Capítulo 12

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Eijiro caminhava de um lado para o outro nervoso, seu quarto bagunçado fazia um cenário jus ao que acontecia em sua mente. Havia passado dias desde o primeiro beijo dos adolescentes e desde então o avermelhado tem pensado numa forma de pedir o outro em namoro, mas a tarefa se mostrou mais desafiadora do que pensou.

Conhecia Shiro, sabia que não gostava de coisas chamativas e extravagantes, entretanto, queria fazer algo marcante e romântico, que demonstrasse o que sentia em um gesto tão importante ao seu ver. Entretanto, depois de muito raciocinar, chegou na conclusão de pedido perfeito, todavia, precisaria da ajuda de terceiros para isso.

Durante a semana, conversou com Fat Gum sobre a situação e o homem concordou em ajudar, tendo ficado extremamente contente ao saber do romance e desejando felicidades. O mais velho chamaria Hyosora no fim de semana sob a desculpa de precisar de horas extras para cumprir sua pena enquanto Eijiro permaneceria preparando o pedido, aproveitando que estaria sozinho em casa, visto que suas mães estariam fora de casa.

Iriam contar para as mais velhas, contudo, queria fazer junto do esbranquiçado. Foram horas de preparo e dedicação, seu corpo pedia por descanso após tanto esforço, mas permaneceu em sua tarefa e não poderia estar satisfeito. Esperou até estar escuro do lado de fora e enviou uma mensagem para Fat Gum, agora era questão de tempo até o menor chegar.

Por falar nele, Shiro estava desconfiado, não era comum o herói mais velho o chamar no fim de semana, talvez nunca tivesse o feito, então foi algo curioso quando Kirishima o contou sobre a ligação que recebeu. Passou o dia com o outro, ajudando em alguma tarefas simples, somente os dois, o que era ainda mais estranho, entretanto, resolveu relevar, sua desconfiança não mudaria nada.

Quando já era noite é que foi finalmente liberado e pôde retornar para sua casa, já considerava-se como sua após tanto tempo morando nesta, e aproveitar o fim de tarde junto de seu amado. Porém, ao chegar na residência, notou que todas as luzes estavam apagadas. Abriu a porta hesitante e quando foi ligar o interruptor, percebeu algo anormal e curioso.

No chão, sendo iluminados por velas, haviam livros formando uma espécie de caminho. Ao que trancou a fechadura, abaixou-se e viu que tinha uma folha com buracos em palavras e letras específicas que formavam uma frase. Seguiu a trilha lendo o discurso.

"Sabe, nossa primeira interação não foi das melhores, você não queria nem olhar para mim".

"Quem diria que estaríamos vivendo na mesma casa e praticamente juntos?"

"Hyo, você se tornou alguém muito especial para mim, chegou tão de repente e bagunçou tanto o meu coração".

"Mas, hoje, não consigo pensar em como poderia ser minha vida sem você".

"Sem sua curiosidade pelas pequenas coisas, sem sua animação adorável quando me conta a história do último livro que leu".

"Sem seus sorrisos, sua voz, seu riso, seu jeito sério e indiferente, mas é só ver um gato ou cachorro que perde sua postura".

"Sem seus abraços, carícias, beijos, bicos emburrados quando não consegue algo ou quando é mandado fazer alguma coisa que não quer".

"Sem suas comidas deliciosas recheadas com seu carinho, sem suas pequenas manias, como morder o lábio ou o dedo quando ansioso".

"Eu me tornei alguém completamente dependente de você nesses meses, um completo bobo apaixonado".

"É por isso que eu decidi fazer essa surpresa, porque não basta ser um bobo apaixonado".

"Eu preciso ser o seu bobo apaixonado".

Hyosora sorria diante da declaração e logo chegou até a porta do quarto que dividia com o avermelhado, notando uma placa feita à mão o orientando a entrar. Assim que abriu a porta, não conteve seu espanto. Na cama, tinham duas pelúcias juntas — um leopardo branco e um tubarão — formando um coração com pétalas de rosas vermelhas e brancas, as flores preferidas do casal, enquanto que no chão havia um caminho de velas até a mesa de cabeceira, onde um candelabro antigo iluminava um livro fechado. O adolescente caminhou até o objeto e o abriu, adquirindo uma expressão de surpresa. Era seu livro favorito, um romance entre homens, e estava aberto na página que continha uma das, senão a, melhores cenas.

"Quer namorar comigo, meu gatinho?"

O garoto, ainda atônito, gira seu corpo ao escutar sons e abre a boca pasmo. Eijiro estava ajoelhado segurando um buquê de rosas brancas e vermelhas numa mão enquanto na outra possuía uma caixinha de veludo com dois anéis.

-Eu sei que não era o que imaginava, mas eu espero que seja o suficiente para te convencer a me conceder a honra de me tornar o seu namorado. Então, Hyosora Shiro, aceita esse herói como seu?

O citado, que estava ligeiramente paralisado, abre um sorriso e se joga na direção do maior, que deixa o buquê em cima da cama e abraça o seu garoto, ambos esbanjando felicidade.

-Sim, Eijiro Kirishima, eu aceito.

Em êxtase, o avermelhado puxa a face alheia e deixa um selinho antes de trocarem as alianças, iniciando um beijo lento e romântico após o feito. Ao se separarem, ambos tinham sorrisos em seus rostos e finas lágrimas de alegria desciam pelas bochechas de Kirishima.

-Eu te amo, meu gatinho.

-Eu também te amo, meu herói.

-Gostou da surpresa?

-Muito, mas é um pouco melosa, combina com você. - O outro solta um riso. - Quando fez tudo isso?

-Hoje, aproveitei que estava com Fat-san.

-Então ele me chamou por sua culpa.

-Desculpe te fazer trabalhar no fim de semana.

-Tudo bem. - O casal levanta do chão e Shiro caminha até a cama, segurando as pelúcias. - Também comprou hoje?

-Na verdade, faz uns dias, foi quando fomos no shopping e você gostou delas, disse que lembravam nós.

-A quanto tempo estava planejando tudo isso?

-Um tempinho. - O menor deixa as pelúcias de lado e segura o buquê, inalando o perfume das flores.

-Rosas?

-Eu fiquei em dúvida qual escolher, então resolvi levar as duas, as vermelhas são as suas favoritas e as brancas as minhas.

-Eu adorei, Eiji. Deve ter dado trabalho recortar as folhas para cobrir os livros e mostrar só as letras certas.

-Não vou dizer que foi fácil, mas valeu a pena no fim só para ver o seu sorriso. - Hyosora abaixa a cabeça constrangido, sentindo suas bochechas quentes.

Ao ver a reação, Eijiro segura delicadamente na lateral do rosto do menor e o puxa em sua direção, tendo uma troca de olhares suave antes de iniciarem um ósculo calmo. A outra mão do avermelhado segue até a cintura enquanto as do esbranquiçado vão até o pescoço alheio, rodeando-o.

Era um momento mágico para eles, inebriante e especial, que ficaria gravado em suas memórias por anos e encontraria um local único em seus subconscientes, afinal, fora nessa noite que o mais novo casal da família Kirishima oficializou seu amor, da forma mais perfeita que desejavam.

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