Um baque estrondoso ecoou por cada canto do hotel.
Preocupada, Charlie se apressou em correr até a porta de entrada, que foi por onde o barulho ressoou.
- Alastor? - Inquiriu com um fio de voz ao enxergar a mistura de pânico e terror expressos nos olhos do demônio.
- Oh, Charlie! - Exclamou, se recompondo, passando a mão pelos cabelos e descansando-a na maçaneta - Acho que você vai gostar dessa surpresa.
Aos poucos, grande parte dos residentes do hotel desciam até o hall de entrada para verificar o barulho. Curiosos e irritados com o suspense prolongado de Alastor em revelar o que os aguardava por trás da porta, demonstravam suas inquietudes batendo o pé ou apenas lançando olhares ansiosos e agoniados para o Demônio do Rádio. Na verdade, o demônio fazia tanto suspense, que nem parecia querer abri-la.
- Pronta, Charlie? - Questionava o demônio sorridente, girando lentamente a maçaneta.
Pouco a pouco, Charlie começava a perceber que não deveria se deixar enganar pelos sorrisos confiantes e despreocupados de Alastor. Portanto, naquele momento, era óbvio para si mesma que aquele sorriso era falso!
Alastor não estava bem.
De supetão, o demônio finalmente escancarou aquela porta, os assustando pela movimentação repentina.
- M-mãe!? - Gritou Charlie em surpresa.
O queixo de todos os presentes caíram no chão quando tiveram o vislumbre de uma linda mulher loira com um olhar tão feroz, que parecia poder matar (de novo) qualquer um daquele lugar apenas com uma única encarada.
E ela podia.
- Perdão pela demora em recebê-la. - Dizia Alastor cordialmente, fazendo um gesto formal para que a mulher entrasse no estabelecimento - Senti que tinha o dever de chamar o nosso público para lhes dar as boas-vindas adequadamente! - Explicava Alastor com um sorriso encantador.
Toda a plateia, exceto Charlie que ainda se recuperava da surpresa em ver sua mãe depois de tanto tempo, miravam Alastor quase como se dissessem; "Mentira, você não chamou ninguém!"
E, em contraste, Alastor os encarava de volta com um ar de; "Não se intrometam na minha mentira!"
- Cadê o abraço, minha pequena? - Indagou a mulher, sorrindo afetuosamente e abrindo os braços.
Charlie caminhava a passos incertos na direção de sua progenitora. Por mais que estivesse feliz, a confusão também se fazia presente em meio aos seus sentimentos, afinal, depois de tanto tempo que passara longe de sua mãe, e a mesma aparecer de repente daquela forma, era desconcertante.
- Então, quem quer panquequinha do capeta? - Se fez presente outra voz, dobrando o corredor enquanto equilibrava, despreocupadamente, uma enorme bandeja com uma pilha de panquecas - L-LILITH!?
A bandeja fez um estrondo agudo ao colidir contra o chão, derrubando todas as panquecas no exato momento em que Senhor do Inferno estancava no lugar ao ver sua filha nos braços de sua ex-esposa.
Era muita informação para processar.
Ignorando completamente o Sr. Morningstar, Lilith jogou uma bolsa branca na direção de Alastor, que a segurou sem dificuldades.
- Minha mala está próxima à porta, do lado de fora, leve-a até os meus aposentos. E tire esse sorriso da cara! - Mandou a loira, totalmente alheia aos olhares incrédulos e estupefatos que recebia.
O hall de entrada caiu em um silêncio brutal.
Quem em sã consciência trataria o Demônio do Rádio daquela forma?
Estavam curiosos. Qual seria o tipo de bullying que Alastor faria com ela? Aparentemente não podia zombar de sua altura, assim como fazia com Lúcifer, visto que Lilith era visivelmente poucos centímetros maior que si.
Esperavam deboche, sarcasmo e maldade na resposta do demônio, no entanto...
- Não temos mais quartos disponíveis. - Esclarecia Alastor, de forma cortês e afável - A maior parte dos quartos estavam alojados nos andares superiores do Hazbin Hotel e, infelizmente, digamos que esses andares estão passando por uma... Pequena reforma!
