mustang preto

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TETO POINT OF VIEW
Gabriel: O que tínhamos falado sobre fumar, mano? Agora tá aí todo leso.-ele diz, entre uma foto e outra, analisando como todas, provavelmente, estavam zoadas pra caralho.
Eu: Mas eu continuo lindo.-digo, sorrindo e me jogando em um dos sofás do cenário- Essas fotos são pra que, mesmo?
Nolly: Divulgação.-ele responde, invadindo o estúdio com alguns papéis na mão-Esse final de semana você tem um show naquele rolê das atléticas, tá ligado?
Eu: Não, virei atração universitária?-pergunto, que decadência recusar diploma pra isso.
Nolly: Não, você é contratado, pago e se apresenta. Coincidentemente quem te contratou foi a casa de show junto com algumas atléticas da Unifor.
Eu: Ata, agora é bem melhor.-ironizo e volto minha atenção para o Gabriel, tentando mesmo me concentrar na câmera, mas papo reto sem condições. Alguns vários flashes depois, Gabriel se deu por vencido e convencido que o material que tinha era o suficiente. Então, pegamos nossas paradas e fomos até a sacada do estúdio de frente pra praia trocar uma ideia.
Nolly: E o Wiu, cara, firme com a mina lá?
Gabriel: Pelo visto sim, pintou até o cabelo da mesma cor que o dela.-ele fala, passando a língua na seda para enrolar um beck.
Eu: Gay demais, puta merda.-digo e rimos juntos- Mas a mina é fera, mano, só acabou de sair de um relacionamento, né? É foda, disse isso pra ele.
Nolly: Não que ele pareça ligar, já me contaram que tem música nova vindo aí, certeza que é pra ela.-ele fala, dando um gole no latão de cerveja em sua mão.
Eu: Nem fudendo, mano...-falo, estendendo o isqueiro pro Gabriel.
Gabriel: Mas e tu, mano? Não vi pegar ninguém em SP, até achei que estava doente...
Nolly: Nem a Jeinlyn?-ele pergunta, surpreso, e eu dou de ombros.
Eu: Somos só amigos.
Gabriel: Quando peguei ela te mamando na van, parecia mais que amizade.-ele fala, me passando o baseado e rindo entre a fumaça.
Eu: Amigos com benefícios.-corrijo- Mas ela curte muito mais o Teto, sei lá, quero outra parada.
Nolly: Esse papo de novo? Teto, Clériton Sávio, tudo a mesma coisa.
Eu: Cê sabe que não.-falo, sério- Acho que preciso de um tempo, focar na música, me reconectar, sei lá.
Gabriel: To te achando nessa vibe aí mesmo, mano.-ele concorda- Dá um tempo depois desse show do final de semana, escreve alguma música, bota o que tá sentindo pra fora... quando vê você entende algo.
Nolly: Músicas novas me soam bem.-ele incentiva, tragando do baseado-Mas, papo reto, a Jeinlyn é uma gostosa, puta merda.
Eu: É mesmo.-concordo, rindo- E mama bem pra caralho.
Gabriel: Eu vi que tu tava curtindo mesmo, mané.-ele fala e eu caio ainda mais na risada. Bateu, de fato-Final de semana todo com ela na van.
Nolly: Tá, mas agora falando sério, o show é sábado,-ele fala e eu me concentro, contando os dias, beleza, depois de amanhã- me passa o setlist depois e eu aviso a equipe que você vai tirar uma mini férias.
Eu: Fechou, parceiro, valeu pelo apoio.-agradeço, fazendo um soquinho enquanto ele tirava o celular do bolso e discando algum número, provavelmente para resolver essa questão das minhas "férias".
Nolly: É, nóis, Tetin.

GISELE POINT OF VIEW
Fecho os olhos apenas para sentir a brisa do mar em meu rosto, realmente acho que poderia me acostumar com o fato de ter essa sensação sempre que quisesse a alguns passos de casa.
