dream or reality

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Eduarda Hippler

Parecia que a minha cabeça tinha sido arrancada e colocada no lugar depois de servir como objeto principal para algum esporte. Eu estava zonza e com meu rosto úmido de suor, apoiada em um travesseiro um pouco mais alto enquanto tentava abrir os meus olhos.

Por mais que tinha acabado de acordar, tentava processar tudo o que aconteceu nos últimos dias. Eu tive os meus sentimentos correspondidos e tudo parecia ter acontecido assim como um dia eu sonhei.

Mas algo me incomodava. De onde eu teria escutado aquela voz, se não tinha ninguém ao meu lado? Estava deitada sozinha e com o corpo quente, como se estivesse com um calor febril.

Quanto mais eu tentava entender, mais a minha cabeça doía. Estava tremendo de frio, mesmo estando envolvida por um edredom com o cheiro da Sofia. Na verdade, eu estava na cama dela.

Espera aí! Cheiro da Sofia? E por que eu estava no quarto dela? O que diabos está acontecendo?

— Duda? Que bom que você acordou, eu estava ficando preocupado. — vejo Caick entrando no quarto, e a partir daí as coisas pareceram pior do que estão.

— Que porra está acontecendo aqui? De onde você saiu? — interrogo, e ele me olha confuso colocando a mão em minha testa.

— Bebeu tanto que nem se lembra. — ele se levanta, ainda me olhando confuso. — Ontem fomos em uma boate, acabei ficando um pouco a mais do que você e a Sofia. Mas ela me ligou mais cedo pedindo para eu vir aqui, porque você estava passando mal.

— Boate ontem? Mas fomos já tem quase dois meses. — fecho os olhos, sentindo uma pontada na cabeça.

— Só se for dois meses. Eu acho melhor você tomar um remédio, já está delirando de febre. Vou para cozinha fazer alguma coisa para você comer. — ele fala se levantando indo em direção a porta.

— Caick, espera. Onde a Sofia está então? — falo devagar, me sentando na cama.

— Ela está no banho, pediu para eu ficar de olho em você. Mas ela já deve estar quase acabando. — apenas condordo, o vendo passar pela porta novamente.

Não era possível que durante todo esse tempo eu estava sonhando. Eu não podia acreditar, e tudo isso ficava se repetindo em minha cabeça inúmeras vezes.  Tudo isso não passou de um sonho.

Mas até qual parte era sonho ou realidade?

Ao lado do móvel da cama, tinha um comprimido e um copo cheio pela metade com água. Me ajeito em meio ao edredom e me sento, tomando o remédio e tentando assimilar tudo.

Eu não sabia como me sentir. Eu não era dela e nem ela era minha, e acredito que isso seja o pior de tudo. Todas as coisas ditas por ela, suas confirmações e ações não passaram de algo que o meu subconsciente realizou. O elevador, a noite de jogos, o seu aniversário, o shopping e a semana na praia. Era tudo tão real.

Passo as mãos em meu rosto ainda aflita. Se eu tinha apenas uma amizade com Sofia, por qual motivo desejava que aquele sonho fosse realidade?

Escuto sua voz novamente. Suave e rouca. Seus cabelos úmidos batiam nos ombros enquanto ela vinha em minha direção.

— Bom dia, vidoca. Que bom que você acordou. — ela diz, e se senta ao meu lado. — Se você quiser tomar um banho para se sentir melhor, fica a vontade.

— Obrigada, Sô. Posso te perguntar uma coisa? — viro totalmente o meu corpo em sua direção. 

— Sobre?

— O que aconteceu ontem? — suspiro pesado, esperando que ela me responda.

— Fomos à boate e voltamos para minha casa. A gente comeu antes, mas tínhamos bebido tanto que começamos a falar vários nadas. — fala devagar, jogando o seu corpo ao meu lado.

— Quais vários nadas? — falo rápido o suficiente para interromper sua fala.

— Ah Duda, eu nem lembro tanto. Você começou a chorar porque a Hannah pode morrer primeiro que você. — solta uma risada nasal. — Inclusive, bebemos uma garrafa inteira de Vodka.

— Eu não lembro de nada disso. Desculpa de verdade. — tampo meu rosto com minhas mãos.

— Que desculpas o que, fica tranquila. Nem terminei de contar o resto.

— Tenho medo do que pode vir. — me deito com o corpo próximo ao seu, olhando para cima.

— Dançamos juntas no pole, você ligou para sua ex e... — eu a interrompo.

— Como assim, Sofia? Pelo amor de Deus. Você falou "e". Tem mais coisas? Eu quero me matar. — fico nervosa, falando as palavras sem pausas e muito rápidas.

— Obviamente tem mais. Eu pedi para te beijar e você aceitou. — vira o rosto em direção ao meu.

Puta. Que. Pariu.

Eu paraliso por alguns instantes, processando as palavras pausadamente em minha cabeça. Até qual parte do que eu sei foi realmente um sonho?

— Do jeito que eu estava, não duvido nada de ter falado que foi ruim. — continuo olhando para cima, evitando olhar para seu rosto.

— Não falou, fica tranquila. Mas depois que você dormiu, não parou de falar o meu nome e nem de um tal Matteo. Quem é esse? Namorado novo? — eu arregalo os olhos, imaginando tudo o que poderia ter dito.

Eu não queria responder a sua pergunta, então lhe fiz mais uma para tentar arrancar o máximo de informações possíveis de sua boca.

— O que falei sobre você?

— Não sei. Passou a noite toda falando sobre mim, de como eu era importante. Até sobre praia você falou.

— Matteo era supostamente o seu namorado, mas não me lembro do sonho e muito menos sobre ontem. —  olhei para os seus olhos.

Menti. Eu nunca falaria sobre todas as coisas que aconteceram. Reciprocidade, verdades e sentimentos seriam omitidos até eu esquecer. Se isso fosse possível na verdade.

Ficamos em silêncio, apenas nos observando. Por minutos até me esqueci tudo o que supostamente vivi com ela nos últimos dias. Me levanto devagar, deixando apenas o espaço vazio ao seu lado.

— Você beija muito bem, inclusive. — sinto seu olhar queimando atrás de mim.

— Obrigada? Desculpa, minha cabeça está pesada e eu não consigo pensar. — me justifico, prestes a sair do seu quarto.

— Tem uma outra coisa que talvez fosse importante de você saber.

Não sei se queria ouvir, mas aparentemente não comando o meu próprio corpo, já que permaneço parada aguardando o que ela fosse dizer.

— Você jamais seria a minha segunda opção.


Oii meus lindos, como vocês estão? Desculpa a demora, mas tenho uma peça para fazer e é fim de ano, muitas coisas para fazer em pouco tempo. Pensando em escrever uma outra fic delas e postar despois que essa acabar, o que acham?

Entre sonhos e realidades - Soarda Histórias para pegar e não largar. Descubra agora