- Sem problemas. Despache-a nos aposentos de Lúcifer. - Mandou, novamente - E tire esse sorriso da cara! Ele me irrita.
- Ah, não posso fazer isso. - Negou o demônio ainda sorridente, recebendo um olhar afiado de Lilith - Nifty, mova os pertences da rainha para o quarto do baixinho.
- Ordem dada é ordem cumprida! - Disse a pequenina, pegando a bolsa branca de Alastor e correndo para levar os pertences de Lilith em seu devido lugar.
- E quem concordou com isso!? - Exclamou o Senhor do Inferno, o qual fora prontamente ignorado por sua ex-esposa (novamente).
- Pensei ter dito para você fazer, demônio. - Ditou a mulher, lançando um olhar crítico para o demônio em questão.
- Ah, para mim? - um leve tom debochado era perceptível na voz de Alastor - Não escutei meu nome.
A tensão era quase palpável entre ambos.
- Certo... As panquecas já eram. - Falava Charlie, afim de cortar aquele clima apreensivo - Mas, ainda temos o jambalaya, não é?
- HÁ! É claro que não, querida! - Exclamou Alastor, irônico. Charlie notou uma pitada de aborrecimento em sua fala - A essa altura, meu jambalaya deve ter queimado!
- Não queimou não. - Discordou Lúcifer, tomando a total atenção do demônio - Eu desliguei o fogo antes de sair.
O sorriso de Alastor praticamente triplicou de tamanho ao receber a notícia de que seu jambalaya havia sido salvo.
- Não vai me agradecer não? - Perguntou em um sorriso presunçoso.
- Não.
- Ingrato!
- É sério que você esperava gratidão no inferno? - A voz de Angel Dust se fez presente com um ótimo questionamento.
- É o mínimo que eu esperava dele! - Balbuciou, frustrado por completo - Tsc, sou o Rei do Inferno e ninguém me respeita.
- É difícil alguém te respeitar enquanto compete altura com uma formiga! - Provocou Alastor, apontando para o inseto próximo ao Senhor do Inferno, satisfeito com a carranca que tomava a face do loiro - E acho que ela está ganhando...
- Charlie, precisamos conversar sobre esse hotel. - Anunciou Lilith, ignorando completamente o bullying que seu ex-marido sofria nas mãos de um demônio risonho, juntamente com as risadas escandalosas do ator pornô e sua amiga de um olho só - E seu pai também.
- Reunião de família? - Brincou Vaggie, em um sorriso amarelo.
- Reunião de negócios! - A garota se arrepiou por inteiro com o olhar cortante que recebeu junto com sua resposta.
Lilith não era de brincadeira.
Entendendo o recado que fora dado por mais um dos olhares mortíferos da loira, Husk arrastou Angel e Cherry para as escadas, ignorando seus protestos e objeções. Vaggie o seguiu, não sem antes lançar um olhar preocupado para sua namorada, a qual lhe oferecera um sorriso gentil.
- Saia. - Ordenou Lilith, olhando diretamente para Alastor.
- Mãe, Alastor é o nosso parceiro de negócios, além de gerenciar o estabelecimento. A opinião dele também vai ser relevante para o andamento do Hazbin Hotel. - Explicava a garota, confusa sobre o comportamento de sua progenitora com o Demônio do Rádio - Um pouco de respeito com ele também seria ótim-
- Alastor, saia. - Exigiu, mais uma vez, estreitando seu olhar para o demônio.
Dando de ombros, ainda sorridente, Alastor se direcionou para as escadas. Não iria desafiar uma ordem direta de Lilith nem em seus pensamentos mais profundos, visto que estava vulnerável perante a ela, mesmo que por enquanto. Mas, antes que pudesse dar um único passo, o demônio petrificou ao sentir uma mão segurando fortemente o seu pulso.
- Alastor ficará! - Decretou o Rei do Inferno.
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Humor- Deve ser muito difícil para você, miniaturinha de gnomo. - Provocava o demônio enquanto oferecia, satisfeito, um sorriso desdenhoso para o loiro - Um ser divino, caído, verticalmente prejudicado e com uma cabeça desproporcionalmente grand- - Como...
