- Impossível!
Zoe tentava desesperadamente usar tudo o que tem para salvar uma garotinha desacordada, ensanguentada e machucada dos pés a cabeça.
Estava de joelhos, aplicando uma ressuscitação cardiopulmonar em um corpo tão miúdo e tão fino. Ao seu lado outra pessoa também precisava de socorro, mas estava mais estável que a garotinha de cabelos azuis.
Aos poucos, com apenas uma mão realizava o procedimento, não parecia ter nenhum resultado, mas o rapaz que estava debilitado removeu seu fone de ouvido extravagante e colocou na cabeça da pequenina. Aproximou seus lábios rachados, talvez pela anemia provavelmente proveniente de alguma hemorragia interna desconhecida.
Recitou as palavras:
"Rule By Name: Never Die"
Instantâneamente a pequena recobrou a sua respiração e seus batimentos voltaram a normalidade de alguém inconsciente.
"Ufaa" pensou Zoe, estava com seu costumeiro jaleco branco, seus cabelos curtos e loiros, presos a uma presilha de borboleta, balançavam conforme realizava movimentos bruscos "Agora preciso salvar ele"
"Zoe"
Uma voz fraca, como se fosse apenas um sussurro no fundo de muito barulho e falácias vibrantes, uma palavra, mais precisamente um nome, era repetido constantemente e gradualmente sua nitidez e sonoridade se tornavam mais e mais claros perante os sons externos de murmúrios e vozes joviais e vigorosas.
- ZOE!
- Huh! - Zoe se assustou com a chamada repetina, ela acabou pegando no sono por alguns minutos, preciosos minutos.
Fazem exatamente 4 horas desde o início do Blackout. Não tinham mais nenhuma informação consistente, além da incapacidade de contactar o mundo exterior, a academia estava sozinha e precisava resolver esse problema sozinha também. Porém quem conseguiria entender as ações de Matthew?
As pessoas mais próximas daquele rapaz estão mais confusas do que bêbado em festa de criança. Garotas e mais garotas não parava de chegar a enfermaria e Zoe já estava ficando sem forças. Não entendia o motivo de tantas garotas feridas, mas cada uma delas apresentava os mesmos ferimentos. Cortes nos pulso, hematomas nas coxas e ao redor de suas gargantas, uma marca arroxeada se mostrava presente, como quem acabou de sobreviver a um enforcamento.
Essas marcas não eram comuns, mas traziam um padrão e um nada bom, ligando os pontos em referência ao caso das fotos comprometedoras espalhadas por toda rede da academia, cada uma das fotos revelada o corpo de uma das garotas da academia. Nuas, semi nuas, ou fotos realmente comprometedoras que geralmente ninguém ousaria compartilhar sendo sã em consciência.
E talvez, em semelhança ao caso de Susie, alguém poderia por obséquio ter contactado elas, exigido coisas, ordenadas a realizar pedidos inconsequentes e inapropriados... Ninguém nesta prestigiada academia recebeu qualquer tipo de treinamento contra danos psicológicos. Qualquer um cederia, qualquer um sucumbiria, qualquer um quebraria diante da situação injusta que afligia a vida dessas doces garotas.
Zoe pensativa, acreditou que as garotas foram vítimas da doença mais incompreendida do século vinte e um, depressão. Ou uma espécie dela, pois ao retornarem a enfermaria não se lembravam como ou de que maneira exatamente se machucaram, mas era precisamente explicito o que cada uma atentou com o próprio corpo.
Como isso acontece? Por qual razão a dor emocional alcança patamares tão agravantes que por sua vez incita dor a vítima como por tentar apaziguar a dor emocional? O breu em que se encontra é tão profundo, que a automutilação por vezes ameniza a dor interior a tal ponto que é preciso executar atos tão corruptíveis a si mesmo para que acorde desse pesadelo?
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Phantom Phase
Ciencia FicciónVocê já se sentiu derrotado? Sentiu que seu corpo se tornou tão imundo e nojento em detrimento das consequências de seus próprios atos infames? Em meio a pertubação emocional que você sente, mesmo criminoso, mesmo exalando o cheiro do pecado, existe...
