Capítulo 02

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Sete dias haviam passado desde o dia que Benjamin recebeu a missão de recuperar os arquivos mas não estava sendo fácil.

Naquela noite congelante, o loiro segurou firmemente os binóculos que usava para vigiar a casa onde Andrew Scott estava.

Durante o tempo que passou observando, ele não havia saído nem uma vez sem contar da segurança apertada ao redor da casa.

Já passava da meia-noite e o seu corpo gelado implorando por calor o fez desistir para ir embora.


Levou quase trinta minutos para chegar ao seu apartamento, assim que pegou na maçaneta algo frio tocou na sua perna.

Os olhos azuis baixaram para encontrar os olhos curiosos de um belo pastor alemão que balançava a cauda como se estivesse feliz por vê-lo.

— Saí, seu saco de pulgas! — Disse sem paciência quando o animal sentou-se esperando que abrisse a porta.

O cão latiu fazendo a sua grande voz ecoar pelo corredor vazio, aquilo o irritou. Quem em sã consciência deixaria o seu animal de estimação fora de casa durante a madrugada e num frio daqueles?


— Max! — Benjamin controlou a vontade de revirar os olhos quando escutou aquela voz altiva. Ergueu os olhos e assim que encontrou o homem virou-se para abrir a porta.

— Não me assuste assim, menino! — O homem disse afagando o pêlo preto do cão que mostrava a língua amando a carícia.


— Oh, você é o homem do outro dia. O Max gostou mesmo de você, ele nunca fez isso antes — Benjamin abriu a porta querendo ir embora porém alguém parou enfrente a sua porta o impedindo.


Baixou os olhos para encontrar o homem que impedia de entrar, a sua faceta neutra assustou o homem a sua frente mas continuou firme.

O castanho brilhava radiante mesmo ele sendo indiferente a presença do outro, ele trajava algo simples porém quente e pela estatura mais baixa e magra pode notar que era alguém que praticava exercícios fortes.

— Eu sou o Raul, o seu novo vizinho e você é… — O homem negro estendeu a mão para o loiro que continuou imóvel somente observando a figura que tinha os olhos brilhantes.

Sem dizer uma palavra, segurou o braço do homem parado a sua frente, o colocou para fora antes de fechar a porta na cara dura.

— Ser grosso não vai te ajudar a conseguir um parceiro, sabia? E olha que ele é bem fofo — Rosé comentou assim que Benjamin entrou dentro de casa e a sua campainha continuou a tocar sem parar.


— Qual é o ponto da situação? — Questionou tirando um cigarro enquanto caminhava em direcção a cozinha, felizmente limpa graças a sua chefe.

— Pelas informações que temos, ele pretende vender os nossos arquivos a organizações que não simpatizam connosco e são muitas — Rose mencionou com as mãos nos bolsos.


— Ele não saiu da sua pequena fortaleza desde o momento que comecei a vigia-lo, talvez esteja procurando compradores — Benjamin contou sério como de costume.



— Não sei se consigo sozinho — Continuou sincero entretanto o som do salto alto batendo contra o chão o fez perceber que tinha dito a coisa errada.

— Não, a maioria deles foram expostos e seriam mortos na primeira oportunidade mas você… — Rose apontou para o loiro que fumava tranquilamente.


— Você é praticamente um fantasma e talvez o único que eu não tenha colocado naquele arquivo e não vou estragar o nosso elemento surpresa — O homem não refutou, não via motivos para fazê-lo.

— E compra um telefone, Jones. É cansativo ter que vir aqui ou me ligar por telefones públicos — Benjamin fingiu não escutar a mulher quando ela se afastava.

— Eu tenho um telefone — Respondeu apontando para o telefone fixo encima da sua mesa, o telefone preto estava ali quase intocado desde o momento que se mudou para aquela casa.


— Eu mando um telefone personalizado amanhã e não jogue fora como fez com os outros — Rose falou antes de sair do apartamento de Benjamin.



No dia seguinte, Benjamin despertou ao barulho insuportável de sua campainha tocando sem parar, furioso saiu sem ao menos calçar as pantufas.



— O que você quer? — O loiro perguntou ao abrir a porta e se deparar com Raul sorridente como se Benjamin não estivesse com uma carranca no meio testa.

— O Max e eu trouxemos um bolo para você, não é Max? — Massageou a testa quando escutou o latido do mesmo pastor alemão que havia encontrado na noite passada.

Jones, olhou para o homem negro que o olhava sem mostrar nenhum sinal de estar ofendido pela sua atitude, qualquer um ficaria se alguém fosse rude com eles.

Raul estendeu o pedaço de bolo para o loiro que mesmo contra a sua vontade o recebeu para que pudesse sair dali o mais rápido possível porém os seus planos falharam quando o retinto segurou com firmeza o prato.

— O seu nome. Você ainda não me disse o seu nome — Os dentes impecavelmente brancos ficaram a mostra quando mostrou aquele sorriso enorme, ele transbordava tanta vida que Benjamin achou aquilo estranho.

Raul não pode deixar de notar as madeixas loiras bagunçadas por causa de ter acabado de acordar, os olhos meio inchados, a ausência de brilho nos olhos azuis o intrigou.

Ele era alto, devia ter 1,85 de altura e um corpo grande esperando que o homem que parecia não querer falar consigo.

— Benjamin — Disse levando o bolo e fechou a porta na cara de seu vizinho que ficou estupefato com a atitude do loiro.

Benjamin deixou o bolo em cima da mesa antes de ir para a cozinha pegar uma colher e degustar do doce.

O doce derreteu assim que entrou em contacto com a sua língua, a textura macia do bolo o cativou tanto que acabou comendo tudo em segundos.

Após comer, voltou a dormir perdido nos seus pensamentos, intrigado por Raul estar sendo insistente em querer a sua amizade e justamente agora que estava numa missão crucial.


Será que era um infiltrado enviado para tirar informações dele ou era um civil comum?

Não querendo se passar com tantas especulações não conseguiu esperar e voltou para fora de casa.

Sabia que se arrependeria daquilo mas precisava ter a certeza que o tal vizinho não era quem suspeitava que fosse.

Benjamin foi apanhado por Raul que abriu a porta e tomou um susto quando se deparou com o loiro parado em frente a sua casa.

— Ben! — Raul chamou com a mão no peito só para ter a certeza que o mesmo homem que tinha fechado a porta na sua cara estava ali, parado em frente a sua porta.

— Ben? — O loiro ergueu uma sobrancelha intrigado pelo apelido que Raul havia acabado de dar para ele.

Os olhos azuis voltaram-se para o uniforme que Raul vestia, as calças azuis e camisa de manga curta da mesma cor, junto com os sapatos brancos, ele parecia estar pronto para sair.

— Médico? — Questionou realmente curioso e Raul olhou para si mesmo antes de responder.

— Sou enfermeiro e estou precisando ir cobrir o turno de um amigo. Precisas de alguma coisa? — Benjamin ficou meio intrigado por ele estar indo trabalhar num pleno domingo.


— Não! — Respondeu antes de voltar para o seu apartamento deixando o homem negro confuso para atrás.

O loiro foi pegar o seu telefone assim que entrou dentro de casa, ele precisava de informações mesmo sendo errado, ele precisava saber quem era aquele homem que vivia ao lado do seu apartamento.

SOMBRA E LUZOnde histórias criam vida. Descubra agora