A sala cinza estava muito mais fria do que deveria, é certo que estamos no fim do inverno, mas é inevitável ignorar o clima subjetivo da sala de interrogatório. Ali naquele momento, ninguém sabia o que poderia acontecer, estavam todos atônicos. A jornada da garotinha com complexo de esposa, a adolescente muda que por ter suas mãos algemadas não conseguia se comunicar, e o rapaz meio azarado, arrastado para mais uma confusão que sua esposa de mentirinha resolveu arranjar.
Ambas eram muito inteligentes, em se tratando da tecnologia da informação, o resto é questionável, nenhuma delas é capaz de viver em sociedade, e para completar o rapaz, que passou a maior parte de sua vida inconsciente, por ferimentos em excesso. Sim também não estava pronto para ser solto na sociedade e descobriram da pior maneira que a segurança do estado neutro é muito, muito bem preparada.
Matthew estava algemado a mesa de interrogatório, as outras duas deveriam estar em outras salas que porventura seriam ofuscadas, ou mantidas em segredo, mas era deveras impossível segurar a garotinha com complexo de esposa. Era possível ouvir claramente seus gritos e exigências. Exclamava que jamais poderia ficar longe de seu esposo e que queria o ver imediatamente.
- Aquela garotinha é bem energética não é? - Um Policial alto e muito bem distribuído tentava coagir Matthew, gentilmente olhava para um bando de pirralhos como se fossem apenas crianças, talvez sejam mesmo.
- É, eu realmente queria saber de onde ela tira tanta energia, eu mesmo só preciso de uma parte dela. - Matthew estava algemado, seu fone bem diante dele assim como o policial.
- Vamos lá, eu não vou fazer mal a nenhum de vocês - Disse o policial - mas eu gostaria realmente de saber por que raios estavam tentando roubar computadores?
- Precisávamos para conseguir hackear um sistema de segurança por aí...
- E você realmente quer que eu acredite em você?- O policial, cuja largura dos músculos eram maiores que a cabeça do nosso rapaz algemado.
- Bem, eu não posso mentir para ninguém, cabe a você decidir no que acreditar... - Matthew estava sorrindo de orelha a orelha, realmente não pode mentir sobre a jura do cavaleiro, embora ele fosse um cavaleiro negro.
- E vocês iriam hackear o sistema do estado neutro?
- An? - Matthew não soltou essa informação, mas era óbvio né? - Exerço meu direito de permanecer calado...
- Olha aqui, jovenzinho, é muito bom que você tenha tanta disposição - O policial se levantou, intimidando o jovem adolescente. - Mas roubar parece ser só a ponta do iceberg não é mesmo?
- Huum...
- E levando em conta que você fez uma pirralha fofa como aquela ali - Ele apontou para a parede de onde vinham os gritos indignados de uma garotinha - dizer ser sua esposa, talvez haja mais crimes do que aparenta.
- É não consigo escapar dessa, aquela pirralha ainda me paga...
- Olha aqui, eu preciso do telefone dos seus pais, e dos pais daquelas duas ali, porque eu tenho uma leve impressão que vocês não são da mesma família.
Esse policial é bem astuto, parecia ler a mente de Matthew como se ela fosse um livro aberto, bem aberto, por sinal. Mas a curiosidade matou o gato.
- E preciso perguntar se você também não roubou esse fone! - O policial pegou o fone em mãos, Matthew cessou o sorriso.
Ele esperou, silenciosamente, pelas ações do policial. E como se fosse programado, o policial ficou tentado a colocar o fone, após tantas alterações, o mesmo agora estava com a aparência bem mais distinta do que antes. As orelhas de gato eram exuberantes e chamavam muita atenção. Eram a chave, foram feitas sobre a tentação e mergulhadas no desejo. Aqueles que não se sentirem tentados a colocar o fone, sinto dizer que abandonaram sua própria humanidade.
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Phantom Phase
Ciencia FicciónVocê já se sentiu derrotado? Sentiu que seu corpo se tornou tão imundo e nojento em detrimento das consequências de seus próprios atos infames? Em meio a pertubação emocional que você sente, mesmo criminoso, mesmo exalando o cheiro do pecado, existe...
