• My Girl

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O quarto estava silencioso, envolto naquela penumbra acolhedora que só a madrugada tem. O calor do edredom me mantinha presa num sonho tranquilo, até que um som suave — quase imperceptível — começou a cortar o silêncio.

Um soluço. Baixo, trêmulo, dolorido.

Abro os olhos lentamente, tentando entender o que está acontecendo. Ainda meio perdida entre o sono e a realidade, estendo a mão procurando o abajur e acendo a luz fraca que ilumina o quarto.

É quando a vejo.

Billie está encolhida do meu lado, o rosto parcialmente escondido pelo travesseiro, os ombros tremendo levemente.

— Amor… Ei, o que foi? — Sussurro, a voz ainda rouca, mas tomada por preocupação.

Ela não responde. Só chora e cada som que escapa de sua boca parece me partir em mil pedaços.

— Billie… amor, fala comigo. — Tento puxá-la para perto, mas ela continua imóvel, como se estivesse presa dentro do próprio medo.

Os soluços aumentam. O peito dela sobe e desce rápido demais, e eu já não sei o que fazer além de abraçá-la, mesmo que ela não reaja de imediato.

— Ei, olha pra mim… — Peço baixinho.

Demora alguns segundos, mas ela finalmente ergue o olhar. E quando os nossos olhos se encontram, sinto o coração apertar. Seus olhos azuis estão vermelhos, marejados, carregados de dor.

— Me diz o que aconteceu, por favor — Imploro, acariciando sua bochecha molhada.

Ela respira com dificuldade.

— E-eu… — Sua voz falha, e eu a seguro nos braços, tentando protegê-la do que quer que seja que a assombra.

Billie se aninha contra mim, a respiração ainda trêmula.

— Eu tive um pesadelo — Ela sussurra, com a voz embargada. — Sonhei que você não me amava mais… que queria terminar comigo.

Sinto um aperto no peito. Um frio estranho percorre meu corpo.

— Ei, amor… foi só um pesadelo, tá? — Ergo seu rosto, forçando-a a me encarar. — Eu te amo demais pra te deixar.

Ela balança a cabeça, chorando.

— M-mas e se um dia você cansar de mim? Se enjoar de me ver todos os dias? E se...

— Shh… — Interrompo, colocando um dedo sobre seus lábios. — Billie, não existe “e se”. Eu te amo e ponto. Você é a mulher da minha vida, e eu nunca vou me cansar de você. Como eu poderia? — Sorrio de leve, tentando aliviar o peso do momento. — Você é tudo o que eu tenho.

Deixo um selinho suave em seus lábios, sentindo o gosto salgado das lágrimas dela.

Eu entendo o medo que habita dentro dela. Entendo porque ele nasceu — e quem o plantou. O ex dela foi cruel o bastante pra deixar marcas que o tempo ainda não conseguiu apagar. E mesmo que às vezes ela duvide, eu nunca a deixaria. Não depois de tudo o que sinto.

— Escuta, meu amor… você é minha garota. E eu vou te amar pra sempre. Se você não acreditar nisso, eu passo a noite inteira te dizendo o quanto eu te amo — Sussurro, acariciando de leve sua bochecha, o polegar limpando o rastro de lágrimas.

Ela sorri entre lágrimas, os olhos brilhando à luz suave do abajur.

— Ok, eu entendi. — Sorri de forma doce. — Mas… eu não reclamaria se você fizesse isso mesmo. — Me olha com aquele olhar travesso que me desmonta por completo.

Dou uma risadinha baixa.

— Tudo por você, meu amor. Eu te amo tanto.

— Eu te amo mais. — Ela responde, num sussurro sincero. — Obrigada por ser tão paciente comigo.

Ela se aproxima, encostando os lábios nos meus. O beijo é lento, calmo, cheio de sentimento, um pedido mudo de perdão, de amor, de segurança.

Quando nos separamos, ainda estamos sorrindo.

— Eu vou estar aqui sempre pra você. — Prometo, tocando o seu rosto.

Ela deita sobre o meu peito, e eu começo a afagar seus cabelos enquanto sussurro palavras de amor contra a sua testa. Aos poucos, sinto o corpo dela relaxar, a respiração se acalmar, até que o sono volta a tomá-la.

Fico ali, observando-a adormecer, sentindo o calor dela colado ao meu corpo e penso que, se o amor é refúgio, então Billie é o meu lar.

Fecho os olhos e adormeço também, desejando que todas as noites da minha vida terminem exatamente assim.

𝐈𝐦𝐚𝐠𝐢𝐧𝐞𝐬 - 𝐁.𝐄.Onde histórias criam vida. Descubra agora