Mãe: Vamos tomar um suco?-ela pergunta, apontando para uma cabana próxima a orla. Tínhamos acabado de chegar na praia, estava ansiosa para sentir a areia e entrar no mar, mas realmente um suco não seria nada mal. Desde que tínhamos chego, apenas adiantamos algumas tarefas enquanto esperávamos o almoço que precisamos pedir por aplicativo, ja que no apartamento, apesar de confortável e com aparência de lar, não tinha mais que água na geladeira. Pelo menos foi tempo o suficiente para colocar minhas roupas no meu novo armário e desempacotar alguns materiais para a faculdade, que já começariam semana que vem. No fim das contas, não pude pedir transferência da PUC para outra faculdade católica daqui porque não tinha jornalismo na grade curricular, mas depois de algumas reuniões conseguimos transferência para a Unifor que, pelas minhas pesquisas, não parecia nada mal.
Eu: Vamos.-respondo, concordando com a cabeça e a seguindo até a lanchonete, onde sentamos nas banquetas próximo ao caixa e fomos prontamente atendidas por uma mulher que aparentava ter a idade da minha mãe e um crachá com o nome "Paula", com um cabelo crespo lindíssimo preso em um rabo de cavalo.
Paula: Boa tarde, queridas, já sabem o que vão querer?
Mãe: Dois sucos de laranja natural?-ela pergunta, passando o olhar pelo cardápio e me encarando para confirmar a escolha, que eu aprovo com a cabeça-Isso, por favor.
Paula: Claro, pra já. Vocês não são daqui não, né?-ela pergunta, entregando a comanda para um garçom que a leva para a cozinha.
Eu: É tão na cara assim?-pergunto, rindo.
Paula: Não sei o que entrega mais, o sotaque ou você que não parece ver sol há anos!-ela brinca e eu dou risada- De onde vocês são?
Mãe: Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Paula: Ah, tá explicado! Estão longe de casa mesmo, ein, meninas?-ela diz, nos entregando nossos sucos.
Eu: E te falo em longe...-murmuro, abrindo o canudo para misturar meu suco.
Paula: Vieram a passeio?
Mãe: Trabalho,-ela responde e a moça balança a cabeça- e a mocinha aqui vai estudar na Unifor, jornalismo.
Paula: Na Unifor? Que legal! Minha menina também estuda lá.
Eu: Jornalismo?-pergunto, esperançosa, seria tão bom conhecer alguém do meu curso antes de começar, mas só a reação da Paula já foi o suficiente para minhas esperanças irem pelo ralo.
Paula: Não, ela conseguiu uma bolsa em psicologia, orgulho lá de casa...a primeira na faculdade.-ela diz, com um sorriso orgulhoso no rosto- Olha ela aí.
***: Argh!-exclama uma garota magra e alta, de longos cabelos trançados, adentrando o bar. Aparentemente, furiosa, com biquíni e um tirante do que parecia ser da sua atlética, o que me fez perguntar se aqui a tradição das atléticas dos cursos era tão forte quanto no meu estado-Eu já disse o quanto eu detesto organizar eventos?
Paula: Algumas vezes, mas pode se acalmar? Temos clientes e essa não foi a educação que eu te dei!-a mãe da garota pede, enquanto ela se sentava ao meu lado- Ana, essa é a...
Eu: Gi, muito prazer.-digo, tímida.
Ana: Prazer, Ana Liz.-ela responde, mas me ignorando logo em seguida e voltando sua frustração para o seu celular- Vocês acreditam que ainda não liberaram o material de marketing da festa? Uma garota da nutrição disse na minha cara que eu estava mentindo sobre quem ia se apresentar sábado!
Mãe: E quem vai se apresentar sábado?
Ana: Teto, tia, conhece?-ela pergunta e eu acho graça da forma que ela parecia criar intimidade facilmente com todo mundo.
Paula: Ana! Isso lá é jeit...
