A vida de Shiro estava agitada ultimamente, mas de um jeito agradável. Fazia poucas horas desde que havia, finalmente, retirado sua tornozeleira eletrônica e deu por encerrado as patrulhas junto de Fat Gum, que fez da despedida algo emocional, com o esbranquiçado tendo que prometer nunca mais seguir aquele rumo.
Era justamente isso que estava indo fazer neste momento ao seguir o caminho que não fazia a meses. Após uma curva, parou por um instante e respirou fundo, não sabia como seria sua recepção, então optou por utilizar uma entrada que somente uma pessoa, além de Hyosora, conhecia.
Como o cassino ficava no subterrâneo, tinha uma entrada num beco lateral que dava exatamente na sala do chefe. O adolescente caminhou até o local e deu uma breve analisada, certificando-se de que somente o mais velho estaria ali para, então, adentrar o recinto em silêncio.
-Faz tempo que não nos vemos, Shiro, meses sendo mais preciso. Por onde andou? - O maior tinha um sorriso em seu rosto enquanto anotava algo em seu computador.
-Acredito que o senhor saiba.
-Foi pego pelos heróis, fiquei sabendo. Agora, o que mais me intriga, porque voltou?
-Avisar que estou saindo completamente do crime. - Por mais que esperasse esta resposta, ainda foi como um baque para o homem.
-Não precisava vir até aqui só para isso.
-Eu tinha que fazer, por mais que eu seja somente mais um, o senhor foi a única pessoa que me aceitou e me ofereceu uma chance de viver, indiretamente cuidando de mim, tenho muito o que agradecer.
-O convívio com os heróis te deixaram sentimental, garoto. - Surpreendendo o outro, Shiro abaixa sua cabeça em reverência.
-Obrigado por tudo, não irei esquecer de sua ajuda.
-Não é preciso tanto, levante-se. - O menor seguiu as ordens, vendo o mais velho tossir forçado. - Eu já esperava algo assim, não é como se eu não tivesse buscado por você, era o meu mais eficiente criminoso, então vi com meus próprios olhos como estava vivendo. Encontrou uma família, não é?
-Sim, senhor.
-Você era meu melhor ladrão justamente por não temer arriscar sua vida, afinal, você não tinha nada. Mas agora, você tem eles, pessoas que se preocupam consigo. Não posso ter alguém assim comigo, um ladrão de bom coração e com uma família amada jamais arriscaria sua vida em vão, não será eficiente como antes.
-Isso significa...? - O homem levanta da cadeira e caminha até estar em frente ao esbranquiçado.
-Você está livre, Leopardo Branco, não trabalha mais para mim e não me deve nada. - Com um sorriso, o maior bagunça os cabelos do outro, que sorri levemente. - Agora some daqui antes que alguém te veja e tente te atacar.
-O senhor sabe...
-Daquele incidente envolvendo os irmãos? Sim, já tomei as providências, não farão mais nada com ninguém, talvez no inferno façam.
Com um último olhar e sorriso de agradecimento, o adolescente parte pelo mesmo local de onde entrou. O maior solta um suspiro, sentiria falto do garoto. Por mais que nunca demonstrasse publicamente, tinha se afeiçoado a Shiro, era uma espécie de irmão mais novo. Entretanto, nunca pôde ou quis se aproximar demais, seria arriscado e perigoso, tendo somente este tipo de relação já tentaram o matar, sendo mais próximos somente pioraria.
O que não quer dizer que não cuidou e cuidaria para que tivesse uma vida boa longe do crime, afinal, matou um criminoso que falhou em proteger Hyosora e outros dois que tentaram o matar. Desejava toda a felicidade do mundo para aquele garoto que sofreu tanto sendo tão jovem.
Shiro, após a conversa, seguiu em direção à clínica veterinária, seria o dia em que Yaki teria alta e poderia conhecer sua nova casa junto da família Kirishima. O jovem não poderia estar mais feliz, a recuperação do canídeo fora um sucesso e nem parecia que havia sofrido um acidente. Assim que chega no local, franze as sobrancelhas em confusão ao ver uma figura conhecida parada em frente ao recinto.
