Eduarda Hippler
Depois de ter entrado dentro do carro, minha cabeça começou a latejar. A mulher que estava dirigindo me perguntou se eu estava bem, e para falar a verdade nem me atentei sobre o quanto é perigoso pegar um uber de madrugada — até o centro de São Paulo — para voltar para casa. Eu nem respondia a motorista direito, e olhando pelo retrovisor, ela estava com um olhar de preocupação sobre mim. E mesmo que estivesse com a mente um pouco conturbada, resolvi não quebrar a tradição e postar uma foto com Sofia a respeito do seu dia. Me atentei em escrever apenas um "eu te amo muito, sofis. Feliz aniversário." Depois disso eu desliguei o celular, não queria conversar com ninguém e muito menos justificar sobre tudo o que eu mesma disse.
Quando eu cheguei em meu apartamento, por volta das quatro da manhã, tomei um banho e me joguei na minha cama. Estava cansada demais para qualquer coisa, eu só precisava dormir. Por ter desligado o celular, quando eu acordei não tinha a mínima noção do horário. Eu só queria ficar em silêncio mesmo que minha cabeça estivesse gritando.
Agora eu estava deitada em meu sofá com a Hannah do meu lado. Ela dormia tão serenamente que até esquecia de tudo o que se passava na minha cabeça. Coloco alguma série aleatória apenas para passar o tempo, mas isso ficou tão entediante que desligo a TV e suspiro pesado.
Preciso arrumar minha casa, mesmo que não seja ela que eu esteja tentando arrumar.
Começo aspirando o tapete e depois colocando ele na varanda que faz divisa com a sala. Organizo os cd's, a minha estante, estúdio de gravação, o banheiro e meu quarto. Obviamente ao som de Demi Lovato no fundo. E de tanto mexer com várias coisas e até mudar outras de lugar, acho várias fotos do meu grupo de amigos em um álbum dedicado à eles. Sorrio involuntariamente apenas por lembrar o quanto eles me fazem bem.
Resolvo ligar o celular para pedir que Gab trouxesse minhas coisas quando voltasse da praia com todo mundo. Tinha muitas mensagens perguntando sobre mim, como eu estava e o que aconteceu por eu ter saído daquela forma. Nessa altura, eles já devem saber o motivo.
A curiosidade me acerta tão forte, que abro a conversa com as mensagens de Sofia e resolvo ler cada uma. A primeira era perguntando se eu estava bem, e o restante apenas repetindo desculpa e pedindo para conversar.
Tinha uma foto também. Uma foto do presente que eu comprei para ela. Na legenda, ela escreveu uma frase comum que me deu um aperto no peito.
"O melhor presente seria você aqui agora. Por favor, me dê uma notícia de que está bem. Eu tenho muito medo de te perder."
Eu visualizo sua mensagem e lembro de tudo o que disse ontem, mas eu não queria lidar com isso agora. Ela deve estar ocupada curtindo seu aniversário á beira-mar, não quero atrapalhar mais do que já atrapalhei. No grupo com todos os nossos amigos, mando uma foto minha fazendo um joinha com as mãos só para servir como um sinal de vida.
Já devia ser umas sete horas da noite, estava com fome e com frio. Peço um lanche pelo ifood enquanto procuro por um moletom. Aviso ao porteiro que assim que o lanche chegasse poderia deixar subir, já que provavelmente ele interfonaria e eu demoraria para atender por estar jogando como uma criança no meu IPad.
Em questão de quase uma hora, escuto barulho em minha porta. Hannah que ronronava deitada ao meu lado, levanta as duas orelhinhas e olha para mim. Calço meu crocs e vou receber a minha comida.
Sinto o meu coração acelerar assim que escuto uma voz do outro lado da porta, eu devia estar ficando louca, mas escuto a mesma voz me chamando pela segunda vez.
Eu não podia acreditar. Sofia estava em minha porta.
— Duda, eu sei que você está aí. Abre a porta, por favor!
VOCÊ ESTÁ LENDO
Entre sonhos e realidades - Soarda
FanfictionEntre risos, confidências e desafios emocionais, as duas exploram o que significa amar e ser livre em um mundo que muitas vezes parece sufocante. Enquanto Doarda se confronta com seus medos e desejos, ela descobre novas facetas de si mesma e do amor...
