Epílogo

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-Cuidado onde pisa, Satoshi.

-Não se preocupe, eu sou um super herói, nada vai me ferir.

-Até os heróis se machucam, filho.

-Você não se machuca, papai, sua individualidade não deixa.

-Não é porque tenho um poder que me dá boa defesa, que sou ileso de ferimentos.

-Vocês dois são muito chatos. - A criança cruza os braços e faz um bico emburrado no processo, causando um riso nos dois homens.

Anos haviam passado e muita coisa mudou na vida de Hyosora, não mais Shiro, mas, sim, Kirishima. Três anos depois que alcançaram a maioridade, os jovens casaram-se e outros três anos para que adotassem Satoshi, um garotinho de dois anos na época com cabelos azuis quase brancos e olhos amarelos de tonalidades claras. A criança ganhou o nome em homenagem ao irmão falecido do esbranquiçado, que dizia que o pequeno era igual o mais velho quando vivo. Ainda não sabiam qual a individualidade do menor e nem poderiam criar hipóteses, pois fora abandonado e encontrado numa missão de Red Riot, que acabou apegando-se ao pequeno e o adotando junto do marido.

No momento, a família terminava de descarregar o carro com seus pertences em sua nova casa, era próxima da que Aimy e Ririko moravam e do trabalho de Hyosora, que havia conseguido ingressar numa faculdade de veterinária com muito esforço, visto que teve que aprender tudo em casa e com um curso escolar online.

Infelizmente, dois anos atrás, Yaki veio a falecer, estava com uma idade avançada e mal conseguia se manter em pé. Claro que Hyosora ficou abalado, a perda de seu companheiro canídeo não foi algo fácil para si, mas teve o apoio de sua família, especialmente o de Eijiro, que foi um forte suporte emocional para o esposo, e Satoshi, que mesmo não compreendendo o que acontecia, deixou os dias mais coloridos para os novos papais.

O esbranquiçado havia aberto sua clínica veterinária junto de um pet shop no local onde viveu boa parte de sua vida, conseguindo o imóvel na justiça depois de alguns meses após comprovar que o usava através do usucapião, ou seja, que cuidou do imóvel por anos e que, portanto, o pertencia pela lei. Eijiro tornou-se um herói profissional famoso, fato que se deu principalmente por seu grande carisma e gentileza, o que deixava Hyosora orgulhoso de seu marido.

O ex-Shiro colocou a caixa que segurava no sofá e seguiu até a cozinha após escutar risos e, como conhecia seu filho, sabia que estava aprontando. Ao que entrou no recinto, percebeu que o menor segurava uma faca.

-Satoshi, já não falei que é perigoso brincar com facas? - Soltou um suspiro, a criança realmente parecia filho biológico do casal, tinha o mesmo fascínio que Hyosora por objetos afiados e a vontade heróica que Eijiro.

-Eu sei, mas olha o que eu consigo fazer. - O pequeno gira seu corpo e mostra a faca em mãos mudando de forma até atingir um arco. O garoto pega um garfo e o transfigura em uma flecha metálica, lançando-a na direção de Hyosora sem querer, que desvia no automático, seus olhos arregalados em espanto.

-Desculpa, papai, errei a mira, ainda estou treinando. - O mais velho não prestou atenção na fala, surpreso demais para raciocinar.

Seu filho havia despertado sua individualidade, mas não somente isso, o poder era exatamente o mesmo que o de seu irmão, controle absoluto de qualquer tipo de material metálico. E, outra vez, era como se estivesse vendo o mais velho ali, no corpo de uma criança. Abriu um sorriso e foi até o pequeno, abaixando-se até sua altura e pegando o arco metálico, deixando-o sobre a mesa.

-O que foi, papai? Seus olhos estão molhados.

-É que você despertou sua individualidade.

-Despertei?! - Com o aceno afirmativo de seu pai, a criança abre um enorme sorriso e abraça o mais velho. - Eu tenho um poder! - Tendo ouvido a agitação, Eijiro entra no recinto confuso. - Pai, eu tenho um poder! Eu vou ser um herói!

O maior adquire a mesma expressão que seu esposo e se junta ao abraço, com Satoshi rindo após ter pequenos selares distribuídos por suas bochechas. A criança distancia-se do aperto e segura o arco metálico, mudando sua forma para mostrar para Eijiro, que abraçava a cintura do esposo enquanto ambos sorriam orgulhosos do menor.

-Nosso menino está crescendo.

-Você é um pai muito sensível.

-E tem como não ser com essa família? - O avermelhado deixa um beijo na testa de Hyosora para, então, encostar a sua com a do esbranquiçado. - Eu te amo, meu gatinho.

-Eu também te amo, meu herói.

-E eu amo vocês!- Satoshi diz pulando no meio dos mais velhos, que riem da ação.

A vida não poderia ser melhor para aquela nova geração da família Kirishima e o ex-Shiro agradecia a todas as divindades possíveis por ter aquele futuro. Bem, acabou que o temporário virou para sempre.

Eterno Temporário Histórias para pegar e não largar. Descubra agora