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Sofia Santino

  Confesso que estava exausta depois de um dia de praia, ainda mais que resolvemos ficar por aqui o final de semana inteiro e voltar domingo à noite. Sinceramente eu não sei porquê compro essas ideias dos meus amigos.

   Minha relação com a Duda melhorou, não que estava ruim, mas me senti muito culpada pelo que ela disse. Realmente devemos ter consciência do que saí da nossa boca e de todas as nossa atitudes. Não gostaria que ela pensasse que nossa amizade ficaria abalada por um possível relacionamento, eu amo a presença dela em vários aspectos da minha vida.

  No momento, estão todos arrumando suas coisas em três quartos. Eu preferi ficar nesse que é menor e sem ar condicionado só para poder permanecer sozinha. Não sei se já comentei, mas não gosto de muito contato físico. Pensando bem agora, a Duda foi uma exceção. Lembro do dia que estávamos bêbadas e acordei cedo. Mesmo zonza e sem ter muita noção, não me importei de ter o seu corpo agarrado ao meu. Arrisco a dizer que foi a única pessoa próxima de mim que aceitei dormir de tal maneira.

Ela é uma exceção.

  De tanto pensar em tudo, não consigo dormir. Acho que bebi demais. Olho minhas notificações, redes sociais e menções. Eu amo o carinho que recebo de cada um, é reconfortante. Assim que desço os posts e respondo alguns fãs, vejo um vídeo dedicado à mim e a Duda. É até um pouco estranho essa obsessão de vários como se fôssemos um casal, mas confesso que fico com o coração confortado ao perceber a sorte que eu tenho pela amizade dela.
  De imediato mando para ela e para a minha surpresa visualiza na hora. A resposta vem em segundos depois.

"Encostamos da mão uma da outra e colocam AnaVitoria para tocar"

Encaro a mensagem por alguns segundos e arrisco responder com:

"Como se fossem só as mãos que se encostaram"

E a resposta não veio.

   Algumas vezes Duda me deixa confusa, lembro do dia que comentei com o Caick sobre isso. Ele tentou me aconcelhar e tudo, mas isso é uma coisa entre mim e ela que sendo bem sincera, eu queria entender.
   Meus pensamentos são interrompidos pelo Caick arrombando a porta e se jogando do meu lado.

—De conversinha no celular com quem que não começou a se arrumar até agora? —faz uma cara de curiosidade e puxa o celular da minha mão. —Nossa, levou quase um fora aqui.

—Primeiro que não pedi para você olhar o que estou fazendo e segundo, eu não vou sair para lugar nenhum. —pego meu celular de volta e sinto a brisa com cheiro salgado passando pela janela. Ignoro sua última frase para não ter que justificar nada.

—Eu consegui convencer a Duda para ir com a gente, então você só tem a opção de ir ou ir. É uma oportunidade para você relaxar, vai ser tranquilo. —fala enquanto se levanta.

—Tá bom, tá bom. Mas quando eu quiser ir embora você não pode me impedir. —bufo levemente e ele me aperta com os braços. Não gosto de contato físico, mas é o Caick sendo ele mesmo, então deixo passar.

   Ele sai sorrindo e convencido, deixando a oportunidade para eu me arrumar. Abro a pequena mala de coisas que eu trouxe e escolho uma saia jeans clara e uma regata mais curta branca; como a noite estava quente, não levo nenhum agasalho. Faço uma maquiagem rápida e simples, com um delineado bem clássico passando a vibe de "estou indo obrigada, mas arrumada." Opto por acessórios básicos e cabelo solto com pequenas ondas.

   — Sofi! — a voz de Doarda ecoou pelo corredor. — Você está aí?

— Estou! — respondi, sem muita vontade. A porta se abriu e ela apareceu, usando apenas um blusão preto e um short.

— Você não pode ficar aí trancada com má vontade. — disse ela, com um sorriso insistente. — Vem comigo!

— Sério, Doarda? Eu não estou nem um pouco afim. — murmurei.

— Ah, vai ser divertido! Os meninos estão todos aqui e a casa é incrível. Você já está maravilhosa, não pode desistir agora.— ela puxou minha mão, me arrastando para fora. 

—Falei para o Caick que iria da condição de voltar quando eu quisesse. —murmuro seguindo ela até o outro quarto.

—Prometo que não vou te obrigar a ficar, até porque só quero deitar e dormir. Minha animação vai passar em 20 minutos. —sorri levemente e me sento na ponta da cama.

— O que você precisa? — perguntei, enquanto ela se sentava diante do espelho.

— Preciso decidir a roupa e fazer um delineado também. — Ela olhou para mim com um brilho nos olhos. — Os meninos são viados estranhos, não sabem fazer maquiagem de jeito nenhum!

Eu ri involuntariamente. Era verdade; eles sempre se divertiam com suas tentativas desajeitadas de ajudar nas produções. Mas a incompetência deles falava bem mais alto.

— Ok, vamos lá! O que você queria vestir? — perguntei enquanto mexia nas peças separadas. O cheiro dos perfumes misturados era forte e levemente adocicado.

Doarda começou a experimentar algumas roupas e logo escolheu um vestido leve e braco que realçava suas curvas.

— Esse. Mas preciso do delineado perfeito! Ainda bem que tenho a Sofia Santino nesse exato momento. — disse ela animada.

— Você me tem o tempo todo, Duda. — respondi, pegando o delineador que estava sobre a mesa. Ela sorri como resposta e não pronuncia nada. Enquanto eu começava a traçar as linhas nos olhos dela, nossos olhares se encontraram no espelho. Havia algo ali; uma tensão leve no ar que eu não conseguia ignorar.

— Ainda bem que para isso você tem talento. — elogiou Doarda, enquanto eu finalizava o olhar dela com um toque sutil no cantinho do olho.

Ela riu e eu senti meu coração acelerar um pouco mais do que deveria. O clima entre nós estava mudando; era como se estivéssemos criando algo mais do que apenas amizade naquele momento.

— Agora só falta escolher os acessórios.— disse ela, quebrando o silêncio que ficou entre nós.

Enquanto ela garimpava bijuterias, continuei pensando em como seria estar na praia à noite com todos e como aquilo poderia ser diferente do que eu imaginara. Um ânimo surgiu aos poucos, mas mesmo assim preferis estar deitada assistindo alguma série.

Finalmente pronta, Doarda se virou para mim segurando uma correntinha prata indicando para o seu pescoço. Encosto minha mão em sua pele macia e sinto seu corpo arrepiar.

— Obrigada pela ajuda. Agora vamos antes que você pense em desistir e eu compre sua ideia.

Ouvindo os risos vindos da sala, percebi que talvez valesse a pena sair da minha zona de conforto por uma noite. Saímos juntas do quarto e logo após os meninos pegarem o precisavam, fomos caminhando em direção a praia que estava com um ar leve e acolhedor.



Entre sonhos e realidades - Soarda Histórias para pegar e não largar. Descubra agora