Capítulo 06

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Benjamin percebeu que o outro tremia um pouco, por isso tirou o casaco que vestia por cima e cobrou o menor que ergueu a cabeça confuso com a atitude do loiro.

O enfermeiro fechou os olhos ao sentir o calor de Benjamin ainda presente no tecido, o cheiro a vanila misturada a cigarros estranhamente reconfortante o fez apertar mais o casaco.

O calor presente no casaco o fez sentir seguro mesmo o dono sendo um assassino que matou duas pessoas a sangue frio.

— Obrigado, Ben, mas e você? Está muito frio lá fora — Raul agradeceu se agasalhando no casaco quentinho que Benjamin havia dado para si.



O loiro simplesmente caminhou até Max e colocou a coleira para acompanhar o menor, o pastor alemão foi ter com Raul.


— Diferente de você que vem de zonas tropicais, estou acostumado ao clima daqui e também duvido que um corpo pequeno desses aguente só um casaco — Respondeu recarregando a sua arma.

Jones parou próximo a janela e ficou aliviado ao perceber que os homens estavam indo embora quando o barulho da sirene da polícia ressoou pelas ruas desertas.


— É mesmo necessário? — Questionou receoso sobre o loiro ir ao seu local de trabalho armado.




— Se eu quiser te manter vivo é sim, necessário — Disse duro. O menor percebeu pela maneira que o outro agia que algo muito sério havia acontecido com ele, o loiro parecia não dar valor à própria vida e isso o deixou com o coração apertado.






— Você age como se não se importasse com a sua vida, não acha isso erradl? — Raul perguntou chateado fazendo os olhos azuis desprovidos de brilho o encarar, sem raiva, dor, alergia, sem emoções.





— E porque eu deveria? Eu só estou aqui para servir e proteger, a minha vida não vale tanto se não for útil para alguma coisa — Respondeu fazendo menção de pegar o maço de cigarro, porém o enfermeiro o impediu.




— Não fume enquanto estiver comigo — Benjamin tentou pegar de volta entretanto o enfermeiro jogou o maço de cigarro dentro do vaso de flores murchas.





— Não me trate como se fosse a minha esposa, seu idiota barulhento — Raul mostrou o dedo do meio para o loiro que se manteve a expressão neutra de costume.



— Vai se foder, seu grosso! — Respondeu sentindo o seu rosto esquentar diante o comentário de Benjamin.



Os dois seguiram caminho em direcção a hospital onde Raul trabalhava, o enfermeiro desceu do táxi junto do seu pastor alemão que o seguia obedientemente.




Os olhos castanhos brilharam quando viu um certo médico vindo em sua direcção às pressas e Benjamin só faltou tirar a sua arma e meter uma bala na testa do homem.




— Raul! — Raul correu para abraçar o homem alto que o envolveu nos seus braços fortes, o menor escondeu o rosto no peito do seu melhor amigo.


O loiro ficou ao lado apenas observando a cena em cólicas para sair dali mas não podia a sua missão dependia disso e Rose o mataria se não a completasse.


Adam ergueu o rosto do homem negro que tinha os olhos marejados, o médico fintou Benjamin antes de tomar os lábios escuros de Raul.

Pego de surpresa, somente fechou os olhos retribuindo a carícia. Encarando o loiro, Adam apertou a cintura do mais velho enquanto pressionou o queixo permitindo a sua língua deslizar para dentro da boca de Raul.

O enfermeiro tentava inutilmente empurrar Adam pelo peito mas não conseguia, o desgraçado beijava bem e por causa da experiência passada, o médico sabia exactamente como satisfazer o retinto.

Benjamin não aguentou presenciar tamanho cenário e mesmo sem entender o motivo somente se viu puxando o menor para os seus braços.

Raul ofegante levou a mão a boca ainda tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer e o homem dos cabelos castanhos mordeu os lábios gostando de ver a fúria no loiro.



— Não toca nele — O retinto encarou o loiro incrédulo quando este segurou Adam pela gola da sua bata branca.


— Ou o que? — Adam desafiou colocando as mãos dentro da sua bata branca em sinal de superioridade.



— Ele foi meu primeiro e não tenho a menor intenção de perder para você então vai se preparando, Jones — Adam provocou Benjamin, ele sabia muito bem quem o loiro era e o verdadeiro motivo de estar ali mas não iria envolver Raul no problema pelo menos por enquanto.





— Solta ele, Ben — Benjamin trincou o maxilar tentando controlar a enorme vontade de deixar um olho roxo em Adam e aumentou o aperto ao redor do corpo magro do enfermeiro.



Max começou a ladrar para Adam na tentativa de parar os dois levando o retinto ao desespero quando o impediu mas ele continuou latindo.

Raul massageou a pelugem macia do seu pet que se acalmou na hora porém os dois homens altos continuaram se encarando.


— Parem, seus tolos! — Gritou perdendo a pouca paciência que tinha e Benjamin o soltou.

Raul deu um tapa no braço de Adam o fazendo gemer de dor e massagear o local e depois fez a mesma coisa com Benjamin que se manteve indiferente ao gesto.


— Você, nunca volte a me beijar e você não é o meu namorado então pare de agir como um, posso muito bem cuidar da minha pessoa —  Ralhou com os dois seguindo caminho para a entrada.






— Ele sabe quem você é? — Adam perguntou olhando para o enfermeiro que caminhava com o Max a sua frente.




— Mande capangas melhores da próxima vez, Scott — Adam ergueu o punho em pura raiva ao perceber que o loiro não caiu na sua provocação que o encarava com desprezo.

— Você tentou mata-lo por puro ciúme doentio. Ele é ingénuo por ver bondade em alguém como tu pelo menos não estava lá — Respondeu frio.


— Te conheço, Jones. Você só salva quem será de algum benefício próprio ou em nome do MI6 mas ainda não sei para que você quer o Raul — Benjamin tinha as mãos coçando para levar a sua arma e eliminar mesmo estando rodeados de gente mas se controlou, precisava recuperar os arquivos mesmo a sua identidade não sendo tão secreta.


— Isso ainda não acabou — O médico falou seguindo caminho para dentro do hospital quando percebeu que tinha um monte de telespectadores e não queria estragar a imagem de bom samaritano que tinha.

SOMBRA E LUZOnde histórias criam vida. Descubra agora