another woman

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Eduarda Hippler

   Quando chegamos no lugar do luau, a iluminação estava aconchegante. Tudo bem que o escuro depois da costa era enorme, mas mesmo assim estava lindo. Me admira muito a Sofia não querer vir de primeira, ela que ama uma praia de noite. Bom, eu queria que ela se sentisse como uma peça que não se encaixa, algumas pessoas já fizeram com que ela se sentisse assim.

    Os meninos foram tirar algumas fotos próximas da água. Douglas e Lusca amavam essa questão das fotos de casal, e Caick e Marcos ajudavam como podiam.

    Se é isso que vocês estão pensando, sim, eu e Sofia permanecemos juntas enquanto esperávamos nossa caipirinha. Ela estava em silêncio enquanto os dedos batiam levemente na bancada. Eu sabia que ela não estava desconfortável, mas não queria que ela estivesse aqui por obrigação.

-Sofi, se você quiser ir embora eu entendo. Não precisa ficar aqui só porque insistimos. -toco levemente em seu ombro.

-Não vou te deixar aqui sozinha, Duda. Você sabe que os meninos demoram com isso. -olha para o meu olho e suspira devagar.

-Nossa, olhando assim até parece ser carinhosa. -esboço um sorriso e ela parece séria.

-A falta de amor paterno não me permite ser um pouco mais do que isso. -diz enquanto se ajeita na banqueta ao meu lado.

-Você já é incrível do jeito que é. -ela sorri gentilmente enquanto parece pensar antes de pronunciar.

-Duda. -ela disse com um tom de voz mais baixo. -Tem algo que eu preciso te dizer.

Senti meu coração acelerar. O que ela poderia querer discutir agora? Se fosse o que estou pensando me deixaria sem resposta por um bom tempo. Eu me mantenho neutra e apenas respondo:

-Claro, Sofi. O que foi?

-Eu quero que nossa amizade seja sempre transparente. Sabe? Tipo, se algo acontecer entre nós ou se você sentir algo diferente que possa atrapalhar tudo o que temos eu quero que me conte. Não importa o quão difícil seja.

Aquelas palavras ecoaram na minha mente como um convite para abrir meu coração. Eu me senti exposta e vulnerável ao mesmo tempo. Mas mesmo assim, minha mente tirava uma frase de contexto.

"Se você sentir algo diferente que possa atrapalhar tudo o que temos..."

Parecia tão errado que eu queria que desse certo. O silêncio antes de concordar pareceu enorme, o meu coração acelerava e eu não conseguia pensar com tanta agilidade.

-Eu... eu prometo.- respondi hesitante.

Ela sorriu aliviada e pegou minha mão, fazendo meu estômago dar um nó.

-Obrigada! Às vezes tenho medo de perder pessoas por causa de segredos ou mal-entendidos. Falo por experiência própria.

-Eu também.- murmurei, sentindo uma onda de coragem me invadir. - Mas eu não quero que nada mude entre nós.

-Nem eu! -Ela disse rapidamente. -Já disse e vou repetir que você é uma das pessoas mais importantes da minha vida.

-Se eu te fazer uma pergunta você responde com sinceridade? -ela me olha e concorda com a cabeça.
-Você está ficando sério com o Matteo?

-Ele prometeu não estar ficando com ninguém além de mim. Então eu acho que sim.

-Você acha? -demonstro preocupação em minha voz.

-Nós nos gostamos, mas não acho que eu seja o suficiente para ele.

-Você não precisa ser o suficiente para ninguém além de você mesma e já falamos disso uma vez. -seguro em sua mão.

-Foi no meu aniversário isso e foi porque uma vagabunda queria arrumar confusão. -diz e coloca o cabelo atrás da orelha.

-Você chorou de raiva Sofia. -rimos juntas.

-E depois você ficou com dó de me deixar quieta e me fez dormir no seu apartamento. -olha nos meus olhos enquanto fala devagar.

-E eu faria o mesmo quantas vezes fosse para te ver bem.

  Olhei para ela, desejando ter coragem para confessar que meus sentimentos por ela eram muito mais do que amizade. Quase deixei escapar, mas eu apenas sorri e encostei minha cabeça no ombro dela.

   A caipirinha chegou e a distração nos fez mudar de assunto novamente. Bebemos um gole juntas e rimos das caras que fazíamos ao sentir a acidez do limão misturada com o adocicado dos morangos. Depois de um tempinho os meninos chegaram e se sentaram com a gente.

   Todos estavam se divertindo, rindo e dançando, mas eu senti uma necessidade de me afastar um pouco do grupo. Às vezes, o barulho e a energia intensa podem ser um pouco demais, e eu precisava de um momento para mim mesma.

-Galera eu preciso de um tempo sozinha para respirar, já volto e não deixem a Sofi sozinha. -eles concordam e apenas permanecem fazendo a mesma coisa que estavam fazendo.

   Caminhei em direção à beira da água, onde as ondas quebravam suavemente na areia. O som do mar sempre teve um efeito calmante sobre mim. Enquanto eu respirava fundo, tentando absorver a tranquilidade da noite, meus pensamentos vagaram. Foi quando vi um casal mais adiante, escondido por trás de algumas rochas. Eles estavam tão envolvidos um no outro que nem perceberam que eu estava ali.

Que horror. As pessoas realmente perderam a noção.

   A cena era horrível: ele a segurava com força enquanto ela se contorcia de prazer. Eu me senti um pouco intrusa e com vontade de vomitar. A conexão entre eles era palpável, e uma parte de mim ficou curiosa sobre quem eram aquelas pessoas. Analisando o mínimo possível percebi que era o mesmo casal que estava perto das nossas coisas mais cedo. Eu que não queria saber mais, então apenas caminhei para o lado oposto.
   
   Para tentar esquecer a cena traumatizante, eu fui para o lado das rochas maiores. O mar estava suave e de longe dava para ver a lua indo de encontro com a água. Pouco me importava o restante das coisas, pessoas ou seja lá o que for. Fiquei tão envolvida na questão das ondas quebrando em minha frente que não percebi o tempo que fiquei lá, e foi o suficiente para Sofia me mandar uma mensagem:

"Duda está bem? Precisa de ajuda?"
"Matteo está aqui, queria que vocês se conhecessem"

   A primeira mensagem fez o meu coração se aquecer, enquanto a segunda fez o meu estômago embrulhar. Eu queria que ela ficasse feliz, mas conhecer quem ela gosta enquanto sou apaixonada por ela é complicado.

   Apenas respondo que estou bem e caminho em direção à onde todos estavam.
De longe pude perceber a presença de um homem alto próximo de Sofia. Ela sorria de leve enquanto ele a encarava com intensidade. Não conseguia ver com clareza o seu rosto, mas assim que chego mais perto eu percebo. Puta que pariu, não é possível.

Matteo era o cara que estava transando com outra mulher a poucos minutos atrás.

Vocês queriam pegação e receberam um plot. Amaram sim ou não?
P.s: obrigada pelas leituras, vocês são incríveis :)

Entre sonhos e realidades - Soarda Histórias para pegar e não largar. Descubra agora