Matthew tem que morrer

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"Por que você a matou?"

"Por que não a salvou?" 

"Como consegue ser tão inútil?" 

"Se você não estivesse aqui, talvez ela tenha sobrevivido" 

"Se você não existisse, ninguém morreria" 

A cabeça repleta de fios vermelhos como o céu ao entardecer, em um horizonte apaixonante, infelizmente não estava conseguindo assimilar todos os setecentos dados que estava recebendo. Eram informações demais e estavam completamente bagunçadas e desconectadas uma das outras. Mas ela ainda as estava recebendo. 

De repente, uma visão de um rapaz lhe sobreveio. Um garoto da sua idade, com seus cabelos bagunçados, alguns arranhões e outras coisas mais, segurava um fone na mão esquerda, em seu pulso esquerdo portava uma espécie de relógio, mas não era um, havia certa semelhança, mas ao invés de um mecanismo complexo e bem elaborado para medir o tempo, havia ponteiros, mas ponteiros que mais se pareciam com agulhas de uma bússola. E não havia um ou dois, haviam três ponteiros que divergiam nas direções em que apontavam. 

Todas as marcações presentes na rosa-dos-ventos estavam também na base onde as agulhas residiam; seu exterior era como a metade de uma esfera feita de algo como vidro, ao menos era feito de um material transparente que refletia certa iluminação como o vidro se mostra na maioria das vezes. 

Os três ponteiros tinham uma leve diferença em seu tamanho. Um inevitavelmente era maior que o outro, mas Susie não conseguiu entender bem para onde exatamente as agulhas apontavam. 

As imagens apenas se seguiram como imagens em uma apresentação de slides. O Garoto caminhou ante a cena do crime. Algo que ela lutou para esquecer, mas a todo o momento sua mente lhe pregava peças e as mais vis e infelizes peças. 

Blood Moon. Um evento infeliz onde três garotas foram atacadas por um homem aquém da razão. Mas a imagem parecia bem diferente do que ela se recorda. Ela não se lembrava de um quinto integrante, muito menos de uma quarta garota, definitivamente não se lembrava de mais ninguém além dela, Agatha e Isabel na cena do crime. 

Até que as imagens em sua cabeça continuaram, o rapaz observou toda a cena, com lágrimas continuou adentrando a casa. Quando os slides começaram a vibrar em vermelho sangue é que as amigas de Susie apareceram. Ele verificou o pulso de todas, e cada uma delas o fazia vomitar. Os olhos daquele rapaz estavam sem qualquer sinal de vida, ele apenas estava tentando suportar a visão em sua frente. 

Infelizmente, todas as pessoas ali presentes, com exceção de uma, estavam completamente inanimadas. Sem vida. E o rapaz percebeu que a garota com cabelos ruivos ainda respirava, com dificuldade, com olhos fixos no vazio, como se algo dentro dela tivesse se despedaçado completamente. 

O rapaz entendeu o que havia acontecido, colocou calmamente o fone em Susie e recitou alguma palavras.

"Neo Nakama Code - A garota do entardecer, com olhos que arrebatam horizontes. Nada foi feito para ser prejudicada, tudo lhe foi tirado. Mas a sombra do onipotente descansará. Nenhuma corrupção lhe fará mal e para isso de seu amigo não se recordará, pois essa é a condição para que prevaleça no dia de amanhã e no dia depois de amanhã que inevitavelmente se findará."

Após proferir essas palavras, acariciou a cabeça de Susie, bagunçou seus cabelos, seu rosto que olhava para um horizonte completamente desconhecido foi se encontrando no deserto do infinito pensar.

Neste lugar, o indivíduo está sujeito a um vazio existêncial, onde por mais que caminhe, por mais que ande, parece não sair do lugar. Quente como um ambiente seco e árido, mas pode se adaptar a situação do indivíduo.

Phantom PhaseOnde histórias criam vida. Descubra agora