Mãe: Teto? Não é aquele cantor que você é apaixonada?-ela pergunta, me cutucando, mas eu já estava vidrada na Ana assim que ouvi ela citar o nome dele.
Ana: Você curte?-ela pergunta, mas nem me dá tempo de responder e volta a tagarelar- Pois é! A atlética do meu curso, junto com umas outras, decidiram organizar uma festa de volta às aulas, e contrataram esse maldito desse menino e a equipe dele ficou de montar o material de divulgação. A festa é daqui a dois dias e até agora nada! A propósito, você é nova aqui? Acho que nunca te vi antes...
Paula: Pois é, Ana Liz, se você não tivesse chegado aqui feito um furacão, poderia ter deixado a menina se apresentar melhor, né?-a mãe dela repreende, dou uma risada, meio desconfortável, mas Ana concorda, se virando para mim- Ela e a mãe chegaram hoje do Rio Grande do Sul.
Ana: Que legal!-ela exclama- Gi, né? De que? Giovana?
Eu: Gisele, muito prazer.
Ana: O prazer é todo meu!-ela exclama, me dando dois beijinhos no rosto- Então, Gisele, que que te traz a Fortal?
Eu: Meus pais, a trabalho...
Paula: Mas ela vai estudar na Unifor, também.
Ana: Jura? Qual curso?
Eu: Jornalismo.
Ana: Que daora! Não conheço nenhum calouro do seu curso, mas posso te apresentar a facul no primeiro dia, se quiser!-ela oferece e eu balanço a cabeça, concordando, sinto minha mãe me dar uma leve cutucada, como quem diz "Viu? Não vai estar sozinha"- Mas, fica tranquila, no fim das contas, também nem fico muito com minhas colegas de turma, sou mais amiga de um pessoal da medicina, que, inclusive, está na frente da organização desse rolê do Teto.
Eu: Mediciners.-digo e ela balança a cabeça, concordando, já tinha entendido meu ponto-No fim das contas é a atlética mais endinheirada em qualquer estado, né?
Ana: Sem dúvidas! Mas a Fê é legal, juro! Vou te apresentar. Espera, você disse que curte o Teto, né? Me passa teu número, vou te colocar na lista para irmos juntas.-ela pede, abrindo a agenda e me passando o celular para salvar meu contato- Ela pode ir, né, tia?
Mãe: Claro, claro! Por favor, se for para fazer essa menina parar de reclamar, pode levar!
Paula: Como pode, né? Nessa idade são todas iguais.-ela diz e minha mãe concorda, rindo. Mães.
Ana: Que reclamar o que, garota! Você tá em Fortal! Vai começar a viver agora.
Eu: É o que estão me prometendo, só quero ver.
Ana: E vai!-ela exclama, mas se distrai com uma notificação no celular- A Fer está aí! E com o material de divulgação da festa! Quer ir lá ver? E conhecer ela?
Eu: Posso?-pergunto para minha mãe, que balança a cabeça, concordando.
Mãe: Lógico, fico aqui de papo com a.. Paula, né? Mariana, prazer!
Paula: Isso! Vão lá, meninas, se divirtam, fico aqui com a Mari, posso te chamar assim, né?-minha mãe sorri, concordando, acho que tão feliz por ter feito uma amiga quanto eu. Assim, Ana Liz indica a saída, então levantamos e seguimos em direção a praia- Me conta, mulher, vocês moram aqui pert...
Ana: Ali ó, nossa doutora.-ela fala, apontando para uma garota magra e baixa, de pele bronzeada e um cabelo castanho ondulado, com um tirante parecido com o da Ana, mas um grandíssimo medicina estampado. Mediciners.
Fernanda: Eai, Liz, quem é a branquela?-ela pergunta, sorrindo- Sou a Fernanda, prazer!
Ana: Respeita minha nova amiga, por favor!-ela exclama e eu só consigo sorrir ao ouvir "amiga" que nem ligo em ser a branquela em questão- É a Gisele, acabou de chegar na cidade.
