Capítulo Quatorze.

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A ponte reluzente era manchada pelo sangue dourado de quem se atrevesse a tentar enfrentá-lo.

Ele sabia que não deveria armazenar tantos sentimentos ruins em si mesmo, mas, devido à situação, era completamente inevitável e impossível tal feito. Estava tão cegado pela imensidão do ódio, que parte das suas emoções eram refletidas em estrondosos trovões da tempestade escarlate que se alastrou do inferno até aos céus.

Em um estouro, Lúcifer arrebentou os portões angelicais pouco se importando com os berros escandalosos (e nada másculos) de São Pedro.

Com os portões do paraíso caídos, a entrada do Reino Infernal foi, finalmente, "concedida".

Uma espécie de exército demoníaco invadia os céus.

Asmodeus, um dos 7 Pecados Capitais, foi o primeiro a se destacar desfilando pomposamente com suas cores vibrantes e seu diabrete meio ciborgue.

- Acho que tive uma ideia sobre a personalização da nossa próxima linha de vibradores, Fizzy! - Ditou o Pecado da Luxúria paralelamente analisando um enorme arco-íris que adornava a vastidão dos céus, mesmo perante a densa tempestade vermelha guiada por Lúcifer - O que você acha de um colorido dessa vez?

- Igual aquilo? - Apontou o diabrete robótico.

Sequer ouvindo as canções e estragos que a outra Pecado Capital, Beelzebub, causava bem perto de si enquanto procurava por inovações culinárias angelicais, Lúcifer caminhava com supremacia no chão ex-reluzente do paraíso, o qual já não estava mais tão reluzente assim, visto os desastres que os demônios causavam.

Ah, e quanto aos anjos que tentavam pará-lo?

Estes caíram ensanguentados aos seus pés em questão de segundos.

Eles mereciam.

- Créu créu no cu de vocês, filhos da puta! - Bradou fervorosamente apreciando anjos e demônios lutarem de forma justa, afinal, ambos os lados possuíam ferro angelical revestindo e encorpando suas armas.

Por milênios, Lúcifer foi condenado e arremessado ao inferno. Visto como uma entidade maligna, ele foi, constantemente, retratado como a representação do mal no mundo terreno. Foi tido como um rebelde e traidor!

Contudo, e os danos que os céus haviam feito para consigo?

O condenaram. O difamaram. O isolaram. Nada obstante, ainda dizimavam seu povo a cada ano que se passava. Entretanto, destruir o dono dos seus sentimentos mais puros e verdadeiros foi o estopim para que, por fim, Lúcifer explodisse em cólera.

Guerrearia contra o paraíso quantas vezes fossem necessárias para dar um fim nessa tirania e injustiça angelical!

- Pai, calma! - Pedia Charlie atrás de si.

Temendo pela segurança de sua namorada, Vaggie a segurou, impedindo-a de se aproximar de seu próprio pai.

- Você não está... Exagerando?

- Exagerando, Charlie!? - Questionava o Rei Infernal em sua forma demoníaca - Já não lhe disseram milhões de vezes que o Diabo é mal? Não estou exagerando. Estou fazendo o meu papel!

Uma risada alta ecoou em meio à chuva incessante do paraíso, atraindo a atenção do loiro de forma quase imediata.

- Ah, isso mesmo! Agora sim... - presenciava-se uma voz feminina, tomando a atenção de todos os demônios invasores, inclusive a de seu rei - Foi por esse homem que me apaixonei.

Lilith caminhava de cabeça erguida e com um sorriso desaforado adornando sua face.

Finalmente aquele anjo forte, determinado e imponente que conheceu, estava de volta. Já havia se cansado daquele loiro frouxo viciado em patos.

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