Capítulo 6

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Kirishima voltava para sua casa sem sua animação cotidiana, pensamentos envolvendo um certo garoto de cabelos brancos e seu cachorro rondando por sua mente. Seu desânimo era tanto que até seus amigos questionaram o que houve para o deixar assim, mas nada respondeu de concreto, somente de forma vaga.

Não queria ter soltado Shiro, gostaria de ter o prendido em seus braços até que tivesse certeza absoluta de que estava bem, entretanto, viviam em locais diferentes, então tiveram de se afastar fisicamente, já que o jovem ocupava quase que cem por cento da mente do maior. Contudo, os pensamentos serviram para Eijiro encontrar uma possível solução, mas antes teria de conversar com duas das pessoas mais importantes em sua vida. Ririko e Aimy, suas mães.

Sim, Eijiro possuía duas mães, fora gerado por inseminação artificial e não sentia vergonha por ser filho de um casal homoafetivo, pelo contrário, não conseguiria se imaginar vivendo em uma família diferente. Não sabia como iria contar para as mulheres sobre a situação e sua ideia, mas faria um esforço por Shiro.

Ao chegar em sua residência, pôde sentir o cheiro característico da comida de sua mãe Aimy, o que fez um sorriso surgir em seu rosto. Enquanto retirava seus sapatos, avistou a mulher colocando o último prato sobre a mesa e logo os dois junto da segunda mulher, Ririko, estavam sentados e se alimentando.

A última citada tinha os cabelos pretos com olhos vermelhos enquanto a outra era o inverso, cabelos vermelhos e olhos pretos, entretantos, a coloração avermelhada se devia ao fato de pintar, igual seu filho fazia constantemente, originalmente todos possuíam a capilaridade escura. As mais velhas perceberam que o adolescente estava tenso, não olhava para elas e se distraía fácil com a comida.

-Aconteceu algo, Eiji? - Aimy questiona utilizando o apelido que o deram quando ainda criança.

-Se alguém disse ou fez algo que te magoou, é só falar o nome que eu resolvo. - Ririko comenta e a outra mulher apenas balança a cabeça em lamentação pelo comportamento da esposa. Eijiro olha para suas mães e respira fundo.

-Eu queria pedir algo para vocês.

-Então peça.

-Lembram que eu comentei sobre ter um garoto novo trabalhando comigo e com Fat-san?

-Com certeza, você não parava de falar nele, principalmente depois que descobriu que seus cabelos eram tão brancos quanto a neve, seus olhos amarelos e felinos, a forma como parecia não se importar com nada ao seu redor... - Ririko diz sorrindo divertida e num falso tom poético, o que gera um rubor no mais novo. - O que tem ele?

-Eu não sei se falei, mas Shiro vive nas ruas.

-Estamos sabendo.

-Bem, recentemente, o cachorro dele sofreu um acidente e está internado, só que como sabem, ele não tem dinheiro, então eu estava pensando se, bom, tem alguma chance de ajudarmos? - As mulheres se entreolham por um momento e sorriem.

-Olha só, nosso não tão pequeno Eiji está apaixonado. - Ririko comenta e o outro sente seu rosto ainda mais quente.

-Não é isso, só estou preocupado com um amigo.

-Eu e sua mãe também éramos amigas.

-Nós adoraríamos ajudar e conhecer seu amigo. - Aimy diz, indo ao socorro do filho.

-Espera, conhecer?

-Você fala tanto do garoto que nos deixou curiosas, queremos saber quem roubou o coração do nosso pobre menino.

-Mãe!

As mulheres riem do constrangimento alheio. O adolescente observa suas mães e um pensamento passa por sua cabeça, gerando um semblante cabisbaixo no mais novo, que não passou desapercebido.

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