— Você já viu os girassóis no quintal? — eu perguntei, tentando quebrar o silêncio da casa.
Já era o dia seguinte da sua chegada na casa, e eu estive tentando deixá-la no seu espaço e confortável. Mas também queria me aproximar aos poucos, para que ela também se sinta bem comigo.
Eu ia tentar devagar.
— Não cheguei a ver o quintal — negou.
— Quer ver? — ofereci. — É um cantinho especial para você. Acho que vai gostar de ver.
— Me mostra — ela pediu.
Nós seguimos para o lado de trás da casa.
— Nossa, que lindo — a Sunhee exclamou animada assim que viu os girassóis.
Ela encarava os girassóis com o mesmo brilho nos olhos que antes.
— Cuidei deles no último mês, mas normalmente é você quem cuida.
— Vou tentar voltar a cuidar — afirmou.
Eu sorri.
— Eu lembro que achava girassóis lindos, mas não que gostava ao ponto de ter um canto cheio deles no quintal da minha casa.
— Você começou a gostar mais depois que começamos a namorar — contei. — Em um dos nossos encontros, nós achamos um lugar cheio deles. Depois disso eu te presenteei com um, e você começou a gostar assim.
— Queria tanto lembrar... — ela falou quase em um sussurro e voltou a encarar as flores.
— Logo você vai lembrar — tentei ser positivo.
Nós tínhamos que ser positivos.
— Tomara — suspirou. — É agoniante saber que eu tinha uma vida, mas não lembrar de nada dela.
Eu não respondi, só me afastei e sentei em um dos bancos que tinha no nosso quintal.
Eu continuei encarando as costas da mulher. Logo ela desviou o seu olhar para mim novamente.
No segundo seguinte ela se aproximou e sentou no banco, só que um pouco mais afastada de mim.
— Como você se sente com isso? — perguntou.
— Isso o que? — me virei para ela.
— Você é casado com alguém que não se lembra de nada que viveu com você — falou meio sem jeito. — Como você se sente com isso?
— Eu me sinto deslocado — fui sincero. — Você está aqui, bem na minha frente — gesticulo, apontando para ela. — Mas é como se não estivesse, entende?
— Eu tento agir naturalmente, mas na verdade eu não sei como é o meu natural com você — lamentou.
— Você não precisa tentar agir de alguma forma. Apenas aja como você mesma — eu sorri pequeno, tentando confortar ela.
Eu fitei bem os seus olhos.
Algum dia eu conseguiria ver as suas orbes brilhantes direcionadas à mim novamente?
— Eu sinto muita falta de pouco mais de um mês atrás. Sinto muito a sua falta — desviei o olhar. — Mas eu agradeço todos os dias por você estar bem. Esse era o meu maior desejo quando você sofreu o acidente.
— Eu nem sei o que dizer sobre isso... — ela se mexeu inquieta. — Tecnicamente a pessoa que você era apaixonado não existe mais, certo?
— Claro que existe — olhei para ela no mesmo instante. — E está bem aqui na minha frente. Eu sou apaixonado pelo o que você é — continuei. — Claro que tudo o que nós vivemos contribuiu com o aumento desse amor, mas eu sou apaixonado pelo jeito que você é e sempre foi. Nada muda.
— Faz poucos dias que eu acordei e conheci você pela segunda vez — ela fez uma careta ao estranhar a sua fala e eu ri. — Mas já posso notar que você é uma pessoa incrível — sorriu pequeno. — Me deixa conhecer você de novo?
— Como um recomeço? — levantei as sobrancelhas.
— Nós precisávamos de um recomeço?
— Não — Eu neguei.
— Isso não precisa ter um nome. Só me deixa conhecer você mais uma vez. Se eu me apaixonei, é por que você é alguém incrível. E eu quero poder saber novamente como você é.
— Eu deixo você me conhecer novamente — assenti e sorri. — Mas não fique se forçando a nada, ok? Não estou pedindo para você ter algum sentimento por mim, caso a sua memória demore mais para voltar.
— Talvez ela nunca volte — ela sorriu fraco. — Mas... Eu vou só conhecer você, ok? Como se estivéssemos nos conhecendo agora. Só que no caso, apenas eu estou.
— Tudo bem — eu afirmei, vendo ela sorrir.
Mas uma certa dorzinha surgia no meu peito.
Tinha muitas chances de eu nunca mais ter o amor dela de volta.
— Onde fica esse lugar? — voltou a puxar assunto depois de um instante. — Fica longe?
— Não muito. Por que?
— Queria ir lá um dia — encolheu os ombros levemente. — Quero saber de onde veio o meu amor por girassóis.
— Podemos ir no sábado, o que acha? — perguntei e ela sorriu, assentindo.
— Pode ser.
— Então combinado! — eu sorri feito um bobo.
Eu ia começar a planejar coisas como aquela. Ir à lugares especiais para nós.
Não sei se isso ajudaria no processo da recuperação da memória da Sunhee, mas pelo menos eu tentaria.
A garota realmente parece interessada em saber e conhecer mais do que viveu nos últimos anos, incluindo à mim... E eu a ajudaria a imaginar cada detalhe dos nossos momentos importantes, e até os mais bobos.
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Remember
RomanceApós um grave acidente de carro, SunHee desperta sem lembranças de sua vida - nem mesmo do homem que chama de marido. Enquanto luta para se recuperar dos ferimentos e reconstruir sua identidade, ele enfrenta um desafio ainda maior: conquistar novame...
