Capítulo 19

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O enfermeiro saia de dentro de casa com um prato cheio de banana frita e um sumo que o loiro ajudou o parceiro a levar.



— A mãe não vai gostar de descobrir que desobeceu as ordens dela — O britânico falou ajudando o esposo a sentar na esteira estendida no chão. Raul não surportava sentar em cadeiras ou lugares alto e com a enorme barriga que carregava também era compreensível.




— Esse menino não pára de mexer e eu sinto fome a toda hora, não vejo a hora de nascer. Podes ir buscar um pouco de tomate seco para mim? — Raul pediu ainda comendo e deu um pouco para Max que rapidamente começou a balançar a cauda em felicidade.

Benjamin atendeu o seu telemóvel quando recebeu a ligação do seu gerente, odiava falar de trabalho quando ficava em casa e no fim de semana mas não tinha como ignorar.

— O que foi, sweetheart? — Benjamin questionou quando escutou o seu marido chamar, por um momento pensou que seria por ele estar demorando de trazer o pedido e se apressou.


Quase um ano havia de passado desde o casamento entre Benjamin e Raul. O retinto conseguiu um emprego no hospital da cidade enquanto Benjamin trabalhava como dono de uma rede de lojas que tinha na Inglaterra e Rose o ajudava a administrar por isso não precisava ir lá.


— Benjamin! — O loiro correu para a varanda assim que escutou Max latindo sem parar e assim que passou pela porta se deparou com o seu marido sentado na esteira estendida no chão.



Raul tocou a sua enorme barriga de quase nove meses e gemeu baixinho reclamando de dor quando sentiu uma contração mais forte o atacar.

A bolsa havia estourado há muito tempo mas não queria preocupar ninguém por isso continuou as suas tarefas normalmente mas após seis horas suportando, não conseguiu mais aguentar.



— Está doendo — Raul falou apertando a roupa de Benjamin até a ponta dos seus dedos ficarem dormentes e as lágrimas brotaram instaneamente.



— Vai nascer! Mãe! — Gritou tentando suportar a dor agonizante que estava tirando o seu fôlego e o loiro se aprontou para carregar o menor.


Vanusa veio às pressas atender o seu filho que estava chorando por causa da dor, o maior ficou desesperado quando viu o outro transpirando.

Crisanto veio logo a seguir de sua mulher, o idoso mal conseguia pronunciar uma palavra enquanto o loiro o colocava na cama de casal.

— Eu sei que dói, querido — Benjamin disse discando o número mas Vanusa o impediu quando percebeu que não daria tempo do médico chegar.

— Preciso de toalhas e água quente, rápido! — Atrapalhados, Benjamin e o seu sogro conseguiram tudo que a Vanusa havia pedido.

Raul sentia como se o seu bebê estivesse querendo rasgar a sua barriga, remexia tanto que chegava a ser insuportável.

— Faça tudo que eu mandar — O mais velho assentiu apertando os lençóis para amenizar a dor e gritou assim que encontrou sentiu outra contração vindo.


— Saiam! Os dois! — Benjamin quis refutar quando Raul o seu parceiro começou a gritar cada vez mais alto. O loiro pegou o seu telefone, as suas mãos estavam trêmulas de tão nervoso que Crisanto pegou e ligou ao médico.



Passados alguns minutos com o loiro puxando os cabelos que a raiz começou a doer. O jovem britânico ficava mais desesperado a cada grito que Raul soltava e os seus fraquejaram quando o choro alto ecoou pelo quarto.


— Já estive no teu lugar, filho! — Crisanto falou apertando o ombro do loiro que tinha lágrimas escorrendo pelo rosto, os soluços silenciosos fizeram o seu sogro sorrir, ele conhecia muito bem a sensação que um pai de primeira vez.




— Nasceu! — O mais novo entrou no quarto as pressas e encontrou o seu marido amamentando o bebê que tinha no colo.



— Olha o nosso menino — Benjamin se aproximou do casal que não aguentou e desabou a chorar quando viu o bebê mamando como se não houvesse amanhã.


A sua cabeça quase careca possuía alguns fios escuros, as bochechas coradas derreteram o seu coração, despertou quando viu a gota de água caindo sob a testa do bebê que tinha os olhos castanhos bem abertos.

Vanusa puxou o seu marido assim que notou o loiro indo de encontro com os lábios carnudos de Raul.

O Benjamin limpou o rosto do homem retinto que sentiu o coração quentinho com o gesto carinhoso do seu marido.



— Conhecer você foi a melhor coisa que me aconteceu! — O mais velho baixou o olhar envergonhado com a declaração do maior. Os olhos azuis que sempre pareciam sem brilho quando se conheceram agora eram preenchidos por tanto amor e ternura.



— Eu disse que era perito a derreter até o mais frio dos corações — Falou se inclinando um pouco na cama, estava exausto e o loiro agradeceu.




— Sou eternamente grato por não teres desistido de mim — O menor acariciou o rosto do seu marido que tinha os olhos avermelhados por causa do choro.



— Kato Oliveira Jones, o nosso menino — O maior falou querendo tocar o seu filho porém hesitou, os olhos azuis se ergueram ao mais velho que assentiu levemente.





Benjamin ainda estava receava tocar em Raul por acreditar que o mancharia mesmo o seu esposo insistindo que ele não era nada disso e o seu passado teria que ficar no passado.


Respirou profundamente antes de tocar a bochecha corada e macia do pequeno que mamava como se não existisse amanhã.



— Ele é perfeito… — Deixou uma pausa breve quando deixou um beijo suave na testa do seu filho e depois tomou os lábios do seu esposo.



— Obrigado por salvar a minha alma — Sentado ao lado de Raul, observando seu esposo e o recém-nascido com um misto de emoções transbordando em seu coração. A cena diante dele era tão bela e significativa que ele mal conseguia conter as lágrimas de felicidade.

Raul olhou para Benjamin com um brilho nos olhos, seus traços cansados irradiavam uma profunda felicidade e realização. Ele sabia que, mesmo nos momentos mais desafiadores, sempre teriam um ao outro para se apoiar.

— Somos uma família agora, amor — Raul sussurrou, sua voz suave e cheia de ternura. Ele estendeu a mão para segurar a de Benjamin, unindo-se em um vínculo ainda mais forte enquanto contemplavam o pequeno ser que dormia nos seus braços.


Com um sorriso sereno, Benjamin assentiu, sentindo-se completo e radiante de felicidade ao lado de seu marido e filho. Este era o começo de uma jornada incrível juntos, e ele mal podia esperar para ver o que o futuro reservava para sua família.


FIM.

SOMBRA E LUZOnde histórias criam vida. Descubra agora