Capítulo Quinze.

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Um solavanco fez com que abrisse os olhos de supetão.

O susto que o fez despertar de seu sono profundo, foi a exterminadora Lute socando a mesa. Aparentemente, a mesma discordava da decisão de Sera sobre a redenção de Alastor.

Totalmente alheio à discussão, Lúcifer sentia uma linha fina e molhada nos lábios. Ah, ótimo. Além de "participar" de toda aquela burocracia danada, havia babado enquanto dormia!

Nem era pra estar ali em primeiro lugar. Depois que pediu para que Charlie conduzisse o reino infernal de volta para seu devido lugar, Lúcifer seguiu com Alastor de volta ao tribunal angelical. E, sinceramente, milênios se passaram depois de sua expulsão, mas, a chatice burocrática dos anjos não mudou nem um pouco!

- Dormiu bem, vossa majestade? - A voz rouca e próxima de Alastor fez com que se sobressaltasse na cadeira, atraindo a total atenção dos Serafins.

Droga, Alastor!

- Algum adendo a acrescentar na discussão, Lúcifer? - Inquiriu a Serafim, fazendo com que todas as cabeças se voltassem para um Lúcifer visivelmente envergonhado.

- Bem... Na verdade, sim. - Suspirou o loiro, cansado - Vocês todos discutem como se ele não tivesse a própria vontade! Não ouvi ninguém aqui perguntar se ele quer ficar ou voltar.

- Demônios não têm lugar de fala aqui. - Ripostou Lilith.

- Então por que você está falando!? - Contra-argumentou o loiro.

Um silêncio sepulcral se manifestou no local.

Os anjos e Serafins presentes desviavam seus olhares entre os atuais Rei e Rainha do Inferno e não trocavam sequer uma única palavra.

- Seguindo essa lógica, você também deveria calar-se perante aos céus, Rei Demônio. - Alfinetou a mulher. A raiva transparecia em suas orbes refletidas em Lúcifer.

- Não se engane, Lilith. Embora caído, eu nunca deixei de ser um anjo. - Retrucou.

Imprevistamente, a Rainha Infernal se viu sem réplica. Não havia como contra-argumentar a fala de Lúcifer, afinal, ele era mesmo um anjo e, consequentemente, seu lugar de fala era maior do que o dela.

- Perder a discussão para um anão? - Manifestava-se a figura zombeteira de Alastor - Eu esperava mais da Rainha do Inferno!

- Calado, demônio! - Vociferou a loira - E, sinceramente? Cansei de perder meu tempo com vocês. Eu deveria estar aproveitando o sol da praia, e não me importando com essa palhaçada onde Serafins permitem demônios no céu! - Seu olhar afiado se demorou alguns segundos na figura impassível de Sera, para logo depois cair em Alastor - E quanto a você, Demônio do Rádio, espero que volte para o buraco de onde saiu.

- O buraco do qual saí, foi o mesmo do qual a senhora saiu, querida. - Ripostou - Não cuspa no prato que comeu!

- Sua linguinha afiada se esqueceu de que sua alma pode ser despedaçada a qualquer momento, Alastor?

Um breve silêncio perdurou no salão durante poucos segundos.

- Como é? - Perguntou Lúcifer, confuso.

O sorriso antes zombeteiro do ex-demônio se tornou desconfortável e envergonhado com o agradável lembrete de Lilith.

- Depois conversamos.

Um suspiro pesaroso escapou dos lábios entreabertos do Anjo do Rádio.

E mais uma vez, a discussão esgotante se desenrolava entre anjos, Arcanjos e Serafins sobre a sua estadia no céu. Lilith bradava em plenos pulmões que Alastor merecia passar a eternidade no quinto dos infernos enquanto Lúcifer o defendia de qualquer xingamento que a Rainha direcionasse para si.

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