenys, Maera e Vaegon.
Um dos Septões estava fazendo a leitura da Estrela de Sete Pontas sentado na escadaria do Septo pois algo dentro de si parecia pressentir o pior e isso havia tirado todo o sono do velho homem. Após uma longa leitura seus olhos finalmente ameaçavam a querer fechar, mas, naquele exato momento sua visão periférica captava um vulto vermelho nos céus.
O homem esfregou os olhos e se levantou apertando o olhar, como se quisesse ter certeza do que estava vendo, foi então que as chamas negras de Balerion consumiram o corpo de idade avançada do homem, não lhe dando nem chances de reagir ou gritar antes de se tornar nada além de pó.
Vaegon, Rhaenys e Maera haviam chegado em Vilavelha durante a hora do lobo, eles haviam feito o mínimo de barulho possível, pegando todos de surpresa.
— Dracarys. - Os três falaram de maneira sincronizada, fazendo as três bestas cuspirem fogo sobre o Septo Estrelado que em questão de segundos se sucumbia as cinzas. O caos durava pouco tempo tendo em vista que não havia sobrado muitas pessoas aos arredores para gritarem.
Maera dava o comando para Canibal descer entre as chamas e saía de cima do dragão. Ela caminhava entre as cinzas e fincava no chão recém queimado um estandarte com a bandeira da casa Targaryen, um lembrete claro para todos verem quando o dia amanhecesse.
A platinada retornava até o dragão e se juntava novamente aos céus com o irmão e a sobrinha.
Meleys era o menor e de cor mais vívida, o seu vermelho era destacado aos céus pois estava voando no meio das enormes sombras escuras de Balerion e Canibal.
O ataque a Dorne foi o mais cruel, pois, a luz do sol já havia consumido a escuridão, dando início a manhã. Os moradores da capital puderam ver a morte chegando para si de maneira clara.
Rhaenys via Lançassolar embaixo de si e ao notar o quão pequena e vulnerável ela parecia ela se cegava de ódio, pois ela sabia que as pessoas que haviam financiado a morte de seu pai estavam ali, moravam ali. E eles pagariam por isso.
— Dracarys. — Dessa vez, somente ela disse e por bons minutos apenas as chamas avermelhadas de Meleys varriam a capital.
Balerion e Canibal soltavam suas chamas enegrecidas logo após e quando o dano estava consideravelmente grande, os três pousaram no solo.
— Por Aemon e Baelon. - Eles disseram ao fincarem estandartes com a bandeira da casa Targaryen nos escombros de onde um dia fora a moradia da família Martell.
Eles estavam uma completa bagunça. Os cabelos emaranhados, a pele pálida de ambos estavam cobertas por fuligens, cinzas e sangue.
Eles estavam de volta a Dragon Stone ainda naquele mesmo dia no fim da tarde.
Foi um ataque impulsivo e extremamente cruel, milhares de vidas foram ceifadas de maneira impetuosa e em menos de um dia.
E essa, essa era a fúria da família Targaryen.
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O Sangue Do Meu Sangue
Fiksi PenggemarDesde criança Vaegon se demonstrou apático e amargurado, até mesmo com os pais e com os irmãos. Porém, isso parecia mudar a cada dia que se passava desde o nascimento da irmã Maera. Será que a pequena princesa seria capaz de levar alegria para o c...