Eu: Pode me chamar de Gi.-digo, lhe cumprimentando.
Fernanda: Se é amiga dessa insuportável, vai ser minha amiga também, pode me chamar de Fer.-ela declara, puxando da bolsa uns panfletos e entregando para a Liz-Taí o panfleto da festa, ela já te convidou?
Eu: Convidou sim, mas quanto é?
Fernanda: Vai de nome na lista?
Ana: Sim, ela entrou na Unifor agora, caloura de jornalismo.-ela conta, analisando o panfleto em sua mão, sem me deixar dar nem uma espiadinha.
Fernanda: Ah, bom, reposta a festa no story e te colocamos como divulgadora.-ela fala, dando uma piscadela.
Eu: Mas você sabe que não tenho nenhum seguidor daqui, né?
Ana: Ainda! Passa o insta.-ela fala, entregando o celular de novo, ainda analisando os panfletos em sua mão- Véi, o que a equipe do Teto me estressou com esse show é sacanagem, mas te falo em homem gostoso...
Fernanda: Pra caralho. Você curte, Gi?-ela pergunta e eu prontamente concordo, trocando o celular da Ana pelo dela, para eu pesquisar meu perfil- Se liga, então, no vídeo que eles nos mandaram para divulgação.
Eu: Caralh...-murmuro assistindo o vídeo, era como um edit com o nome da festa e os dados ao som de Mustang Preto.
Fernanda: Cuidado para não babar.-ela brinca, me cutucando.
Ana: Todo o final de semana na van do cara ia ser pouco, puta merda.-ela fala, fazendo referência ao trecho da música.
Fernanda: Larga de ser tarada, vai assustar a garota.-a morena a repreende, me fazendo rir, pensando quantas vezes já tinha pensado algo parecido sobre o Teto.
Ana: Mas é melhor ela já saber, né? Para não achar estranho quando eu subir no palco e agarrar ele.-ela fala, me fazendo rir mais ainda.
Eu: Pode ficar tranquila, estarei logo atrás de ti.
Fernanda: De ti? Da onde você disse que era mesmo?
Ana: A gata é gaúcha, não disse, não?
Fernanda: Ah, tá explicado.
Eu: Pois é, estou ouvindo muito isso desde que cheguei.-digo e elas riem, dando de ombros, pelo visto realmente era bem nítido que eu não era dali.
Fernanda: É meio na cara, mesmo, mas fica tranquila e cola na gente que logo mais vai estar se sentindo em casa!
Ana: Isso!-ela exclama, enquanto andávamos pela areia até umas cadeiras que pareciam ser do quiosque da Paula, já que Ana nem cumprimenta os garotos que as cuidavam e já as puxa para sentarmos-E você vai ver sábado, o pessoal é muito gente boa, vamos te apresentar para geral.
Fernanda: Sim, tá com a gente tá com Deus.
Eu: Então acho que vocês que não vão curtir andar comigo...-brinco, mordendo o lábio.
Ana: Ei! Gostei.-ela diz, sorrindo sugestiva para mim e, em seguida, para Fer, que retribui.
Fernanda: Vamos nos dar muito bem.

Fernanda: Vamos nos dar muito bem

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 ˗ˏˋ ˎˊ NOTAS DA AUTORA  ˗ˏˋ ˎˊOlá, leitores! Como vocês podem ter percebido, aos poucos, os capítulos vão ficando mais longos

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˗ˏˋ ˎˊ NOTAS DA AUTORA ˗ˏˋ ˎˊ
Olá, leitores! Como vocês podem ter percebido, aos poucos, os capítulos vão ficando mais longos. Nesse início, estou tentando ir em trechos menores para correr a história mais rápido até -finalmente- o encontro entre os protagonistas. Em breve, tenham paciência!

FLOW ESPACIAL (Teto,30praum)Onde histórias criam vida. Descubra agora