Capitulo Dezoito - Passado

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Era tarde da noite quando Nahan adormeceu. Os meses se passavam rápidos, fazendo que Draco pedisse aos céus que ele fosse devagar. Nahan já ocupava o berço, quando o mesmo olhou para a janela.

A chuva caía como aquela fática noite. Era noite, era maldita.

Havia trovões e raios, que faziam Draco se recolher na cama, assustado. Ele pensava naquela noite, quando Boyce saiu de casa e não voltou. Era uma noite como esta que ele viu ele despedir com a vida, e a tristeza inundou a vida de Draco. Ironicamente, era o aniversário de morte dele naquela data...

Tinha noites em que o vento era tão frio

Que, na minha cama, meu corpo congelava

Só de ouvi-lo

De fora da janela

O vento batia na janela, e então ele fechava os olhos. Boyce havia partido fazia tanto tempo mas tinha noites que Draco se imaginava com ele ainda. A tranca da janela não batia mais, não havia mais o carpete rasgado e nem o silêncio rígido dos vizinhos. Não havia mais roupas espalhadas e lanches em fast-foods. Draco aconchegou-se na cama e tentou dormir, mas sabia que iria chorar pelo vazio da sua cama.

No andar debaixo, aquela figura misteriosa aparecia e olhava para cima, pois se permitiu que ele visitasse aqueles que o amavam.

Tinha dias em que o sol era tão cruel

Que minhas lágrimas viravam pó

E achava que meus

Olhos secariam para sempre

Ele encarou aquela estante de livros. Draco ainda adorava ler, e por isso, a estante estava lotada. Ele sentiu que poderia tocar naqueles livros, como fazia antes... De sentir a poeira deles, de escutar a risada dos clientes que entravam e saiam de sua vida, quando ele tinha uma.

Eu parei de chorar no instante que você partiu

Não me lembro onde, quando ou como

E destruí cada lembrança do que houve entre nós

Draco pensava em Harry, e ao mesmo em Boyce. Os olhos verdes em sua mente, se transformavam em azuis. Em sonhos mais distantes, ele se imaginava com Boyce ainda, o mesmo tocando sua barriga e chamando Nahan para andar com ele pelo parque, mas Draco não deveria.

Deveria destruir as lembranças, mas como destruir algo que estava tão vívido em sua lembrança?

Mas quando me toca assim

Quando me abraça assim

Tenho que admitir

Está voltando tudo para mim

Quando te toco assim

E eu te abraço assim

Não sei o porque

Mas tudo está voltando para mim

Tudo está voltando, voltando para mim agora

Draco escutou um barulho e então, se levantou. Enroscou-se no seu roupão de seda e saiu do quarto. A queda de energia banhou a casa em luz de velas. Ele passou pelo quarto de Nahan. A porta estava aberta e ele então, o viu.

Poderia ser apenas um sonho, ele pensou. Mas suas pernas travaram, seu sorriso alargou. O sangue ficou gelado e seus olhos arregalaram-se.

Se fosse um sonho, ele gostaria de apreciar.

Boyce estava ali.

Houve momentos de ouro

E houve clarões de luz

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