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Eduarda Hippler
(Doarda)

Acordei com uma dor de cabeça latejante, como se um grupo de bateristas estivesse ensaiando uma sinfonia dentro do meu crânio. Abri os olhos lentamente, tentando me adaptar à luz que entrava pela janela. O quarto de Sofia era familiar, mas havia algo diferente. Olhei ao redor e percebi que estava deitada na cama dela, apenas com um blusão oversized e a calcinha. O cheiro de álcool ainda estava no ar, e uma sensação de confusão começou a tomar conta de mim. Era normal dormir na casa de alguns amigos, mesmo que fosse difícil de acontecer comigo. Mas o jeito que estávamos me deixava pensativa.
Quando me virei, vi Sofia ao meu lado, com o rosto suave e despreocupado em meio aos cabelos desgrenhados. Estávamos agarradas, como se a noite anterior tivesse sido um sonho profundo e complicado. Mas a verdade é que eu mal lembrava o que aconteceu. A festa parecia distante, como uma lembrança nebulosa.

Tentei me levantar, mas a dor na cabeça fez com que eu recuasse. Olhei novamente para Sofia, que ainda dormia tranquilamente. "O que nós fizemos?", pensei. O coração acelerou ao imaginar as possibilidades. Nós sempre tivemos uma conexão especial, mas nunca falamos sobre isso abertamente. As nossas trocas eram leves, divertidas e sem compromisso. Nossos fãs sempre comentavam sobre isso, ríamos e até curtimos algumas publicações. Sempre colocam um trecho que que Sofia afirma que queria ficar comigo mas viramos amigas. Acho incrível a insistência, mas do jeito que estávamos era diferente e espero que o álcool não tenha nos atingido tanto assim.

Após alguns minutos de reflexão, Sofia começou a se mexer. Seus olhos se abriram lentamente e ela sorriu ao me ver.

-Oi. - disse ela com um tom sonolento.

-Oi. respondi, tentando esconder o nervosismo na minha voz.

-Você está bem? -perguntou ela, enquanto se espreguiçava. O jeito despreocupado dela me fez relaxar um pouco.

-Estou... só com um pouco de ressaca. - admiti, rindo nervosamente. -E você?

Ela franziu a testa por um momento antes de olhar para mim com um sorriso comum. -Não tenho ideia do que aconteceu ontem à noite.

O silêncio entre nós parecia pesado. As memórias da festa começaram a voltar em flashes: risadas, danças e copos levantados em brindes. Mas o que realmente aconteceu depois disso estava envolto em mistério. Inclusive, espero que Caick esteja bem.

Sofia se levantou da cama com graça e foi até o armário pegar algumas roupas. Ao passar por mim, ela parou por um instante e inclinou-se para me dar um beijinho suave na testa. - um gesto simples, mas que fez meu coração disparar.

-Vou tomar um banho dudis, tem remédio para ressaca em algum lugar do quarto. -disse ela com naturalidade, como se nada tivesse mudado entre nós. E de fato não mudou, somos amigas e nada mais.

-Tá bom. -murmurei enquanto assistia sua silhueta desaparecer pela porta do quarto. O gesto dela ficou gravado em minha mente; era como se estivéssemos flertando com algo mais profundo sem realmente reconhecê-lo. Talvez isso seja loucura em minha mente.

Levantei-me devagar da cama e fui até o espelho para tentar me recompor. Meu reflexo mostrava alguém confusa e intrigada - não apenas pela ressaca física, mas pela incerteza do que aconteceu ontem a noite.

Enquanto ouvia Sofia cantarolando no banho, pensei sobre o que aconteceria a seguir. Pego meu celular e ele desbloqueia me revelendo uma foto minha e de Sofia na boate ontem. Na verdade minha galeria de fotos estava lotada, cheais de fotos minhas, do Caick e até com fotos da Sofia na bancada. Imediatamente mandei as fotos para ela ver depois e já enviei algumas mensagens para Caick, não tive notícias dele ainda. E olha que já são pouco mais de 14:00 horas.
Eu vejo a bagunça em que a sala se encontra. Vejo Bella deitada no sofá e duas garrafas de vodka praticamente vazias no chão.

Deus! Não acredito que esvaziamos duas garrafas de puro álcool e deixamos essa bagunça.

Tento arrumar o máximo que consigo. Então apenas pego qualquer short que encontro e tento organizar essa desordem de apartamento. Alguns flashbacks vieram em minha mente, pude me lembrar de comer pizza com Sofia, o pole dance e... porra!

Eu e Sofia nos beijamos.

Nossos lábios se encontraram.

Ela quis isso tanto quanto eu.

Estávamos bêbadas.

"- E se... a gente se beijasse?"

Agora tudo faz sentido. Nós nos pegamos aqui nessa sala e dormimos agarradas. Que tipo de amizade é essa? Imagina se ela lembra de tudo e apenas mentiu para não confundirmos as coisas?
Fico tão imersa nesses pensamentos que nem me dou conta de que Sofia estava parada com os cabelos molhados me chamando.

- Doarda! - sua voz suave com o sotaque nordestino me trouxe de volta à realidade.

Olhei para frente e encontrei os olhos dela fixos nos meus, cheios de expectativa.

- Oi! Desculpa, eu... estava pensando em você - respondi, um leve rubor subindo no meu rosto.

Sofia sorriu, percebendo que eu estava distraída.

- O que você estava pensando? - perguntou ela, inclinando-se levemente para mais perto.

-Em nada muito importante.

-Significa que não sou muito importante? - ela diz e eu a olho com uma interrogação no rosto.

-Você disse que estava pensando em mim e depois disse que não era nada importante.

-Acho que a bebida não me fez tão bem. Retirei o lixo e organizei um pouco da bagunça que fizemos. Tenho que ir para casa. -sorri de leve.

-Não precisava. Mas fica até eu fazer no mínimo um café. -se aproxima de mim.

Proximidade e Sofia. Outro flashback.

"- Você é tão gostosa! - sussurrou Sofia entre os beijos, fazendo meu coração disparar ainda mais."

-Ei postitruta! Está tudo bem com você? Estou ficando seriamente preocupada. -sorri levemente e cruza os braços.

-Eu realmente preciso ir. Obrigada e... é! Obrigada. Te mandei algumas coisas por mensagem depois olha por favor. -pego minha bolsa e meu cropped coberto de bebidas e sigo em direção à porta.

-Deixa eu te levar pelo menos até o elevador. -Sofia diz ao perceber a minha confusão.

-Fica tranquila, a mais mais já está indo. -mando um beijo no ar e logo saio do apartamento.

Sofia me olha sem entender e isso só prova que ela não se lembra de nada. O que é ótimo. Esse segredo ficará oculto comigo.

Entre sonhos e realidades - Soarda Histórias para pegar e não largar. Descubra agora