-Eiji? O que faz aqui?
-Vim te acompanhar.
-Sabe que não precisava, certo?
-Eu sei, mas é um momento importante para você, quero estar presente. Além disso, estou ansioso para ver Yaki.
O menor sorri e o casal entra na clínica, sendo recebidos pelo veterinário e guiados até o local onde o cachorro os aguardava, sendo recebidos animadamente por Yaki, que pula em Hyosora e o leva para o chão.
-Seu amigo estava ansioso para te ver, Sr. Shiro.
-Ele está bem mesmo para ir para casa?
-Com certeza, só não agite muito ele na primeira semana e se perceber algo de errado, não hesite em vir até mim.
-Obrigado, doutor.
-É o meu trabalho e Yaki é um cachorro muito fácil de lidar. - Com um sorriso, o mais velho se despedindo dos adolescentes, que saem da clínica com Yaki os seguindo de perto.
-Não seria mais seguro ter uma coleira para ele?
-Yaki está acostumado a caminhar comigo sem, sempre foi assim, mas pode ser uma boa ideia. - Durante a caminhada, Kirishima entrelaça seus dedos com os do menor.
-Estava pensando, será que poderíamos contar para minhas mães sobre nós hoje?
-Por mim tudo bem, não sei porque está nervoso, é óbvio que não vão ter nada contra.
-Eu sei, mas ainda sim fico ansioso.
-Não se preocupe, eu vou estar lá com você caso algo dê errado. - O avermelhado leva a mão do esbranquiçado até seus lábios e deixa um casto selar.
-O que eu faria sem você?
-Isso é constrangedor.
-Você que é tímido. - Hyosora solta um resmungo contrariado, mas apreciava esses pequenos gestos do maior.
Mais tarde, após o jantar, os adolescentes estavam sentados no sofá em frente as mulheres carregando feições sérias e nervosas, pelo menos no caso de Eijiro. As mais velhas já sabiam do que iriam tratar naquela conversa, entretanto, preferiram agir como se não soubessem.
-Qual o motivo de tudo isso, filho?
-Mães, temos algo para contar a vocês.
-Estamos ouvindo. - O avermelhado respira fundo e segura a mão do menor.
-O Hyo e eu, nós estamos namorando. - Foram alguns poucos segundos silenciosos, e agoniantes na visão do maior, até que as mulheres se entreolhassem e abrissem sorrisos.
-Bem, não é como se fosse uma novidade, vocês dois não são muito discretos.
-Vocês sabiam?!
-Eiji, somos suas mães, sabemos quando está escondendo algo. - Eijiro estava verdadeiramente surpreso, enquanto Shiro sustentava sua expressão costumeira, já sabia que aquilo aconteceria.
-Mas não se preocupe, nós aceitamos o relacionamento de vocês, se é isso que te preocupa.
-Uma preocupação sem fundamento, afinal, olhe para Aimy e eu, obviamente aceitaríamos e apoiaríamos a relação.
O esbranquiçado olha para o maior divertido, que esfrega a nuca constrangido. Vendo a situação do filho, Ririko passa seus braços ao redor dos adolescentes numa espécie de abraço, trazendo Aimy consigo na ação.
-Seja bem-vindo à família, Hyo. - Os quatro sorriam no abraço, contentes com a nova adição na família Kirishima, que havia ficado um pouco maior.
Hyosora sentia-se em êxtase, jamais imaginaria que sua vida mudaria tanto em poucos meses, agradecia mentalmente ao seu antigo chefe por ter lhe dado aquele roubo e por ter falhado, pois foi graças a ele que conheceu Eijiro Kirishima, o qual seria o homem de sua vida.
Vendo a cena, Yaki não perdeu tempo e pulou no meio do abraço, causando risos na família. Aquele era apenas o início da vida do jovem Hyosora Shiro.
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Eterno Temporário
FanfictionO mestre do silêncio e da discrição, com habilidades excepcionais mesmo sem ter uma individualidade, o gatuno misterioso, esse era o Leopardo Branco, ou para os mais íntimos, Hyosora Shiro. Um garoto de quinze anos que vive nas ruas do Japão em bus...
