Capítulo 10

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— Não assuste as crianças — O loiro ergueu a sobrancelha quase transparente enquanto caminhavam pelo corredor branco que iam ganhando alguns desenhos coloridos nas paredes e o barulho de crianças.

O retinto parou quando viu o loiro ficou na sua frente, o rosto pálido, Raul não resistiu a tentação de passar a mão pelo queixo coberto pela pouca barba loira.

— Eu dou medo? — Raul encarou os olhos azuis com deboche quando escutou aquela pergunta do mais alto.

— És bastante atraente mas tens a cara sempre trancada, ficas encarando as pessoas como se comesse a alma e ainda falas pouco, o que não ajuda muito — Respondeu sincero porém as palavras do enfermeiro o fizeram tocar a sua testa.

— E você? Tem medo de mim? — Raul ficou surpreso com a pergunta de Benjamin. Tirou a mão da queixo do loiro que esperava ouvir o óbvio ao perceber o receio nos olhos castanhos fugindo dos seus.


— Ora, ora, ora — O homem negro fechou os olhos se controlando para não surtar quando escutou a voz de Adam.

— Bom dia, Dr. Scott — O menor cumprimentou o mais formal possível apertando a ponta da camisa para segurar a vontade de chorar.

— Doctor? — Adam indagou com uma falsa decepção diante o comportamento de Raul.

O homem alto trajando a sua bata branca caminhou até o enfermeiro que parou ao lado de Benjamin e rodeou o braço do loiro que tinha os olhos azuis seguindo minuciosamente cada movimento de Adam.

— O meu pai organizou uma festa para esta noite, estarei te esperando lá. Nós precisamos conversar sobre ontem e também tenho algo importante para te mostrar — Adam falou colocando um cartão no bolso do homem negro que tentava não gritar mas respeitou as crianças que tinha vindo visitar e só manteve o silêncio.



— Até mais, Jones — Disse dando duas palminhas sob ombro do loiro que entendeu o recado. Adam sabia que ele estaria na festa, por isso chamou Raul para ir.




— Raul!! — Benjamin controlou a vontade de sair correndo dali quando o monte de crianças vieram correndo em direcção ao enfermeiro assim que entraram no quarto do hospital.



O homem retinto adorava visitar as crianças, ver os seus sorrisos sinceros estampados no seu rosto iluminava o seu dia, elas estavam nas suas camas acabando de ser atendidas pela enfermeira do turno.


— Angie! — O enfermeiro soltou quando uma menina dos seus poucos dez anos apareceu no seu campo de visão.


Delicadamente, Raul abraçou e deixou um beijo suave na menina que tinha a cabeça lisa, sem nenhum vestígio de uma vez teve madeixas negras, a sua pele pálida, o seu corpo extremamente magro e os dois fios no seu nariz, provavelmente ajudando ela a respirar.




— Você veio! — Ergueu as suas mãos ossudas para acariciar o rosto do enfermeiro, o gesto partiu o coração do homem mais velho.


— Eu não deixaria a minha princesa na mão — Raul respondeu ganhando o maior presente que poderia desejar, a risada sincera de uma criança.



— Que bom. Eu iria odiar morrer antes de ver você — Benjamin viu o menor segurando as lágrimas quando a menina disse aquilo com tanta naturalidade.



— Não diga isso, Angie. Você vai se curar, todos vocês vão e sabes o que a minha mãe dizia para mim quando eu ficava com medo? — As crianças vieram em direcção ao enfermeiro e a Angie.




SOMBRA E LUZOnde histórias criam vida. Descubra agora