Sofia Santino
Quando eu ouvi aquelas palavras sendo desferidas por Eduarda, desejei avançar sobre os seus lábios e desaparecer. Eu não sabia o que falar e muito menos como reagir, e pude descobrir que esse era o efeito que ela tinha sobre mim. A minha cabeça estava tão confusa, que eu apenas permaneci estática e em silêncio, sentindo as lágrimas salgadas e descontroladas escorrendo pelo meu rosto. Eu não queria que ela tivesse entrado dentro daquele carro e ido embora.
Uma vez eu li superficialmente em algum lugar que, apenas quando magoamos ou perdemos alguém que gostamos, realmente percebemos que as amamos e estaríamos dispostos à tudo por esse alguém. E isso era incrivelmente a coisa mais clichê que pensei. Eu demorei muito tempo para entender que eu não precisa de outra pessoa para me sentir completa. Quando eu estava com Duda, ela me mostrava que eu já estava completa e apenas precisava de alguém para me mostrar isso.
E ela era esse alguém.
Ainda na calçada, passo as mãos no rosto e me viro buscando por Matteo. Eu precisava tirar essa história à limpo e seria agora. A raiva e confusão pulsavam dentro das minhas veias, e já não estava tão feliz por estar aqui como antes. E se soubesse, de alguma maneira, que a vinda até a praia me deixaria afastada do meu ponto de paz, não teria sugerido isso.
Vejo os meninos ainda dentro da água, e resolvo procurar por Matteo. Ainda nas suas últimas palavaras trocadas comigo, ele me disse que iria buscar algum drink para bebermos.
Ainda de longe, vejo a seu físico escultural conversando com algumas pessoas de forma descontraída. Vou me aproximando devagar, com meus pensamentos presos em como eu iria expressar tudo o que está preso em mim.
— Como você teve coragem de me enganar desse jeito, Matteo? — falo seca e ele me olha confuso.
— Do que está falando, Sofia? Aconteceu alguma coisa? — sinto sua mão em meu ombro.
— Não se faça de sonso, você sabe muito bem que eu estou falando e nem adianta negar. — olho para ele, enquanto aumento o tom de voz.
— Não aumenta o tom de voz comigo, tu sabe que não curto essas ideais. E outra, senta e vamos conversar. — fala em tom de brincadeira e o fuzilo com o olhar tempo o suficiente para que ele possa mudar o comportamento.
— Engraçado você querer conversar e não optar por estar comendo uma vagabunda enquanto acha que me engana. — o vejo arregalar os olhos e ficar pálido. — Acha que não sei? Ou acredita que eu seja idiota?
— Quem te contou sobre isso? — diz sem expressão e concerta a postura, complementando a sua fala antes de eu cogitar responder. — Foi aquela sua amiguinha estranha, né? Que filha da puta!
— Lava a sua boca para citar a Eduarda, ou eu não respondo por mim. O único filho da puta de toda essa história é você, que acha que não percebi o jeito que olha para outras mulheres.
Jogo em sua cara todas as palavras de uma maneira natural e grosseira. Toda a raiva estava sendo manifestada na forma como eu desferia cada frase. Era como se eu sentisse cada átomo do meu corpo em combustão. Eu jamais permitiria que ofendessem a Duda com ou sem a presença dela.
— Sabe o que é mais engraçado, Matteo? A forma como você nem tenta esconder que não presta. E talvez eu soubesse disso desde o início, só não queria aceitar que você não prestava nem um pouco. — cruzo os braços, ainda falando de maneira firme.
— Vai preferir escutar aquela menina do que eu? — diz enquanto cerra os punhos.
— Onde você está querendo chegar com isso? — interrogo, me aproximando dele e encarando seus olhos escuros.
— Já que você quer "conversar", agora vai ser a minha vez de falar. Acha que sou idiota também? Acha que não vi a forma como você se comporta perto daquela Eduarda? — me responde no mesmo tom.
— Não tem outro argumento que não inclua a Duda? — pontuo, interrompendo ele.
— Vocês duas não são capazes de esconder a atração que tem uma pela outra. Vai negar isso?
— Agora entendi. O seu ego está tão ferido, que precisa achar um motivo baseado em ciúmes para sustentar uma conversa. — rebato a sua frase.
— Não é questão de ego ferido, Sofia. E sim de como você também não vale nada.
Assim que ele termina de pronunciar aquelas palavras, defiro um tapa em seu rosto, deixando a marca dos meus dedos no lado direito. Alguns olhares de pessoas que estavam próximas nos secam, e vejo Caick e Lusca se aproximando.
— Você ficou maluca, garota? Quem você acha que é para encostar a mão em mim? — altera o tom de voz.
— Maluca eu estava quando aceitei me envolver com você. Se enxerga Matteo, vai achar alguma vagabunda a sua altura.
— Por isso eu comi outra no dia que conheci aquela sua amiguinha. Ela faz muita coisa que não está em seu alcance.
Eu podia sentir o meu coração acelerar e cada artéria transportar o sangue quente pelo meu corpo.
Como eu não percebi isso antes?
— E se você quiser a verdade, agora vai me ouvir até o fim. Eu percebo o quanto aquela Eduarda perde o controle perto de você e não duvido nada que já foram até além de amizade. — surpira enquanto passa a mão no cabelo. — Não se faça de sonsa para cima de mim, e nem tente se justificar falando que é mentira. Eu vi a forma como vocês se encaram e somem do nada.
— Eu nunca disse que era mentira. — falo sem desviar o olhar e ele aperta o copo em suas mãos, quase quebrando o vidro em inúmeros pedaços.
— Prefere abrir mão de mim por uma coisa que fiz quando não estava sóbrio? — pontua, tentando se vitimizar.
— Eu prefiro que você suma da minha frente. Álcool não altera a fidelidade de alguém que está disposto a um relacionamento. — me viro de costas, retirando a aliança do meu bolso e jogando no chão. — E caso sirva de consolo, a Duda beija bem melhor que você.
— Vai escolher ela ao invés de mim?
— Já fiz essa escolha a muito tempo, só precisava tornar oficial olhando na sua cara. — finalizo sem demonstrar arrependimento.
Ele tenta me puxar pelo antebraço, mas Lusca o interrompe e fala algo que não consigo prestar atenção. A minha cabeça estava presa apenas em uma pessoa, e não sabia se era preocupação ou vontade de expor os meus sentimentos.
Eu precisava do calor de seus braços em mim.
Eu precisava dos seus lábios macios sobre os meus.
Eu precisava dela agora e para o resto da minha vida.
Eu sou completamente apaixonada pela Eduarda.
Oii meus lindos, como vocês estão? Desculpa pela demora e capítulo pequeno, os outros capítulos já estão quase prontos e espero que vocês não me odeiem. Amo vocês. :)
P.s: e o beijo das minhas mães amores? Esse aniversário da Sofi pocou
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Entre sonhos e realidades - Soarda
FanfictionEntre risos, confidências e desafios emocionais, as duas exploram o que significa amar e ser livre em um mundo que muitas vezes parece sufocante. Enquanto Doarda se confronta com seus medos e desejos, ela descobre novas facetas de si mesma e do amor...
